A Águia Solitária - Danielle Steel

"Amar não é nada fácil. É preciso ceder, ultrapassar barreiras e lutar para vencer. Em seu 51° romance, A Águia Solitária, Danielle Steel conta a história de um amor, iniciado na Segunda Guerra, que precisou atravessar décadas para ser realizado. 

Numa tarde gelada de dezembro de 1974, Kate Jamison recebe um telefonema que desperta lembranças do passado, de quando conheceu o único homem que amou. Suas memórias se voltam para o Natal de 1940, quando viu Joe Allbright pela primeira vez. 

Kate, uma americana de 17 anos, conheceu Joe Allbright, um ousado aviador, numa festa de debutante às vésperas de Pearl Harbor. Mesmo completamente interessados um pelo outro, eles não puderam ficar juntos. Naquele momento Joe estava totalmente comprometido com sua carreira e a guerra fez com que tomasse uma dolorosa decisão que modificaria para sempre a vida de ambos. Utilizando a Segunda Guerra como cenário, Danielle Steel cria mais uma história emocionante e irresistível. Um romance de amor e sacrifício sobre um homem fora do comum, a mulher que o amou e um vínculo tão forte que nunca poderia se partir. 

Mal sei como começar. Muitos podem se desanimar ao ler o prólogo, pois começa com a morte de Joe, ao final de tudo. E peço que, por favor, continuem a ler o livro. Afinal, se a gente lesse um livro apenas para saber como ele acaba, pularíamos logo para as últimas páginas, não é mesmo? Não sei bem como descrever esse livro, tamanho o meu choque com seu conteúdo. “Fora uma dança mágica durante trinta e quatro anos, cujos passos não foram fáceis para nenhum dos dois aprender.” Verdadeiramente, a vida deles fora uma dança mágica, mortal e muito, muito difícil. Acho que não há maneira melhor de descrever o que eles passaram juntos, e nem em como passaram. Por isso digo que o livro foi sufocante, pois foi assim que me senti a maior parte do tempo. Não de uma maneira ruim. 

O amor que os dois sentiram um pelo outro foi quase instantâneo e essa união, de forma alguma poderia se romper. Não importasse o quanto ela fosse esticada, não se arrebentava, apenas se tornava mais flexível. O que eles passaram foram situações imagináveis, capazes de nos fazer sentir raiva, pena, alívio. E, principalmente, de nos perguntar como poderia dar certo, ao final. “Mas a ironia era que ele tinha necessidade de fugir, de estar livre, e Kate precisava se segurar à vida. Era como um cabo-de-guerra. E, no entanto, ele sentia que, se pudessem relaxar a força, ambos venceriam.” 

Todo o livro é uma montanha russa, cheia de altos e baixos. Kate e Joe brigam e se reconciliam, se separam e se reencontram. E em cada momento é extasiante, difícil não se deixar envolver. Juntamente com Kate amei Joe. E muito ao contrário dela, também odiei. Bastante. Não por seu amor em primeiro plano com os aviões, mas por causa do seu egoísmo. Às vezes era difícil acreditar que ele se importava com ela, ou que pensava em outra pessoa além dele. 

Por muitas vezes fiquei com raiva de algumas decisões dele, e outras por causa das decisões dela, ou falta das decisões. Por isso foi um alívio quando eles finalmente aprenderam os passos dessa dança exótica. Foi difícil, mas aprenderam. 

Cheio de situações inesperadas, o livro nos apresenta personagens incríveis, complexos e ambientes tão divergentes quanto harmoniosos. Entremos nessa dança com o casal principal, tropeçamos e voltamos com eles. Um livro romântico, diferente de todos os outros que eu já li. Não é daqueles romances “bonitos” em que o amor supera tudo, mas algo mais próximo ao real, em que nada é tão fácil e que para tudo é preciso batalhar bastante. Mas que depois de tantas feridas e cicatrizes, tudo pode valer à pena.

O Diário de Anne Frank (Anne Frank)

Com muita personalidade, Anne era uma jovem descobrindo-se em plena adolescência. Muito estudiosa e apaixonada por livros, tinha como sonho tornar-se uma artista e escritora famosa. A família Frank era composta por quatro pessoas: Anne, seus pais, Otto Frank e Edith Frank, e a irmã, três anos mais velha, Margot Frank. 

Quando ela tinha quatro anos de idade, a família decidiu que deveria sair da Alemanha para fugir dos ataques de Adolf Hitler contra os judeus. O pai de Anne abriu uma empresa que fornecia frutos e ingredientes para a produção de geleias e, com isso, conseguiu estabilizar-se financeiramente. O próximo passo era trazer a família para Amsterdã, onde Anne e Margot teriam acesso a uma boa educação. 

Em 1940, a Holanda foi invadida pelos nazistas alemães comandados por Hitler, e a população judaica do país começou a ser perseguida. O regime nazista impôs restrições aos judeus, como toque de recolher ao entardecer e proibição de frequentar os mesmos locais que os demais cidadãos. Uma outra determinação feita pelo regime nazista foi obrigar os judeus a utilizarem uma Estrela de Davi amarela em suas vestimentas para que pudessem ser identificados. Anne também teve que usar uma. 

Em seu aniversário de 13 anos, Anne foi surpreendida pelo pai com um caderno para anotações. O objeto tinha capa vermelha, com alguns detalhes, e agradou muito à adolescente, que fez dele seu diário. A primeira escrita no diário foi datada em 14 de junho de 1942. Em suas primeiras páginas, ela conta sua rotina, fala sobre amizades, escola, família, a saudade da avó que faleceu durante o período, e narra também a invasão da Alemanha nos primeiros países. No dia 20 de junho daquele mesmo ano, Anne decidiu que o diário seria uma espécie de amiga e resolveu batizá-lo de Kitty. 

No início de julho, a garota começou a narrar o sentimento de medo que passou a sentir, ao lado de sua família, da situação de invasão dos alemães. Foi nessa época que ela relatou os planos da família para um esconderijo. Contando com a ajuda de amigos nos quais tinha muita confiança, a família saiu às pressas para o esconderijo montado em cima de um armazém que era a casa comercial do pai de Anne, localizada em uma rua junto a um dos canais de Amsterdã. 

O anexo secreto, como ficou conhecido o esconderijo, recebeu a família de Anne no dia 6 de julho de 1942. O espaço tinha três andares, e a entrada era feita por um escritório. No primeiro andar, havia dois quartos pequenos e um banheiro. Acima, havia uma sala grande com uma menor ao lado, na qual tinha uma escada que levava ao sótão. Para tentar garantir que o lugar não fosse descoberto, uma estante foi colocada na porta do esconderijo. 

Além da família de Anne, foram abrigados, dias depois, o casal Van Pels (Hermann e Auguste), com o filho Peter (personagem importante na história de Anne), e, alguns meses depois, Fritz Pfeffer, um dentista e amigo da família Frank, que dividiu quarto com Anne. Com a proximidade diária das famílias, Anne começou a passar mais tempo com o jovem Peter Van Pels, dois anos mais velho que ela. Ela narra em seu diário descobertas sentimentais em relação ao jovem, mas também destaca o medo de magoar a irmã Margot, pensando que ela também poderia estar interessada no rapaz. 

O período de isolamento durou cerca de dois anos sem que as famílias saíssem às ruas, para evitar serem descobertas. Os judeus capturados pelos alemães eram enviados imediatamente aos campos de concentração. Com a situação, as famílias tinham que regrar os mantimentos e, muitas vezes, faziam jejum, optando por qual refeição seria feita no dia. Os alimentos eram levados pelos amigos de Otto. Eles mantiveram o sigilo durante todo o período. 

No dia 4 de agosto de 1944, o anexo foi descoberto. Não se sabe ao certo se houve denúncias ou se a polícia alemã chegou ao local por coincidência. Nunca foi comprovada nenhuma das versões. Todos foram presos e levados para o maior campo de concentração da Holanda: Westerbork. Posteriormente, foram divididos para outras regiões. 

Edith Frank morreu no dia 5 de janeiro de 1945, em Auschwitz, na Polônia. Anne e a irmã Margot foram enviadas para Bergen-Belsen, na Alemanha, morreram provavelmente em março de 1945, com Tifo, e foram sepultadas como anônimas em valas comuns. Otto foi enviado a um hospital, em novembro de 1944, e permaneceu lá até janeiro de 1945, quando as tropas soviéticas venceram os nazistas e libertaram os judeus dos campos de concentração. 

A família Van Pels também foi morta pelos alemães entre 1944 e 1945. Peter foi levado com mais de 11 mil prisioneiros de Auschwitz a Mauthausen, na Áustria, onde morreu em maio de 1945. O dentista Fritz — chamado de Dussel no livro — morreu em 1944, na Alemanha.

O diário de Anne foi encontrado pela secretária Austríaca Miep Gies que trabalhou com eles e esse diário foi entregue por ela ao pai de Anne Frank, onde o mesmo mais tarde o publicou.

Papillon (O Homem que saiu do inferno) - (Henri Charrière)


Papillon (Henri Charrière) Henri Papillon Charrière (Apelidado de Papillon) nasceu em 1906 em Árdeche e foi condenado à prisão perpétua em Paris. 

Ele tinha 25 anos quando em outubro de 1932 fora levado para o Departamento do Sena, em Paris, para ser julgado de um crime de assassinato de um homem chamado Roland Le Petit. Papillon se dizia ser inocente e que a testemunha Pollein mentia sobre o crime pois tinha feito um acordo com a polícia que era promovida sempre que se descobrisse o autor de um crime. Sendo assim, o advogado da acusação foi mais habilidoso e conseguiu que os jurados condenassem Papillon à prisão perpétua com trabalhos forçados em uma colônia penal que foi criada por Napoleão Bonaparte. 

Papillon ficou um tempo primeiramente em Saint-Martin-de-Ré. Enquanto aguardava a partida ele guardara dentro do ânus um canudo com 5600 francos. Era o dinheiro que ele teria que guardar para “comprar cúmplices, libertos e vigilantes”. Assim faziam outros prisioneiros. 

Enfim, chegou o dia da viagem em um navio de 1800 homens para a penitenciária, o centro de degredos de forçados. Chamava-se “Penitenciária de Saint-Laurent-du-Maroni”. Ali fazia-se a triagem. Os desterrados (Degredados, exilados) iam para uma penitenciária chamada Saint-Jean. Os forçados eram classificados em 3 grupos: Os mais perigosos iam para as Ilhas da Salvação para o resto da vida. Essas ilhas se chamam: 1) Ilha de Royale; 2) Ilha de Saint-Joseph, que é a maior; 3) Ilha do diabo, a menor de todas, onde ficavam mais os forçados políticos, em geral. O segundo grupo são os menos perigosos ficariam no campo de Saint-Laurent fazendo trabalhos de jardinagem e cultivo da terra. Em casos de necessidade eles seriam enviados para campos muito duros, como o Campo Florestal, Charvin, Cascata, Enseada Vermelha, Quilômetro 42, chamado “O Campo da Morte”. E o terceiro grupo seriam os empregados na administração, nas cozinhas, na limpeza do povoado e do campo ou em diversos trabalhos como oficina, marcenaria, pintura, eletricidade, alfaiataria, lavanderia, etc.. 

Um conhecido de Papillon, Sierra, que trabalhava na enfermaria, o chamou e o internou juntamente com Degas, amigo de Papillon, por 200 francos por semana, para os manterem um tempinho no hospital, longe dos vigilantes e das penas impostas. E no hospital, ele ficou conhecendo Maturette, um rapaz jovem; e Clousiot. Esses amigos juntamente com Papillon conseguiram fugir depois de terem armado um bom plano para a fuga. Nessa fuga Clousiot quebrara a perna. 

Então, através de Jesus que os acobertara, eles fugiram pelo rio. Porém o barco era muito velho e eles tiveram que ir até a ilha dos leprosos onde compraram um barco muito bom para poderem entrar em mar. Nessa ilha só havia leprosos em estados críticos da doença, mas eles os receberam muito bem. Já em mar eles enfrentaram muitas ondas, chuvas e tempestades. Mas conseguiram depois de muitos dias chegar a Ilha inglesa de San Fernando, que fica em Trinidad. Mas, embora tenham feito boas amizades ali a duração foi de poucos dias pois a cidade não admitia que refugiados se instalassem lá. E assim tiveram que retornar novamente ao mar enfrentando tempestades e muitas e muitas ondas, até que chegaram a um lugar com muitos rochedos por causa dos ventos e ondas muitos fortes e tiveram que pular nas águas e nadarem até a ilha. O barco se desmanchou no atrito com as rochas. E o local se chamava Curação. 

Em Curação, eles foram presos pelo chefe de segurança da ilha até os libertarem para que eles comprassem um outro barco para irem embora. E assim o fizeram, com a ajuda do Dr. Naal, o primeiro que os ajudou. 

E tiveram que voltar novamente para o mar com direção a Honduras Britânica. E navegavam entre os perigos do mar até que novamente foram perseguidos e presos por soldados policiais territoriais de um lugar chamado Rio Hacha. Nessa prisão do Rio Hacha Papillon fica conhecendo Antônio, um colombiano o qual através dele conseguiram fugir depois de arrumarem uma serra e serrarem as grades da cela. Os outros amigos não quiseram ir. Antônio e Papillon andaram muito até determinado ponto e depois Antônio deixa Papillon seguir sozinho. 

Papillon anda, anda, até chegar em uma aldeia de índios. Lá é recebido por um cachorro que o morde forte. Com isso, uma jovem índia fica cuidando do ferimento da perna de Papillon, e os índios o aceitam bem na aldeia. Essa comunidade índia se chama Guajira. E a índia que cuidou dele se chama Lali. Logo adiante os dois tem um envolvimento amoroso e dormem sempre juntos na rede. E depois, a índia oferece também a sua irmã mais nova, para ficar com Papillon. Ele resiste porque ela era quase uma criança, mas depois de tanto desejo delas, Papillon também tem um envolvimento com Zoraima, a irmã de Lali. Desse relacionamento Zoraima fica grávida. Logo depois Lali também fica grávida de Papillon. 

Já fazia 6 meses que Papillon estava convivendo com os indígenas, mas Papillon tinha que continuar com os objetivos de seguir adiante para a Venezuela ou a Colômbia. Iria atrás dos inimigos que lhe fizeram mal de terem lhe condenado inocentemente. Mas Papillon prometera às duas irmãs índias que voltaria um dia. E foi emocionante a despedida onde todos pediam que ele ficasse. E quando Zato, o chefe da tribo perguntou: “Por que quer deixar os seus amigos”? Papillon respondeu: “Devo perseguir aqueles que me trataram como um animal. Graças à você eu pude viver feliz, comer bem, encontrei amigos nobres, mulheres que colocaram o sol dentro do meu peito. Mas isso não pode transformar um homem como eu num animal, capaz de, após encontrar um abrigo quente e bom, permanecer nele a vida toda, por medo do sofrimento que a luta costuma trazer. Vou enfrentar meus inimigos. Parto em busca de meu pai, que precisa de mim. Deixo aqui a minha alma, em minhas mulheres, Lali e Zoraima, deixo as crianças que são o fruto dessa união... se morrer no cumprimento do meu dever, terei morrido pensando em vocês, pensando em Lali, em Zoraima, nos meus filhos, e em todos os índios guajiros, que são a minha família. Aqui encontrei amor, paz, tranquilidade e nobreza. Adeus guajiros, índios selvagens da península colombo-venezuelana. A maneira selvagem de viver de vocês, a maneira como vocês se defendem, me ensinou uma coisa muito importante para o futuro: que é melhor ser um índio selvagem do que um literato transformado em juiz. Voltarei um dia, não há dúvida. Como? Não sei. Mas faço a mim mesmo a promessa de voltar”! 

Papillon, depois de andar um pouco, foi em um caminhão que ia para Santa Marta. Porém o motorista bebia muito e acabou errando o caminho, entrando em um caminho lamacento. Logo após, uma carroça que vinha com freiras e iria para perto de Santa Marta acabou dando carona para Papillon. Depois, uma delas disse que tinha visto uma foto de Papillon no jornal como foragido de Rio Hacha. Ainda assim o levaram para o convento onde ele poderia passar a noite antes de prosseguir. Porém no outro dia, alguém (Não se sabe quem) chamou a polícia sem que Papillon saiba e então ele foi levado para a prisão colombiana de Santa Marta onde estavam os velhos principais amigos de fuga franceses: Maturette e Clousiot. Papillon tinha quinhentas a seiscentas pérolas do mar que ganhou de Lali, a índia, mas foram subtraídas pela madre superior. 

O comandante da prisão de Santa Marta colocou Papillon em um calabouço de podridão (Prisão subterrânea) imundo com água suja, carangueijos, ratos. Aí veio o arrependimento por não ter valorizado o presente que Deus o havia dado, a liberdade na tribo, duas mulheres maravilhosas (As índias), a natureza, o sol, a praia, e como ele foi bem adotado pela tribo. 

Papillon tinha 36 moedas de ouro de 100 pesos que ganhara do chefe de uma tribo indígena. Dias depois Papillon fez uma proposta ao comandante da prisão; que se vendessem suas moedas, o comandante ganharia uma parte. E contou também das pérolas que ficaram com a ladra madre superior. Em troca, Papillon queria que o comandante o deixasse roubar um barco para a fugir dali. Daí o comandante mandou os policiais buscarem as pérolas. E aceitou o acordo, desde que chovesse para que ele pudesse provocar um curto-circuito para facilitar a fuga. Mas não choveu nesses dias até que chegou o dia em que eles foram transferidos para uma prisão que se chama “80” em Barranquilha e o comandante não teve como evitar. 

Em Barranquilha, por algumas vezes Papillon e seus companheiros tentaram fugir, mas acabou não dando certo. Uma vez, em uma determinada tentativa de fuga, Papillon ao pular do muro para uma rua de 9 metros abaixo do muro teve os dois pés quebrados e Clousiot quebrara a perna novamente. Com essa tentativa de fuga, Papillon foi espancado pelos soldados, só não sendo morto porque Don Gregorio, o comandante dessa prisão, o protegia. Depois disso, Papillon ainda tentou uma última fuga ali. Subornando um grupo de pessoas, ele pagou para que conseguissem tudo o que precisava para explodir o muro com dinamite. No entanto, a explosão não abriu o muro e ele se lamentou na luta pela liberdade! 

Papillon iria lutar por sua liberdade até o fim. E sentiu Deus lhe dizendo: “Você sofre e vai sofrer mais ainda, mas desta vez resolvi ficar com você. Você será livre, e vencerá. Prometo”! 

Papillon, ainda se recuperando dos pés, temia muito ser levado para a reclusão na ilha de Saint-Joseph, na Guiana Francesa (Apelidada por devoradora de homens) onde ninguém jamais conseguiu se evadir dela em 24 anos de sua existência. Porém, não teve jeito. O barco chegou para buscá-los e tiveram que partir para essa ilha, com os seus inseparáveis amigos de fuga, Clousiot e Maturette. 

Em Saint-Joseph, como castigo, eles teriam que cumprir 2 anos de pena dentro de uma cela (Solitária) por tentativa de evasão. E depois eles seriam’ mandados para a ilha da Salvação para o resto da vida. Nesta ilha de Saint-Joseph, na cela 234, Papillon, também chamado de Chèrrieri, para não ficar maluco, tentou viver se exercitando com curtos passos, para lá e para cá. Seriam 2 anos ou 730 dias dentro da solitária escura, cheia de centopéias, e sem poder falar nem com o guarda; uma tortura desumana! 

No dia 26 de junho de 1936, Papillon acaba de cumprir a sua pena de 2 anos na solitária e seus amigos também que estavam em outras celas. Saindo da sua cela ele se encontrou com os amigos Clousiot e Maturette, ambos também muito magros, e fisicamente “acabados”, tanto que Clousiot fora internado no hospital da ilha de Royale onde dias após morrera com apenas 32 anos. Todos estavam agora internados neste hospital de Royale para recuperação. 

Dias depois, recuperados, Maturette ficara ali nesse hospital trabalhando como enfermeiro-ajudante e Papillon tinha que cumprir a sua pena em liberdade limitada na área externa, ou seja, na ilha (Ilha da Salvação) e trabalhava pela manhã como limpador de latrinas (Banheiro, lugar para dejeções). O restante das horas vagas ele passava pescando. Nesta ilha era impossível qualquer fuga, porque além do mar ser infestado de tubarões, ainda tinha o risco de afogamento. 

Um dia Papillon fez amizade com um marceneiro, o Bourset que trabalhava em um jardim, e com isso ofereceu 2000 francos para que este construísse uma jangada de forma escondida. Ele aceitou. Papillon sempre desejou fugir; o seu pensamento desde o começo era sempre de fuga. E assim, durante quatro meses a jangada ia sendo feita às escondidas. No dia em que ela ficou pronta e a fuga seria durante a noite, apareceu um guarda com a arma apontada dizendo que eles estavam presos. Na realidade eles estavam sendo observados já há alguns dias onde Bérbet Celier, o vigia da oficina onde trabalhava o marceneiro, os tinha dedurado aos comandantes. 

Papillon desejou matar Bérbet Celier e aproveitou uma ocasião de acareação entre eles e mostrou-lhe a faca. Mas Bérber o atacou primeiro rasgando-lhe nos músculos. Em seguida Papillon enfiou-lhe a faca no peito e assim Bérber foi morto. 

Papillon, então, pegou 8 anos de reclusão dentro de uma cela por ter matado Bérber. Porém depois de 18 meses, apareceu um médico novato, o Dr. Germain Guibert que consultava os prisioneiros. Este parecia ser mais humano com os presos e fez com que houvesse a saída deles uma vez por semana durante 1 hora para banho de sol e de mar. Um dia, nestas saídas, Papillon vendo que uma garota se afogava no mar ele arriscou a sua própria vida para salvá-la. Como resultado, um mês depois o Dr. Germain Guibert obteve a suspensão de Papillon (Alegando falsamente motivos médicos) da pena de reclusão de 8 anos e este voltara a “ser livre” nos trabalhos forçados na ilha de Royale. 

Havia entre centenas de homens muitos assassinatos a facadas, as vezes por motivos fúteis. Um dia enfiaram a faca no coração de um amigo de Papillon, o Mathieu Carbonieri. Quando alguém morria era jogado ao mar para os tubarões que atacavam e comiam o morto em segundos. O mar era infestado de tubarões querendo se alimentar. 

Um dia Papillon resolveu se fazer de louco para poder ficar no asilo dos loucos, onde supunha ele, seria mais fácil para fugir. E o médico, consultando-o acreditou nessa loucura encaminhando-o para o asilo dos loucos. Nesse asilo, com a ajuda de um amigo, o Salvidia, eles arrumaram uns tonéis que esvaziaram, cordas para amarrá-los e farinha com açúcar. Mas, a fuga não deu certo pois as ondas eram tão fortes que os tonéis foram espatifados contra os rochedos. Felizmente Papillon fora salvo, mas seu amigo foi levado pelas ondas e morrera afogado. 

Tempos depois o médico encaminha Papillon para a Ilha do Diabo que é a menor das Ilhas da Salvação. Lá, Papillon passa o tempo todo estudando o mar, as marés, as ondas violentas nos rochedos; com a intenção de fuga. E um dia ele e mais um amigo, o Sylvian resolveram dar início à fuga. Assim, arrumaram duas jangadas com sacos de cocos e depois de já terem estudado bem o momento certo de entrar no mar, eles assim o fizeram e saíram as 19 horas da noite. E finalmente obtiveram êxito! 

Então, durante uns 3 dias seguiam no mar, em frio, em calor, em momentos difíceis. Mas quando, finalmente, já estavam chegando a 300 metros da mata, Sylvian desceu da jangada achando que podia seguir andando pela crosta seca. Porém, infelizmente, essa areia o afundava cada vez mais até ele ser enterrado pela areia. 

Assim, Papillon por três dias andava e acampava no mato e se alimentando dos cocos que ele tinha trazido consigo. Seu destino seria ir próximo do presídio de Kouron. Lá havia um detento chinês chamado Cuic-Cuic que esperava por ele para fugirem dessa ilha juntos. Foi através do negro Jean que Papillon fizera amizade pelo caminho que tudo fora planejado. Cuic-Cuic já tinha fugido da penitenciária e estava escondido em uma carvoaria, uma ilhota aonde ninguém ia pois era coberta por lama que afunda. Cuic-Cuic era um sujeito perigoso pois tinha assassinado três homens na floresta e estava incinerando (Queimando) eles no forno da carvoaria. 

Enfim, eles compraram um barco e saíram dessa ilha em direção ao mar. E assim fugiram Papillon, Cuic-Cuic e mais um detendo do local - o Maneta. Depois de viajarem uns dias Papillon ia se lembrando dos longos mais de 10 anos de trabalho forçado como prisioneiro das ilhas. E assim, chegaram em Georgetown, capital da Guiana Inglesa, e... livre... ele se sentia livre, pois era época de guerra e em época de guerra nenhum país devolvia os evadidos. 

Em Georgetown, Papillon tinha um endereço de um ex-detento francês, dado por um policial antes. E foram os três morar na casa desse detento - o Guittou, que fica em um bairro que se chama Penitence River e tinha muitos hindus. Dali começaram a trabalhar para ajudar nas despesas, comprando verduras e legumes do campo e revendendo na cidade. 

Papillon, que já era casado na França, acabou se envolvendo com Indara, uma bela hindu. E ele foi morar com ela. Trabalhava também como tatuador, uma de suas profissões. Depois comprou um restaurante de nome “Victory” e também trabalhou como caçador de borboletas raras para vendê-las. Depois, vendeu o restaurante e montou uma boate com o nome de “Casa de Bambu”. Trabalhava sempre com os amigos. Porém, um dia houve um problema na boate com um cliente e uma dançarina, o qual o cliente ficou muito nervoso e atirou na dançarina matando-a. Depois da confusão, a polícia acabou fechando a boate. 

Logo depois, Papillon, começou a cansar de Georgetown e resolveu com mais 4 amigos pegar um barco escondido e fugirem para outro País. Papillon deixara Indara a sofrer sem ao menos avisar. E voltou para o mar com os amigos! 

No mar, Papillon viu em outro barco uma bandeira muito bonita e cheia de estrelas. E ele disse: “Percebo uma bandeira que não é inglesa. Cheia de estrelas, muito bonita, eu nunca vi essa bandeira em minha vida. Mais tarde, essa bandeira vai ser a “minha bandeira”, a da minha nova pátria, para mim, o símbolo mais emocionante, o de ter, como todo homem normal, reunidos num pedaço de pano, as qualidades mais nobres de um grande povo, meu povo”! 
Obs: Assim, estudos dizem que essa bandeira poderia ser a “Bandeira do Brasil”, e que Papillon viera a se estabelecer definitivamente no Brasil!

Então, Papillon e os amigos, depois de sofrerem muito no mar com sede, fome e queimaduras do sol chegaram à Venezuela. Um grupo de pessoas aparentemente bem pobres, é que ficaram cuidando deles. Mas, depois de uns dias alguém avisou à polícia e eles foram capturados e levados para a colônia El Dorado, um campo forçado de trabalho onde a desumanidade e o horror predominavam de tal forma que matavam até com pauladas. Na época, esse sistema duro de longos anos era do ditador Gómez.

Então, nesse campo de trabalho forçado na Venezuela, eles colocaram o pequeno grupo como mão de obra e Papillon cuidava de uma horta. E ele ficou ali um tempo, até que houve um golpe de Estado que derrubou o presidente da República. E todos os oficiais foram substituídos. O diretor do presídio também fora substituído. E este novo diretor, o Coronel Francisco Bolagno Utreta colocara Papillon em liberdade. Era agosto de 1944 e Papillon tinha esperado 13 anos por esse dia. 

Assim, termina essa grande aventura. Houve uma amizade entre Papillon e o Coronel Francisco Bolagno Utreta. Papillon saiu, decentemente vestido graças ao coronel que lhe dera essas roupas. Apesar da sua alta posição na hierarquia militar o Coronel Francisco nunca deixou de testemunhar a sua fiel amizade por Papillon e o ajudar em tudo. 

Papillon sai para viver em Caracas, e disse para si mesmo que viveu uma vida de malandro e aventureiro, mas que daí em diante ele viveria corretamente. E um dia, quem sabe, contaria o restante das suas aventuras... 


Frases marcantes de Papillon ou Henri Charrière:

 • “Este filme, ao qual assisto sem querer, esta projeção de uma lanterna mágica iluminada contra minha vontade pelo meu subconsciente, enche de doce emoção esta noite de expectativa para o salto em direção ao grande desconhecido do futuro” (Papillon, Henri Charrière). 
• “Toco nele hoje, neste sol que se levanta para devorar aquilo que não tem força suficiente para suportá-lo. Toco realmente em Deus, sinto-o em volta de mim, dentro de mim” (Papillon, Henri Charrière). 
• “Absolutamente ninguém, nem os muros grossos, nem a distância em que se acha essa ilha perdida no atlântico, nada, absolutamente nada, coisa alguma de moral ou material impedirá minhas viagens deliciosamente coloridas pelo tom róseo da felicidade, quando decolo e voo para as estrelas”. (Papillon, Henri Charrière). 
• “Sou um homem livre, livre! Um calor sobe-me à garganta; acredito mesmo que lágrimas saem dos meus olhos. É verdade. Estou definitivamente livre”! (Papillon, Henri Charrrière).

Robin Hood (Howard Pyle)


Robin Hood, um rapaz que após matar um homem se vê obrigado a fugir para a floresta e se esconder dos guardas do rei, tornando-se um fora da lei. Em suas inúmeras aventuras e lutas, Robin conhece homens bons e corajosos que largam suas vidas para morar com ele na floresta de Sherwood. Esses homens tornam-se o bando de Robin, todos devem usar roupas verdes e serem alegres e hospitaleiros com quem passar pela floresta. 

O bando sobrevive com a caça dos cervos do rei e com o financiamento dos homens ricos da Inglaterra. Eles fazem festas em Sherwood e cobram pelo banquete e entretenimento que proporcionam. Com essas moedas, confiscadas dos nobres, o bando ajuda os camponeses da cidade, que na visão de Robin precisam de mais dinheiro que eles e que os nobres. 

Quem não fica contente as atitudes Robin Wood e seu bando é o xerife de Nottingham, que sempre tenta capturar e acabar com as festas dos homens alegres da floresta, no entanto, Robin e seu bando escapam de todas as armadilhas do xerife, deixando-o cada vez mais zangado.

 *** 

Tudo começa alguns anos antes do primeiro volume de Sobre Amor e Lobos, Locksley, quando John ainda é um homem casado e capitão da guarda de Nottingham, mas que, por algum motivo, sente um grande vazio no peito e, em vez de viver verdadeiramente, está apenas acostumado a uma rotina enfadonha. 

Seu relacionamento com a esposa, Mary, é frio, sem qualquer sentimento de qualquer uma das partes, o que, ao menos é o que me parece, é mais culpa dela do que dele, que não faz o menor esforço para ser uma pessoa agradável e afasta a todos com seu jeito. Isso faz com que John a tire do castelo e viva com os filhos em uma casa numa região afastada da cidade. No entanto, ele continua visitando a mulher e os filhos e cuidando deles com dedicação. Aliás, os filhos são a única coisa boa resultante dessa união. 

Apesar da fachada de frieza, John é um homem atraente e que desperta o interesse de muitas jovens. E a nobre mais importante da cidade (ao menos é a impressão que eu tive), fiel aos princípios que regem o amor cortês, decide que é injusto que alguém como ele fique preso a uma vida sem paixão, sem desejo, sem fogo, quando existem tantas mulheres que dariam tudo para ter ao menos uma noite nos braços do belo capitão. Começa então a criar estratagemas para mudar esse quadro, o que não deixa John lá muito feliz. 

E é em meio a isso que seu caminho se cruza com o de Elizabeth, que vem para tirá-lo do marasmo e da rotina de vez. Esses dois não são fáceis e passam por muita coisa antes de admitir o que sentem. É um verdadeiro jogo de gato e rato. Eles constantemente tomam atitudes que enfurecem um ao outro e, algumas vezes, arrumam formas não muito inteligentes de se “vingar”. 

Uma dessas ocasiões acaba resultando numa situação bastante complicada que eles precisam resolver juntos. É quando o convívio aumenta e a tentação se torna grande demais para que consigam resistir por muito tempo. Assim, depois de passarem pela provação, eventualmente, eles acabam se rendendo à paixão e ficam juntos para sempre.

O Gladiador (Bem Kane)


 Obs: Baseado no filme. 

Nos dias finais do Reinado de Marcus Aurelius, Cézar ao pressentir que estava prestes a morrer pede a Maximus comandante do exército romano, que se torne protetor de Roma, para devolver o poder ao povo e acabar com a corrupção. Quando Commodus filho de Cézar recebe a notícia pelo seu pai fica indignado e o sufoca até a morte. Assume a coroa e ordena a morte de Maximus que consegue fugir e passa a se esconder como um escravo e gladiador do Império Romano. 

Os gladiadores eram homens que entravam na arena para morrer e dar espetáculo ao público. Quando se apresentavam na arena diante do Imperador e todo o povo diziam: "Aqueles que vão morrer os saúdam." 

Quando Maximus, que ganhou o apelido de espanhol pela multidão e os outros escravos entraram para fazer uma recriação da queda da segunda Cartágo, em vez de serem derrotados como conta a história ganharam e Commodus quis conhecer o gladiador Espanhol. 

 Diante da resistência do escravo em revelar seu nome este ordena que tire o capacete e diga o seu nome. Então o gladiador tira o capacete e responde: "Meu nome é Máximus Décimus Meridius", comandante dos exércitos do norte, general da legião fênix, servo do verdadeiro imperador Marcus Aurelius, pai de um filho assassinado e marido de uma esposa assassinada e terei a minha vingança nesta vida ou na próxima". A vontade de Commudus é matá-lo, mas Maximus é salvo pela multidão que grita em coro do Coliseu inteiro "vivo""vivo""vivo""vivo"! 

A irmã de Commudus Lucila com quem Maximus havia tido um romance anteriormente visita-o na prisão e oferece ajuda, mas Maximus rejeita acusando-a de não ter evitado o assassinato de seu filho e sua mulher. Então ela vai embora aborrecida, mas continua disposta a ajudá-lo. 

Maximus tem alguns companheiros que o ajudam e um em especial para qual ele conta sobre a saudade da sua família. Em uma dessas conversas ele diz à Maximus "Você tem um grande nome; ele precisa (Commodus) matar seu nome antes de matar você". 

Eles lutam juntos e a cada batalha que Maximus vence torna-se mais importante que o Imperador de Roma. Maximus recebe o apoio do Senador e aceita a ajuda de Lucila a qual o Imperador tem um amor incestuoso pela irmã, fazendo-a viver sobre pressão e medo, principalmente quando este insinua fazer alguma maldade com o filho dela Lucius. 

Commodus desafia Maximus para a arena, mas antes o apunhá-lo pelas costas ele manda um dos seus soldados consertar a armadura e esconder a ferida que havia feito para levar vantagem. 

Maximus começa perdendo e tonto devido ao ferimento, recupera -se e quebra a cara de Commudus cravando-lhe o próprio punhal do Imperador no pescoço do covarde. Antes de se despedir Maximus pede a Quintos que liberte seus homens e reintegre o Senador Gracco ao poder. 

Enfim o Gladiador morre nos braços de Lucila dizendo: "Lucius está salvo". E vai se encontrar à sua família no outro lado da vida”!

Diário de uma escrava (Rô Mierling)


A história é centrada em Estevão, um psicopata e em Laura, uma moça sonhadora, com um belo caminho pela frente, uma família amorosa e um namorado apaixonado, o Mauro. Toda essa realidade muda quando ela é raptada por Estevão. 

Estevão é casado, trabalhador e vai à igreja, uma fachada perfeita para encobrir o psicopata que habita nele. Então Laura é levada e jogada em um buraco feito pelo psicopata em um sítio isolado que ele tinha afastado. A esposa de Estevão morava na casa da cidade e o psicopata depois do casamento com ela ficava cada vez mais no sítio onde ele passava a maioria do tempo cavando o buraco para a “sua vítima”. 

Laura narra toda a experiência dia-a-dia como se fosse um diário relembrando sua vida fora dali, seus sonhos e sua vida simples. O livro começa com Laura já com 4 anos de cativeiro e seu desejo de vingança e fuga ainda fixos na sua mente. Depois toda a violência e humilhação que ela começa a enfrentar diariamente ela torna-se “escrava” desse homem, que aparentemente tem uma vida normal com família e esposa, mas que em seu íntimo esconde fantasias e desejos extremamente violentos.

Em alguns momentos, ela tenta escapar, mas teme o que poderá encontrar lá fora. Essa situação vai acabando com suas forças, com suas resistências e sanidades. Ela não sabe como lidar com um homem tão violento e ao mesmo tempo que se diz tão "apaixonado", que cuida dela, dando banho, trocando sua roupa, dando comida e dizendo que a ama, mas ao mesmo tempo a mantêm presa, estuprando-a, espancando-a, humilhando-a. Estevão, o psicopata, vê em Laura seu objeto de desejo sexual e mais tarde passa a vê-la como sua “esposa”. Em alguns momentos ela resiste, é agressiva, em outras fica apática; já em outras ocasiões ela tenta se mostrar receptiva por temer o que ele continuará fazendo e até onde ir aquilo tudo. 

Laura, apesar de mantida viva pelo “Ogro”, apelido que ela dá ao seu sequestrador pelas semelhanças com um animal, continua a ser estuprada constantemente, além de continuar sofrendo violências físicas e psicológicas de todas as formas. 

Como todo maníaco, Estevão não tem limites e ao longo do tempo vai acumulando vítimas e atrocidades. Ele se realiza raptando adolescentes e submetendo-as com as piores torturas. Laura não fora a primeira nem será a última, mas ela ainda não sabe disso, e vai descobrindo aos poucos, da pior forma possível. 

Com os desaparecimentos de meninas por volta dos 15 anos, as notícias estavam pela cidade. Com medo de ser descoberto pela polícia, Estevão tirou Laura do buraco e forçou-a a viajar com ele para uma cidade mais distante, onde viveriam como “marido e mulher”, deixando-a dentro da casa e não mais dentro do buraco. 

Porém, logo que se estabeleceram em uma casinha simples e afastada, Estevão tratou de cavar mais um buraco ao fundo de um quarto para continuar a praticar o que fazia antes, porém com outras vítimas. Por onde passa Estevão destrói sonhos e devasta famílias, muito naturalmente e sem nenhum tipo de culpa ou remorso. 

Com o passar do tempo percebemos algumas mudanças em Laura que luta para manter viva a memória daqueles que deixou para trás, alheia ao fato de que a liberdade parece cada dia mais distante. 

Um dia Laura conseguiu fugir da casa e pegou uma carona para a cidade. Mas logo ao chegar viu seu antigo amor, o Mauro, feliz com uma esposa e uma filha. Laura desabou de tristeza. Quando se acalmou ela logo foi a um telefone público e tentou falar com a sua família. Seu pai atendeu o telefone, mas ao ouvir ela dizendo que era Laura, a filha desaparecida, seu pai simplesmente a ignorou desligando o telefone em sua cara por achar que era mais um trote que ele sempre recebia.

Foi nesse momento que Laura chorou muito e teve uma surpreendente atitude. Ao invés de continuar fugindo ela simplesmente voltou para o casebre para ficar junto do seu “esposo”, o “Ogro” Estevão. Laura sentiu que apesar de tudo o que viveu ele era o único que se importava com ela, que cuidava dela. Então, não tinha como voltar mais para a sua família, onde seria vista como alguém assombrosa... 

A partir daí Laura começou a agir da forma que lhe foi ensinada, ficando mais próxima agora do agressor, já que sentia por ele uma certa gratidão pois imaginava que ninguém mais no mundo a queria, nem mesmo os seus pais. 

Obs: A psicologia costuma chamar esse comportamento de "Síndrome de Estocolmo" quando a vítima se apaixona, ou se sente ligada de alguma forma ao agressor. 

A partir de então, com essa mudança em Laura ela começou a viver em parceria de crimes com Estevão. E os dois saíam sempre a caça de alguma garotinha para levar para o buraco, onde estupradas acabavam morrendo ali mesmo. 

E os acontecimentos continuavam com as meninas desaparecidas. E várias meninas morreram nas mãos do psicopata, estupradas e assassinadas, inclusive uma menina de 12 anos. 

No entanto as fontes da polícia já estavam investigando o caso e procurando o maníaco. 

Mas enfim, chegou o grande dia: Quando Estevão estava fora de casa fazendo compras em um supermercado, alguém reconheceu o retrato falado e o carro dele informando logo a polícia. Sendo assim, ele foi pego de surpresa sem ter como reagir a esta situação. A polícia atirou várias vezes em sua cabeça e ele caiu ali jorrando sangue enquanto ia indo em direção ao carro. Dentro do carro onde Laura estava ela conseguiu sair sorrateiramente e se infiltrar na mata por onde ela conseguiu escapar.

E assim termina a vida de um psicopata que destruiu muitas vidas!

Eneida (Virgílio)


A Eneida narra a viagem que o herói troiano Eneias leva a cabo desde sua cidade, destruída pelos gregos, até a Itália e a posterior luta e vitória sobre os povos itálicos, o que supõe o estabelecimento na Itália de Eneias e de seus descendentes, que serão os fundadores de Roma. 

Narrativa: 

Depois de seis anos de viagem, a deusa Juno perturba com uma tormenta a navegação dos troianos, que a duras penas conseguem desembarcar na Líbia. Ali Eneias se dirige à cidade de Cartago, e Dido, a rainha cartaginense, convida o herói a um banquete. 

Dido apaixonada por causa de um arranjo de Cupido, pede que Eneias trame a queda de Troia e a sua posterior vida errante. Depois da narração da Guerra de Troia de Eneias, os amantes se entregam à paixão, mas o deus Mercúrio recorda a Eneias a necessidade de partir em direção à Itália, já que os deuses esperam que sua descendência seja a fundadora do grande império que Roma deverá ser. 

Eneias prepara a frota e abandona Dido, que se suicida depois de amaldiçoar os troianos e anunciar-lhes a eterna inimizade de Cartago. Dessa maneira, Virgílio explica, por meio da lenda, a origem da fundação histórica de Roma, as guerras que aconteceram entre cartagineses e romanos no século III a.C. 


O mundo dos mortos 

Eneias visita o mundo dos mortos e fala com alguns defuntos, que lhe narram o episódio da queda de Troia; também vê a rainha Dido e Ascânio, seu pai, que diz o futuro. 

As armas divinas de Eneias 

Eneias retoma e junto com seus companheiros se aproxima do rio Tíber, no centro da Itália, futuro berço de Roma. Ali, o rei Latino os acolhe benevolamente, pois reconhece em Eneias o genro estrangeiro que os dados haviam previsto. Mas sua mulher, a rainha Amata, se opõe que sua filha Lavínia se case com um forasteiro, pois ela já está prometida a Tumo, rei dos rútulos, uma das tribos que habitam a região. 

Tumo reúne seus homens e sai em combate contra os forasteiros. Eneias volta então ao Tiber e chega a Palanteia, pequeno povoado de pastores estabelecido no ponto exato em que mais tarde Roma será erguida. 

Acompanhado por Evandro, rei de Palanteia, visita lugares que se tomarão famosos e faz com Evandro uma aliança para lutar contra Tumo e os rútulos. A deusa Vénus, mãe de Eneias, passa a Vulcano, deus do fogo e da forja, as armas que ele deverá entregar a seu filho para enfrentar os inimigos. 

Niso e Euríalo 

O exército dos rútulos cerca o acampamento dos troianos, que esperam o retomo de Eneias. Dois jovens amigos, Niso e Euríalo, partem valentemente para avisar Eneias, mas são surpreendidos pelo inimigo e, depois de massacrar muitos deles, morrem por causa da superioridade numérica dos rútulos, o que deixa o acampamento troiano desesperado. 

No final, Eneias chega com os seus aliados e a batalha acontece. Ao amanhecer, celebra-se uma trégua para que os mortos sejam enterrados. Para evitar que haja mais mortos e feridos, Tumo propõe um duelo final com Eneias; quem vencer se casará com Lavínia. 

O poema termina com a narração do duelo: nele, Eneias derruba seu adversário, que suplica piedade, mas Eneias, ao lembrar os desmandos de Tumo, acaba com ele.

Nas montanhas da loucura (H.P. Lovecraft)


Nas montanhas da loucura (H.P. Lovecraft) Um grupo de exploradores científicos parte do continente americano e vão para as geleiras antárticas para tentarem descobrir fatos sobre a vida naquele gelado território e outras coisas mais. Porém, a exploração debanda para um lado nunca antes explorado pelo ser humano e dão de cara com uma cadeia de montanhas enormes. E, praticamente aos pés desta aterrorizadora barreira, é descoberta uma caverna que esconde seres nunca antes vistos pela humanidade. 

O protagonista é chamado para estar naquele local para se utilizarem de seus conhecimentos geológicos, e ele corre para o local com sua equipe, mas chega tarde demais. O local está devastado e a curiosidade e o senso investigativo os instigam a tentar passar pelas montanhas enormes e tentar desvendar este mistério de uma vez por todas. Entretanto, pior do que isso, será tentar manter a sanidade em meio a este suspense. 

 **** 

Nas primeiras páginas do livro, a missão da Universidade Miskatonic à Antártida é descrita pelo narrador, o pesquisador William Dyer, com detalhes. Ainda na primeira parte, um grupo de exploradores de vanguarda, liderados por Professor Lake, relata a descoberta de uma cadeia montanhosa mais alta que o Himalaia, cheia de cavernas, onde eles encontram uma espécie desconhecida, com asas, tentáculos e vários olhos. 

Os diferentes grupos de pesquisadores, que se separam pelo continente gelado, se locomovem por aviões e se comunicam através de mensagens telegráficas por rádio. Quando o professor Dyer, deixa de receber mensagens do grupo de Lake, ele resolve se deslocar até o acampamento do colega para ver o que aconteceu. 

A segunda e terceira partes mostram a exploração de Dyer à cadeia de montanhas descritas por Lake. E essa parte considerável da história é utilizada para explicar como os Anciões (Old Ones) colonizaram a Terra, com a ajuda de seres que eles escravizaram os Shoggoths. E depois, com a chegada da prole de Cthulhu e os MiGo, e como os Anciões foram pouco a pouco sendo exterminados e encurralados no sul do planeta. 


Sobre o livro: 

O livro é escrito de maneira autobiográfica, relatando as experiências do explorador nesta confusão misteriosa. Entretanto, como o personagem é um homem da ciência, ele é bem descritivo sobre as coisas que encontra e fica prometendo e prometendo sobre descobertas aterrorizantes, e isso vai elevando a sua expectativa tremendamente até o seu chocante final. E para homens que, de repente, se deparam com o até então inimaginável, é uma experiência totalmente fora da curva. 

E vemos aqui o começo de influências em questão de roteiros e design que seriam trazidos a vida em outras obras da cultura pop, como explorações que dão errado como a franquia Alien, com King Kong, e monstros com desenhos parecidos como as máquinas de Matrix e os alienígenas de A Chegada. Com certeza, vale a sua leitura, para conhecer mais do universo inominável de Howard Philips Lovecraft.

No ar rarefeito (Jon Krakauer)


Contratado pela revista “Outside” para fazer uma reportagem a respeito da crescente comercialização da montanha, Krakauer, um alpinista experiente, foi ao Himalaia como cliente de Rob Hall, o guia de alta montanha mais respeitado do mundo. Nascido na Nova Zelândia, 35 anos, Rob Hall escalou o Everest quatro vezes entre 1990 e 1995, e nesse período levou 39 pessoas até o topo. Em 1996, subindo a montanha ao lado do grupo de Hall havia uma outra expedição, guiada por Scott Fischer, um americano de força e determinação lendárias que em 1994 alcançou o pico sem oxigênio suplementar. 

Nos anos 70, o famoso alpinista tirolês Reinhold Messner surgiu como o principal proponente da escalada sem oxigênio suplementar, declarando que ou escalava o Everest "da forma correta" ou não escalava, e pronto. Pouco depois disso, ele e seu velho parceiro, o austríaco Peter Habeler, surpreenderam a comunidade internacional de alpinistas cumprindo a promessa: às 13h 00 do dia 8 de maio de 1978 eles chegaram ao cume pela trilha do colo sul e da crista sudeste sem usar oxigênio suplementar. O feito foi saudado em alguns círculos de alpinistas como a primeira verdadeira escalada do Everest.

 *** *** 

O Jornalista Krakauer relata a tragédia que abalou a história do alpinismo no Himalaia quando quase uma dezena de pessoas morreram ao tentar atingir o cume do Everest, graças a decisões equivocadas tomadas exclusivamente por razões financeiras, sem levar em conta o rigor do clima a mais de 8 mil metros de altitude. 

O objetivo era a maior montanha de todas, o Everest. Os escaladores não eram experientes; eram pessoas que queriam apenas atingir o topo do mundo. Mas o clima não foi favorável. 

No começo da tarde do dia 10 de maio de 1996, Jon Krakauer alcançou o cume do Everest, a 8.848 metros de altitude. Ele não dormia há mais de 56 horas e estava zonzo pela falta de oxigênio. 

No caminho da volta para começar a longa e perigosa descida, outras 20 pessoas ainda se arrastavam em direção ao topo. Ninguém percebera que o tempo ameaçava piorar. Seis horas depois, à mil metros abaixo e exposto a um vento terrível, Krakauer finalmente chegou a sua barraca e ali se estatelou, congelando, sofrendo alucinações advindas da exaustão e da hipoxia. Mas estava vivo e salvo! 

Na manhã seguinte Krakauer ficou sabendo que 6 de seus companheiros de escalada não tinham conseguido voltar ao acampamento e que tentaram desesperadamente sobreviver debaixo da tempestade. Mas quando o tempo por fim melhorou, ficara sabendo que 5 desses companheiros estavam mortos e o sexto tinha as mãos e o rosto quase completamente comprometidos pelo congelamento. 

Enfim, depois dessa grande tragédia Krakauer conta toda a história, inclusive relatando vários casos de outros alpinistas que tentaram escalar a montanha. Krakauer faz uma reflexão sobre o encanto avassalador que o Everest exerce sobre as pessoas - inclusive ele mesmo -, levando-as a arriscar a vida, a ignorar os temores dos entes queridos e se aventurar numa tarefa duríssima e caríssima. 

A história é contada com emoção, e por alguns momentos até nos sentimos envolvidos como se ali estivéssemos próximos dos acontecimentos. Um exemplo é o caso do sherpa Ngawang que em alta altitude teve um edema pulmonar com sangramentos e que uma luta muito grande pela equipe médica se travara para tentar salvá-lo. Mas o sherpa acabara morrendo mais para frente pelas sequelas ocorridas. 

Outros casos também foram relatados por Krakauer como o da socialite Sandy Hill Pittman a qual chamava muita atenção por suas extravagâncias em levar tudo que tinha direito para a montanha: Iguarias finíssimas, televisão portátil, vídeo cassete, ou seja, cheia de estilo.

“Nas seis semanas anteriores antes das mortes já tinha havido uma série de acidentes sérios: a queda de Tenzing numa greta antes mesmo de ter chegado ao acampamento-base; o edema pulmonar de Ngawang Topche e a subsequente deterioração de seu estado; um alpinista inglês jovem e aparentemente em forma, chamado Ginge Fullen tivera um sério ataque cardíaco perto do topo da cascata de gelo; um dinamarquês chamado Kim Sejberg fora atingido por um serac na cascata de gelo  e quebrara várias costelas. Só que até aquele momento ninguém tinha morrido, ainda”. “

"O alpinismo costuma atrair homens e mulheres que não abandonam seu objetivo com facilidade. Para chegar tão longe, é preciso obstinação. Infelizmente, o tipo de pessoa que é programada para ignorar desconfortos físicos e para continuar avançando rumo ao topo também é, com frequência, programada para ignorar os sinais de perigo iminente e grave. Aí está o nó do dilema que todo alpinista no Everest acaba tendo que enfrentar: para ter sucesso, você precisa estar bastante motivado, mas, se a motivação for excessiva, é provável que você morra”. 

“Tinha que me lembrar, a todo momento, que havia 2133 metros de céu de ambos os lados, que ali era tudo ou nada, que eu pagaria com a própria vida por um único passo mal dado”. 

“E aí me vi no topo de uma cunha delgada de gelo, adornada com um cilindro usado de oxigênio e uma surrada vara de medição de alumínio, sem ter mais o que subir. Uma fileira de bandeirinhas budistas agitavam-se ao vento com fúria. Chegar ao topo do Everest supostamente desencadeia uma onda de intensa alegria; apesar de todos os pesares, eu atingira uma meta cobiçada desde a infância. Porém o topo era, na verdade, apenas a metade do caminho. Qualquer impulso que eu pudesse ter sentido de autocongratulação foi eliminado de imediato pela apreensão horrenda que eu sentia diante da longa e perigosa descida que tinha pela frente”.

O piloto Adams, mais tarde explicara para Krakauer: “Quando você vê um cúmulo-nimbo do avião", explicou ele, "sua primeira reação é dar o fora dali o mais rápido possível”! Porém Krakauer quando ainda estava descendo a montanha, como não estava acostumado a olhar por cima os cúmulos-nimbos começou a descer a montanha ignorando a tempestade que naquela altura estava se formando. 

“A luz do dia estava sumindo, o tempo piorando, minhas reservas de força estavam quase no fim. Ainda assim não tive nenhum pressentimento de que havia uma catástrofe se aproximando”. 

Krakauer estava acabando de voltar às barracas do acampamento 4 quando “naquele brevíssimo período de tempo a tempestade se convertera repentinamente em um furacão de extrema violência”. Grãos de neve e gelo, açulados pelo vento, batiam no rosto dos alpinistas com força violentíssima, machucando-lhes os olhos e tornando impossível enxergar por onde estavam indo. "Estava tão difícil e penoso"! 

Com a tempestade, Krakauer muito esgotado já estava a salvo na barraca, porém um grupo de alpinistas ainda estava preso na montanha. 

"O vento estava tremendo, com força balística", ele conta. "A neve levantada pelo vento parecia um jato de areia ou algo assim”.

“A essa altura ninguém conseguia sair para ir resgatar os alpinistas, uns doentes, outros muito debilitados, outros com medo de ajudar. Foi então que Boukreev, um guia Russo resolveu sair sozinho bravamente na tempestade em busca de todo o grupo. Não encontrara ninguém. Voltou ao acampamento para obter mais indicações de outros e saiu novamente à procura. Foi então que encontrou os alpinistas deitados no gelo sem movimentos”. 

O vento continuava feroz — forte o bastante para me derrubar várias vezes”. Assim Jon Kraukeur saíra no outro dia a procura de seu amigo Andy Harris (Guia da Nova Zelândia), o qual não voltara pois havia morrido. Outros como Beck Wheathers (Cliente dos EUA), Doug Hansen (Cliente dos EUA) e Rob Hall (Nova Zelândia) também morreram. A esposa de Rob estava grávida de uma menina e antes de morrer Rob pediu à ela que colocasse o nome dela de Sara. Yasuko Namba (Cliente do Japão) de 47 anos, a mais velha do mundo a escalar o Everest e Beck Wheathers (Cliente dos EUA) foram deixados pela equipe de resgate sob a neve mas ainda estavam respirando. A tentativa de resgate colocaria em vida os outros alpinistas. 

Scott Fischer (EUA, líder da expedição da Mountain Madness, um americano de força e determinação lendárias que em 1994 alcançou o pico sem oxigênio suplementar) atingira o cume mas estava muito debilitado. Ao lado de seu fiel e sidar sherpa Lopsang Jangbu, Scott Fischer tentava descer a montanha debaixo da tempestade com raios mas não conseguia mais andar. Lopsang, muito cansado, não tendo forças para carregar Scott Fischer teve que deixar o amigo há 365 metros acima do colo sul e descer para pedir ajuda. Porém quando alguns sherpas foram auxiliá-lo Scotty já estava morto. Os que tinham sobrevivido estavam em estado de choque, cegos, fracos, sem falas, congelados, com hipotermia, com delírios, etc.. Mais adiante Lopsang que voltara ao Everest novamente acabara morrendo também engolido por uma avalanche. Especula-se que Fischer tenha sofrido de uma forma avançada do mal de altitude, desencadeando um edema cerebral ou pulmonar. Foi construído um memorial para Scott Fischer, que pode ser encontrada no topo de uma colina chamada Dugla Pass, perto da aldeia de Dugla, na trilha para o acampamento base do Everest.

Yasuko Namba, a mulher japonesa de 47 anos acabara também morrendo. E Beck Wheathers (Aquele que estava quase morto debaixo da neve) impressionantemente conseguiu se reerguer sozinho e conseguiu chegar nas barracas andando. Depois disso a equipe chamou o helicóptero para levar ele e Makalu Gau Ming-Ho (Líder Tawan) ao hospital, pois ambos não conseguiam nem andar. Beck teve o braço direito amputado por causa da necrose por congelamento e todos os dedos da sua mão esquerda foram removidos, além do nariz amputado. 

Neal Beidleman (Guia dos EUA) voltou a escalar o pico do everest em abril de 2011. Em 1997, Anatoli Boukreev (Guia da Rússia) morreu em uma avalanche enquanto escalava o Himalaia. 

Heróis sonhadores que deliram com o Everest precisam ter em mente que, quando as coisas dão errado acima da zona da morte - e mais cedo ou mais tarde elas sempre dão -, nem o melhor guia do mundo consegue salvar a vida de um cliente; na realidade, como ficou provado com os acontecimentos de 1996, os melhores guias do mundo às vezes são impotentes para salvar até sua própria vida. Falhar, no Everest, faz parte da natureza dos sistemas, e de forma violenta.. 


Mensagem de um sherpa colocada na internet em 1996 

Sou um órfão sherpa. Meu pai morreu na cascata de gelo do Khumbu enquanto transportava carga para uma expedição, no final dos anos 60. Minha mãe morreu logo abaixo de Pheriche, quando seu coração acabou cedendo sob o peso da carga que levava para uma outra expedição, em 1970. Três de meus irmãos morreram de causas variadas, minha irmã e eu fomos mandados para casas de adoção, na Europa e nos Estados Unidos. Nunca mais voltei à minha terra natal porque acho que está amaldiçoada. Meus ancestrais chegaram à região do Khumbu fugindo de perseguições nas terras baixas. Ali encontraram um santuário, à sombra do "Sagarmathaji", "deusa mãe da terra". Em troca, meu povo deveria proteger o santuário dos estranhos. 

Porém, eles foram pelo caminho oposto. Ajudaram os estranhos a encontrarem um caminho até o santuário e violar cada membro de seu corpo, ao se postarem em cima da deusa, bradando vitória, sujando e poluindo seu seio. Alguns se sacrificaram, outros escaparam por um triz ou ofereceram outras vidas em seu lugar. [...] 

Portanto, acredito que até os sherpas são responsáveis pela tragédia de 1996 em "Sagarmatha". Não lamento nunca mais ter voltado, porque sei que o povo da região está condenado, assim como estão aqueles ricos e arrogantes forasteiros que acham que podem conquistar o mundo. Lembrem-se do Titanic. Até mesmo o que não poderia ser afundado afundou, e o que são tolos mortais como Weathers, Pittman, Fischer, Lopsang, Tenzing, Messner, Bonington perante a "Deusa Mãe"? Como tal, jurei nunca mais regressar e participar desse sacrilégio.

Sorte, um caso de estupro (Alice Sebold)


Alice Sebold cresceu no subúrbio de Filadélfia e estudou na Great Valley High School, na Pensilvânia. Em seguida, matriculou-se na Universidade de Syracuse e quando estava terminando seu primeiro ano, foi estuprada um dia a noite pelo jovem negro Gregory Madison, enquanto voltava para casa, em um parque perto do campus. 

Alice passou por momentos difíceis ao lado desse jovem e teve que se submeter a coisas humilhantes pelo medo de morrer. Ela era virgem e perdera a virgindade com esse estupro! 

Alice volta para a Pensilvânia no dia 9 de maio de 1981. Quando retorna à Universidade de Syracuse no outono, um dia ela vê o réu na rua, e ele se aproxima dela e diz: "Ei, menina, eu não conheço você de algum lugar?" Ela corre e chama a polícia. Alice já tinha entrado na justiça contra Madison.

No dia 18 de novembro, Gail (Promotora) redigiu um memorando para os arquivos. Ela o pôs no correio no dia vinte e três. “Não há dúvida de que isso foi um estupro. A vítima era virgem e o hímen estava rompido em dois lugares. Os resultados dos exames laboratoriais revelam sêmen, e o relatório médico revela contusões e lacerações”. 

Foram feitos exames. A “amostra de pelos sabidamente pertencentes a Gregory Madison” e os pelos pubianos negróides retirados de Alice Sebold, em maio de 1981" já haviam sido comparados. O laboratório descobriu que, nos dezessete pontos de comparação microscópica, os pelos haviam correspondido em todos os dezessete. Havia uma impressão digital parcial na arma (Faca) encontrada na cena do crime, mas os detalhes dos sulcos eram insuficientes para estabelecer uma comparação. O laboratório informa que eles não podem determinar o tipo sanguíneo a partir do sêmen porque este está manchado demais com o sangue dela. 

Alice voltou para casa, na Pensilvânia, para o Dia de Ação de Graças. Um dia depois de voltar para Syracuse de ônibus, havia uma carta esperando por ela no alojamento: “Em relação ao seu pedido", dizia um trecho dela, "esta é para informá-la que o réu acima indicado por uma legenda foi condenado pelo grande júri”. 

O julgamento parecia iminente. Poderia acontecer a qualquer momento. No dia 4 de dezembro enquanto Alice estava em aula Madison deu entrada em seu recurso junto ao Juiz da Corte Suprema WalterT. Gorman. Madison se dizia inocente da acusação por oito crimes. Uma audiência pré-julgamento foi marcada para o dia 9 de dezembro. Paquette, que representava Madison, reconheceu uma condenação por pequeno roubo "em algum lugar do passado". O Estado não sabia o bastante para contradizê-lo, e a ficha juvenil de Madison não podia ser considerada. 

Quando Gorman pediu ao promotor público assistente Plochocki, que representava o Estado se ele tinha algo a dizer sobre fiança, Plochocki disse: “Juiz, eu não tenho o arquivo”! Assim, a fiança foi estabelecida em cinco mil dólares. Equivocadamente, Alice se alegrara imaginando que seu agressor passaria o Natal e o Ano Novo na cadeia. 

A cidade de Syracuse marcou o julgamento no tribunal para começar no dia 17 de maio. 

O advogado de Madison, Paquette, tentou a todo custo com muitas e muitas perguntas com pormenores detalhes deixar Alice Sebold confusa. Mas ela soube se sobressair muito bem porque simplesmente falava a verdade. 

E o julgamento se estendeu até 13 de julho de 1982 quando no tribunal com a presença do promotor público de Alice (Mastine), Paquette (Advogado de defesa de Madison) e Madison, Gregory Madison foi sentenciado. Era a pena máxima para estupro e atentado violento ao pudor: de oito anos e quatro meses a vinte e cinco anos. As sentenças maiores, junto com as menores provenientes das quatro acusações restantes, correriam simultaneamente. 

Após a formatura de Alice em Syracuse, Sebold foi para a Universidade de Houston, no Texas para o ensino de pós-graduação, o qual ela não completou, devido ao envolvimento com drogas que ela tivera. Então, ela se mudou para Manhattan e lá viveu por 10 anos, onde realizou diversos trabalhos, inclusive como garçonete e tentou prosseguir a sua carreira de escritora. Sebold queria escrever a sua história através da poesia, mas as tentativas fracassavam. 

Sebold deixou a cidade e se mudou para o Sul da Califórnia, onde se tornou zeladora de uma colônia de artes, vivendo em uma cabana na floresta, sem eletricidade. Ela escrevia com o auxílio de uma lâmpada a gás. Novamente Sebold iniciou nova pós-graduação, desta vez na Universidade da Califórnia. Lá ela começou a escrever sua história. 

Depois de "Sorte", Sebold publicou, em 2002, o best-seller "Uma vida interrompida". O livro é um romance sobre uma menina de 14 anos que é assassinada pelo vizinho. O personagem principal conta sua história do céu, olhando para baixo quando sua família tenta lidar com a morte dela e enquanto seu assassino escapa da polícia. Este romance foi adaptado para um filme de 2009, de Peter Jackson, chamado "Um olhar do Paraíso". Enquanto Alice trabalhava em "Uma vida interrompida", ela conheceu o marido Glen David Gold, na faculdade, que enfim se tornou o homem que mais amou entre outros que ela tinha conhecido.

O Livreiro de Cabul (Asne Seierstad)


O livro remete às crônicas de viagem do século XIX, pois traz seu quinhão de pitoresco e exótico na narrativa do cotidiano de uma família afegã, mas sem cair na esteriotipação que nasce dos preconceitos. Asne é uma estrangeira em meio a uma cultura mal-compreendida e estranha ao ocidente, por isso o encanto e a surpresa do olhar forasteiro estão lá, mas ela se permite viver a rotina de seus anfitriões e olhá-los com o máximo de isenção, sem contudo perder o calor da tão buscada “humanização da notícia”. 

A jornalista norueguesa Asne Seierstad conheceu Sultan Khan em Cabul, em novembro de 2001, após a queda do Regime Taliban. Depois de passar seis semanas nas montanhas de Hindu Kush, ao lado de comandantes da Aliança do Norte, dormindo no chão e viajando a pé, a cavalo e na boleia de caminhões, foi um alívio conhecê-lo e poder relaxar e conversar sobre literatura. Livreiro proeminente, pertencente a chamada classe média local, Sultan Khan havia sido preso, teve sua livraria destruída e diversas obras queimadas por comunistas, por mujahedins e pelo taliban. Em todas as ocasiões, se recuperou e seguiu em frente, alimentando o desejo de ser útil a seu país através do desenvolvimento da literatura. 

Convidada a jantar em sua casa, a autora pôde conhecer sua família: mãe, esposa, filhos, irmãos e sobrinhos, que dividiam um apartamento de quatro cômodos em uma região que ainda se recuperava dos horrores da guerra. Apesar do ambiente descontraído, as mulheres pouco falavam, o que instigou sua curiosidade. Teve então a ideia de escrever um livro sobre esta família – se não pobre, como a maioria das outras, ainda assim pode-se dizer que típica, por estar impregnada dos costumes e das crenças vigentes. 

Admitida de boa vontade como hóspede, passou três meses observando a rotina de Sultan e suas duas esposas, a madura Sharifa e a jovem Sonya, de 16 anos; seus filhos Mansur, Aimal e Eqbal, que trabalhavam 12 horas por dia nas livrarias do pai e não podiam ir à escola; suas filhas Shabnam e Latifa, sua mãe Bibi Gul, seus irmãos Yunus, Shakila, Bulbula e Leila, e seu sobrinho Fazil. 

Ela acordava pela manhã, entrava na fila para o banheiro, tomava o café, usava a burca para sair. Com os homens viajou, e acompanhou-os eventualmente à livraria. Com as mulheres foi a casamentos, a visitas, às compras, acompanhou seus afazeres domésticos. De todos ouviu relatos e queixas sobre seus sonhos, expectativas e frustrações a respeito de suas vidas particulares e a esperança de tempos melhores, entre guerras de tribos locais e as imposições de um chefe de família que, embora sendo letrado e denominar-se liberal, se impunha soberano sobre o destino dos membros da família. 

Sem esconder a opressão vivida pelas mulheres afegãs durante o governo do talibã, tema largamente explorado na literatura e amplamente mostrado na mídia, ela investe em esmiuçar outro ângulo da mesma questão, revelando que as relações de gênero no Afeganistão são bem mais complexas do que sonha a vã filosofia maniqueísta da cultura ocidental. Os homens de lá também vivem oprimidos, tanto por regimes que cerceiam as liberdades civis, quanto pelo peso da tradição cultural.

O médico e o monstro (Robert Louis Stevenson)


Utterson era um sujeito tranquilo, de respeito, além de um competente advogado. Sua integridade era notória e seus hábitos, louváveis. Mas era, como qualquer um, movido por curiosidades. E uma das que mais lhe incomodava era o testamento de seu cliente e amigo, Dr. Henry Jekyll.
Havia um tal Sr. Hyde na vida do médico, um sujeito que, estranhamente, era herdeiro de Jekyll, ainda que não tivessem nenhum parentesco, ainda que Utterson jamais tivesse visto o amigo acompanhado desse tal Hyde. E o advogado ouvira bastante sobre esse misterioso homem.

Os relatos das atrocidades provocadas pelo Sr. Hyde parecia aumentar. A princípio, uma crueldade "leve", a ponto de escandalizar um grupo de pessoas, mas não o suficiente para torná-lo perigoso aos olhos da cidade. No entanto, suas atitudes tornavam-se cada vez mais sádicas, como se um monstro sem moral e limite aflorasse noite após noite, provocando dor e crime sem nenhum resquício de remorso na manhã seguinte.
Utterson ficava cada vez mais curioso a respeito dessa estranha relação entre o médico e um desconhecido com má fama. Havia algo naquela história que o incomodava e, seguindo seus instintos, decidiu que era hora de descobrir. E era nas respostas que o terror se abrigava, longe da luz e de qualquer bondade que o coração humano pudesse sentir.
   
Dr. Jekyll era, na verdade, o próprio Dr. Hyde. A história em si é famosa, quando as pessoas usam a expressão "médico e monstro" ao se referir a alguém de personalidade dupla, uma boazinha e outra horrenda. Hyde era o monstro.
Utterson, no entanto, precisava chegar a essa informação por conta própria e, ao receber Poole, o criado do seu amigo, pôde perceber que a situação estava cada vez pior. Ao que parecia, ninguém na casa de Jekyll queria aproximar-se do patrão.

 "- Agora caminhe o mais silenciosamente possível - disse Poole - é necessário que o senhor ouça sem, contudo, ser pressentido. E, se ele o convidar a entrar, não o faça, em absoluto."

Utterson, depois de muita dificuldade, obteve documentos que resolveriam todo o mistério. Dr. Hery Jekyll desenvolvera uma droga capaz de transformar um homem, literalmente. Não apenas sua personalidade, como seu próprio corpo sofria drásticas mudanças. A transformação era dolorosa, mas ao fim dela, a sensação era libertadora. A nova personalidade era desprovida de moral, de senso ou limite. Era capaz de fazer tudo o que queria, até mesmo sentir prazer em causar sofrimento.
À princípio, segundo o diário de Jekyll, o experimento era maravilhoso. Durante a noite, transformava-se em Hyde e vivia uma vida sem barreiras ou peso de consciência. Era apenas ele e suas vontades. Mas o controle de uso da droga fora negligenciado. Logo, Hyde tornou-se a mente dominante e, para manter viva a aparência e sanidade de Jekyll, era preciso tomar os remédios. O médico fora substituído pelo monstro e, para mantê-lo latente, a droga era, agora, uma necessidade.
O fim, como toda história de terror, não tem um final feliz, mas é de longe um fim trágico. Acho que podemos dizer que a história termina com um grande nevoeiro e sombras ao pé da escada, e ninguém nunca saberá o que há por trás disso.



Resumo por capítulos: 

Capítulo 1: A história começa em um domingo, com o advogado Mr. Utterson e seu amigo Enfield caminhando pelas ruas de Londres. Enfield, em certo ponto da caminhada, aponta para uma porta e pergunta se Utterson conhecia o local. Utterson diz que não e Enfield conta que certa madrugada de inverno, presenciou uma garotinha sendo pisoteada ali perto. Após agarrarem o pisoteador, calmo e frio diante da multidão que se formou, e exigirem reparação, ele entrou por aquela porta e voltou com moedas de ouro e um cheque cuja conta pertencia a um cavaleiro de prestígio da cidade. Pensaram que o cheque era falsificado, mas aguardaram o banco abrir e descobriram que o cheque tinha fundos e o malfeitor podia ser libertado. O fato levou-os a pensar que o cheque tivesse sido obtido por meio de chantagem. Utterson fica sabendo que Hyde era o nome da pessoa que tinha a chave daquela porta e Enfield já havia visto-o entrar outras vezes lá. Os dois selaram um pacto, de não falarem mais sobre o assunto. Há a descrição de Utterson. 

Capítulo 2: Naquela noite, Utterson, advogado, analisou o testamento do Dr. Henry Jekyll, manuscrito, que estava guardado em seu cofre. O testamento deixava claro que Hyde era o beneficiário dos bens do médico cientista em caso de desaparecimento ou ausência inexplicável. Pensando na história contada por Enfield, fica preocupado e decide fazer uma visita ao ex-colega de escola e grande amigo, Dr. Lanyon, para tentar entender por que Hyde está incluído no testamento. Lanyon, afastado de Jekyll há quase uma década, por achar que o médico assumiu uma postura que não o agrada, não ajuda. Utterson vigia a porta por alguns dias, encontra Hyde e conversam. Utterson como Enfield tem sensação ruim e teme pela vida de Jekyll. Utterson vai à casa de Jekyll, o mordomo Poole diz que Jekyll não está, mas confirma para Utterson que o Sr. Hide tem a chave da edícula dos fundos e que todos os criados são orientados a obedecê-lo. Utterson sai convencido de que Jekyll está sendo chantageado por Hyde, talvez por coisas que tenha feito no passado. Utterson sai preocupado com Jekyll. 

Capítulo 3: Duas semanas depois, Jekyll convida alguns amigos para jantar e entre eles, Utterson, que é o último convidado a ir embora e aproveita para perguntar a Jekyll sobre o testamento e desaprovar os termos do documento, pois soube algumas coisas sobre Hyde. Jekyll fica pálido ao ouvir o nome de Hyde e diz que sua relação com Hyde é estranha e dolorosa. Utterson insiste, e Jekyll diz que pode se livrar de Hyde quando quiser e Utterson não deve se preocupar mais. Assegurou-se de que os termos do testamento serão respeitados e conclui que apenas se faça a justiça, se for necessário. 

Capítulo 4: Quase um ano se passa, numa noite de outubro, há o assassinato de Sir Danvers Carew, respeitado cavalheiro londrino, presenciado por uma empregada que reconheceu o Mr. Hyde como o assassino. A empregada desmaiou ao presenciar a agressão. No bolso da vítima, a polícia encontrou uma carta endereçada ao advogado Utterson, que, chamado, identificou a vítima. Utterson reconheceu uma bengala quebrada, que foi usada como a arma do crime, pertencendo ao Dr. Jekyll. Utterson leva os policiais até à casa de Hyde e a revistam. Percebem que o mesmo saiu às pressas e atrás de uma porta encontram a outra metade da bengala usada no crime. O inspetor quis colocar cartazes de “PROCURADO” pela cidade, com o rosto de Hyde estampado neles, mas descobre ser impossível pois Hyde nunca fora fotografado e as pessoas que o viram são incapazes de descrevê-lo.

Capítulo 5: Mr. Utterson (O advogado) é recebido por Poole (mordomo) na casa de Dr Jekyll e é levado ao laboratório do lado de fora da casa e encontram Jekyll doente. Utterson quer saber se Jekyll esconde Hyde e este garante que nunca mais colocou ou colocará os olhos nele. Utterson continua preocupado com os termos do testamento e o que podem representar para a segurança de Jekyll. Utterson parte levando o bilhete que recebeu de Jekyll, escrito supostamente por Hyde, dizendo que não mais causará problemas ao doutor. Ao chegar em casa, Utterson mostra o bilhete ao seu contador e especialista em grafologia, Mr Guest. Este acha que o bilhete foi escrito de modo estranho. Nesse momento, um empregado traz um convite de Jekyll para Utterson. Analisando e comparando ambas as caligrafias, Guest conclui que são similares, com pontos em comum, mas com inclinação oposta. Após ficar sozinho, Utterson guarda o bilhete no cofre, certo de que seu amigo Jekyll forjou o bilhete para encobrir Edward Hyde. 

Capítulo 6: Ninguém deu a Scotland Yard informações sobre o assassinato de Carew. Hyde nunca mais foi visto. Jekyll, saudável, voltou a receber os amigos. De uma hora para outra, Poole impede Utterson de visitar Jekyll. Utterson preocupado com a saúde de Jekyll, resolve visitar o Dr Lanyon, mas este está doente, em profundo estado de terror e diz que nunca mais quer ouvir falar de Jekyll e que o considera morto. Em casa, escreve uma carta a Jekyll querendo saber o que houve entre os dois ex colegas. No dia seguinte, a resposta de Jekyll, em forma de carta enigmática, vem afirmando que também não quer ver Lanyon nunca mais. Lanyon morre três semanas depois e Utterson recebe uma carta com dois envelopes, sendo instruído a abrí-la após a morte ou desaparecimento de Henry Jekyll. Fiel ao pedido, coloca o envelope no cofre. A partir desse terceiro dia, tenta reencontrar Jekyll mas o mordomo Poole não permite sua entrada à casa. Jekyll está vivendo sozinho em seu laboratório e não quer ver ninguém. 

Capítulo 7: É domingo e o advogado Mr. Utterson e seu amigo Enfield estão caminhando pelas ruas de Londres. Eles passam novamente pela porta de Hyde (Aquela que haviam combinado de nunca mais falar) e voltam a falar sobre Hyde e a repulsa que se sente ao olhar para ele. Ambos decidem virar a esquina e tentar conversar com Jekyll. O encontro dos três é bastante DRAMÁTICO: Jekyll à janela, doentio e desanimado, diz aos dois que sente que sua morte está próxima e que será um grande alívio para ele mesmo. Recusa-se a caminhar com os dois e diz aos dois que os convidaria a subir, se não fosse a desorganização. Após dar um rápido sorriso aos amigos, muda sua fisionomia e sua face torna-se aterrorizada e desesperada, o que deixa os observadores assustados. Jekyll fecha a janela violentamente e os dois vãos embora pálidos e perturbados. 

Capitulo 8: Mr. Utterson estava sentado junto à lareira certa noite após o jantar quando foi surpreendido pela visita de Poole. 
     "- Agora caminhe o mais silenciosamente possível - disse Poole - é necessário que o senhor ouça sem, contudo, ser pressentido. E, se ele o convidar a entrar, não o faça, em absoluto."

Capítulo 9: Segundo Lanyon escreve, Jekyll mandou a ele uma carta pedindo-lhe o favor de ir à sua casa, entrar no laboratório e pegar todo o conteúdo de uma determinada gaveta. Depois Lanyon deveria levar tudo para a casa dele e entregar a uma pessoa que iria buscar. Contrariado, Lanyon fez o favor a Jekyll. Um homem pequeno, deformado, usando roupas que ficavam muito grandes para ele foi à casa de Lanyon buscar o conteúdo da gaveta. Pegou o frasco e perguntou se Lanyon queria ver o que iria acontecer. Amedrontado, mas curioso aceitou ver. Ao beber a poção, a figura deformada deu um grito, contorceu-se e seu corpo como se derreteu, dando lugar a figura esguia e alta que Lanyon reconheceu ser Henry Jekyll. Presenciar a transformação e ouvir os relatos de Jekyll fizeram que Lanyon ficasse totalmente descrente da medicina, da humanidade e de seus conhecimentos científicos. A criatura que havia entrado em sua casa era Edward Hide, o assassino de Sir Carew, e se transformara em Jekyll. 

Capítulo 10: Em um relato em primeira pessoa, Jekyll fala de sua infância, de como se tornou um médico famoso, distinto e de suas primeiras experiências tentando estudar a natureza dual do ser humano. Jekyll afirma que estudou e refletiu muito antes de começar seus primeiros experimentos. Ele diz ter tomado a poção pela primeira vez e ter experimentado a sensação de ser uma pessoa totalmente má. Ele afirma que ao olhar-se no espelho, sua aparência física ficou mudada. Ao voltar a ser Jekyll, ele passa a sentir necessidade de tomar novamente a poção, para viver a liberdade de ser outra pessoa, de estar no corpo de Hyde, pois este era jovem e vigoroso. Jekyll sentia que mesmo que Hyde fizesse coisas erradas, ele estaria isento de culpa, já que eram pessoas diferentes. Aos poucos, a transformação em Hyde passou a fugir do controle do médico e Jekyll começou a temer o contato com as pessoas e a possibilidade de ferí-las sem querer, caso se transformasse em Hyde subitamente. Jekyll afirma que tentou abandonar Hyde após descobrir que havia assassinado uma pessoa, mas não conseguiu manter sua decisão. Hyde começou a lutar para assumir a vida de Jekyll. Certo dia, mesmo sem tomar a poção, transformou-se em Hyde e teve de pedir ao amigo Lanyon para ir ao laboratório pegar o antídoto. Naquela noite, Lanyon presenciou a transformação de Hyde em Jekyll, e isso foi demais para o amigo, que veio a falecer. Jekyll não era mais capaz de controlar Hyde, que assumia seu corpo quando bem quisesse. Assim, Jekyll planeja eliminar Hyde da maneira mais drástica possível: Suicídio!

As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley)


Brumas de Avalon (The Mists of Avalon) (1979) é uma obra escrita em quatro volumes. O ambiente da história reporta-nos á lendária vida do Rei Arthur e seus 12 cavaleiros da Távola Redonda, que no final do século V expulsaram os saxões da região. 

Avalon é uma ilha lendária situada, acreditam os arqueólogos, na cidade de Glastonbury, na planície de Somerset, sudoeste da Inglaterra e a 150 quilómetros da sua capital, Londres. A origem do seu nome é celta – abal – que significa maçã. Avalon foi palco do nascimento da religião da Deusa-Mãe, cuja continuidade foi posta em causa pelos Saxões. Estes varriam o país matando igualmente cristãos e seguidores da deusa de Avalon. Se um grande líder não unisse cristãos e pagãos, a Bretanha estaria condenada ao barbarismo e Avalon ao desaparecimento. Lá viviam os seres elementais, como fadas, ninfas e elfos, além das sacerdotisas da Lua e aprendizes dos mistérios e forças da natureza. Era magicamente iluminada pelo Sol e densas brumas obscureciam o caminho até ela, onde tudo florescia, e só quem bem conhecia os caminhos da magia era capaz de vencer as suas brumas.

Viviane era, por essa altura, a grã-sacerdotisa de Avalon e passou a visar apenas um objetivo: salvar Avalon dos saxões. Ela teve uma visão na qual o rei morreria em 6 meses sem deixar herdeiros. Viviane comunica então a Igraine sua irmã que ela irá gerar este líder, mas não com o Duque Gorlois seu marido, mas sim com um homem que usa o símbolo do dragão e que é um seguidor da deusa, o rei Uther Pedragon. Igraine que também era seguidora da antiga religião e praticante secreta da antiga magia não vê com bons olhos esta ideia. 

Viviane planeja salvar Avalon através da unção e treino da sua sobrinha, Morgana, filha de Igraine e Gorlois, como sua sucessora, manipulando a linhagem real para gerar Arthur, um rei que abraçará tanto as crenças pagãs quanto o cristianismo. Desta forma Avalon seria salva, pois, a ilha é o centro pagão do poder e um mundo místico invisível. Porém, conforme o cristianismo avança pela Inglaterra e mais pessoas se afastam da Deusa, esse reino misterioso torna-se difícil de alcançar até mesmo para os que têm fé. E a ambiciosa Morgause, que era irmã de Igraine, empenhava-se em frustrar os seus planos. Viviane tem um temperamento determinado e boas intenções, mas comete um erro que atingirá Morgana pessoalmente e afetará toda a Bretanha. 

O que Igraine desconhece é que o rei Uther Pedragon se apaixona por ela e pede secretamente ao mago Merlin, sábio personagem que teve origem na magia dos druidas, bruxos dos celtas, para ter uma noite com ela. Merlin o fez, por poucas horas, à imagem e semelhança de Gorlois. E então gerou Artur. 

Mais tarde os dois meio-irmãos inseparáveis foram separados: Morgana para ser educada como sacerdotisa foi entregue a Viviane e Artur partiu para junto de Merlin para ser educado por ele. Pedragon morreu uma década e meia depois, deixando o país sem rei. Nesta condição, Merlin propôs que quem conseguisse possuir Excalibur, uma espada com poderes mágicos cravada numa rocha, seria o novo rei. Arthur conseguiu possuí-la. 

Depois de revelada a sua filiação, mergulhou em batalhas pela unificação do país, com ajuda dos 12 cavaleiros da Távola Redonda, reinando com nobreza espiritual, amor cortês e justiça, cuja história está também ligada à busca do Santo Graal. Mais tarde casou com a princesa Guinevere, com a qual não teve filhos. Ela apaixonou-se por Lancelot, o melhor e mais fiel cavaleiro de Arthur, com quem foge quando o rei estava em Roma. Mordred, filho de Morgana, concebido num ritual de fecundidade que acontecia entre as sacerdotisas de Avalon, planeia por esta altura usurpar o trono do rei Artur. Neste ritual, homem e mulher desconheciam a identidade um do outro. Ela deitar-se-ia pela primeira vez com um homem escolhido, aquele que matasse o lobo numa importante caçada. Era conhecida como a cerimónia do Gamo Rei. Assim e entre irmãos, conceberam Mordred. 

Artur retorna de Roma e mata Mordred, mas é também mortalmente ferido. Arthur foi levado por sua irmã Morgana para o lago, onde através dos poderes que a deusa havia lhe dado poderia retornar a Avalon, já que ela desprezou a deusa. No caminho, ela foi recusada e a única forma de eles retornarem a Avalon era Arthur devolver a Excalibur ao lago onde quem habitava era a deusa. Arthur não resistiu á viagem e morreu, mas existem lendas que dizem que ele só está adormecido, esperando para voltar num futuro próximo. Segundo consta a lenda, Avalon é o lugar onde está enterrado o corpo do Rei Artur. Uma tradição milenar relata também que está em Glastonbury o Poço do Cálice Sagrado, onde José de Arimatéia, amigo e protetor de Cristo, no ano 37 d.C., teria escondido o Santo Graal, o cálice da Santa Ceia, contendo o sangue de Jesus Cristo.