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Lion, uma jornada para casa (Saroo Brierley)


História Real 

Um menino indiano vivia em um bairro muito pobre em Ginestlay, um vilarejo na Índia junto com sua mãe Kamla e seus irmãos Guddu, Kallu e a irmãzinha Shekila. 

Seus irmãos tinham que sair todos os dias para conseguirem alimentos para sobreviverem, enquanto a mãe tinha que trabalhar duro em uma obra para conseguir manter a casa sozinha já que seu marido a tinha abandonado juntamente com as crianças. 

Um dia, aos 5 anos, o menino indiano saiu com seu irmão mais velho Guddu para “Berampur” para procurarem comida, mas ao descerem do trem que haviam pegado, Guddu pediu que o irmão o esperasse quietinho na plataforma enquanto ele fosse buscar algum alimento. 

Porém o cansaço fizera com que o menino indiano pegasse no sono. Ao acordar o garotinho não via Guddu e a estação estava deserta. Então ele viu um trem parado e resolveu esperar o irmão ali dentro de um vagão isolado de pessoas onde lhe parecia mais seguro. 

Dentro do trem o menino pegara no sono novamente e dormiu um tempo. Só depois quando acordou percebeu que o trem estava em movimento pelos trilhos. O garoto fez uma viagem muito longa pelo trem e só quando finalmente depois de chegar ao seu destino final em Calcutá (Posteriormente Kolkata) uma das cidades mais perigosas do mundo, o garoto conseguiu pular para a plataforma de embarque. Enfim ele estava livre depois de ter passado por momentos de terror e gritos sem que ninguém o escutasse dentro do trem. 

Do lado de fora a multidão que passava não lhe dava a mínima atenção, até que o garoto resolveu pegar outro trem com a intenção de tentar encontrar o caminho de volta. 

Mas como não encontrava ele continuou a entrar em outro e em outro trem na esperança de voltar para “Berampur” como ele pronunciava. Nisso fazia várias viagens de ida e volta. Nas ruas de Calcutá o garoto passava fome em lugares nojentos e malcheirosos onde tinha visto até corpos mortos assassinados a luz do dia no meio dos entulhos. Nas ruas sofria perseguições e ainda assim conseguia fugir dos perigos passando por labirintos, vielas, ruas repletas de veículos, carroças puxadas por bois, vacas, etc... Nisso ficou sobrevivendo por algumas semanas. 

Um dia diante de uma loja a espera de restos de comida apareceu um rapaz adolescente que começou a conversar com o garoto e ao saber da sua história o levou para sua casa por alguns dias e depois o levou para uma delegacia onde o garoto poderia ser ajudado. De lá o menino foi mandado para a Casa Liluah, uma casa para menores e posteriormente para um orfanato. 

Aconteceu um dia que um casal australiano de sobrenome Brierley quis adotar o garoto indiano e então ele foi levado pela família dos Brierleys para Hobart que é a capital e maior cidade do estado australiano da Tasmânia. Assim o menino que dizia se chamar Saroo se tornou “Saroo Brierley”. Quando Saroo tinha 10 anos, os Brierleys adotaram mais uma criança da Índia, o garotinho de 9 anos, Mantosh. 

Os anos se passaram, mas Saroo nunca havia esquecido suas origens. Sempre que podia ele ficava nos mapas procurando alguma pista, até que resolveu usar a ferramenta da internet Google Earth. Mas ainda assim não conseguia encontrar nada. 

Com o passar de mais um tempo, Saroo sempre insistindo nisso, até obcecado com essa ideia de encontrar a sua família, passava horas na internet para ver se encontrava a sua cidade natal, até que depois de bastante tempo ele mesmo conseguiu visualizar através do Google Earth uma região que lhe veio à lembrança. E enfim, Saroo conseguiu encontrar a sua cidade na Índia. Descobriu que “Berampur” era na verdade “Burhanpur” e “Genestlay” era “Ganesh Talai”. 

E assim, depois de meses a jornada para casa acontecia. Saroo muito apreensivo voltou à India e reencontrou a sua família. Sua mãe ainda morava no vilarejo. Foi uma aglomeração de gente que deu até mídia na televisão pelo caso do menino perdido. 

Sua mãe ficara muito feliz ao reencontrá-lo e lhe contou que achava que ele tinha morrido naquele dia em que sumiu já que seu irmão Guddu que o tinha levado para a estação naquele dia sofrera um acidente de trem e tinha morrido de forma horrível aos 14 anos de idade. Saroo ficou bem triste com isso pois esperava encontrar o irmão em vida. Saroo agora tinha 30 anos, Kallu, seu irmão 33 e Shekila, a irmã, 27. Seus irmãos Kallu já estava casado e com filhos e sua irmã Shekila também casada e com filhos. Saroo ficou muito feliz por saber que já tinha até sobrinhos. 

Saroo também descobriu com sua mãe que seu nome de batismo na verdade era “Sheru” e não Saroo como mencionava erradamente quando criança. Mas agora já era Saroo: Saroo Brierley! 

E Saroo, enfim, teve uma maravilhosa experiência pessoal com o seu passado agora presente. A jornada para casa foi tão satisfeita por ele a ponto de que ao voltar para a Austrália, depois de um certo tempo ele retornou novamente à passeio para a Índia ao encontro de sua família. 

Saroo também quis entender como foi sua viagem de trem aos 5 anos, com isso retornou ao trem fazendo a viagem para tentar rever as suas recordações. Também foi até Kolkata (Antiga Calcutá) visitar a Senhora Saroj Sood que nesse ano atual já estava com 80 anos. Ela trabalhava ainda na ISSA, a entidade que ajudava a fazer as adoções e foi responsável por ajudar Saroo a encontrar a família adotiva na Austrália. Depois visitara alguns locais e se lembrara de um mendigo que o salvou aos 5 anos por duas vezes quando ele tentou nadar no rio que quase o afogou. Lembrou também do adolescente que foi o primeiro a dar início ao processo de ajudar o menino a sair das ruas. Em silencio Saroo os agradeceu! 

Finalmente, depois que Saroo reviu seu passado era hora de voltar para casa. E Saroo termina o livro com agradecimentos às suas duas famílias que ele teve a sorte de ter tido, mas como cidadão disse que tinha vivido quase toda a sua vida na Austrália e que não era mais indiano. Mas que de qualquer forma jamais iria romper a ligação com a sua família indiana. 

Fim 


Minhas emoções de leitora: 


Em relação aos seus pais Brierleys: “Na primeira vez em que Saroo Brierley voltou à India, logo depois que estivera junto com a sua família de sangue ao retornar para o hotel, a primeira coisa que fez foi enviar essa mensagem abaixo aos seus pais da Austrália: “Minha mãe agradeceu a vocês, mamãe e papai, por terem me criado. Meu irmão, minha irmã e minha mãe compreendem que você e o papai são minha família, e não querem se intrometer de maneira nenhuma. Estão felizes simplesmente por saberem que estou vivo, e isso é tudo o que querem. Espero que vocês saibam que estão em primeiro lugar no meu coração e que isso nunca vai mudar. Amo vocês”! 


Em relação à sua mãe de sangue: “Uma das coisas mais tocantes que minha mãe me disse foi que, se eu algum dia quisesse voltar e viver na Índia, ela construiria uma casa para mim, depois trabalharia duro para que eu fosse feliz. Claro, minha intenção era o oposto disso: eu queria dar uma casa a ela e dar tudo de mim para fazê-la feliz”.

Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse, Amanhecer (Stephenie Meyer)

Crepúsculo 

Isabella Swan, 17 anos, nunca havia vivido grandes emoções em sua vida. Sendo uma jovem extremamente responsável, tímida e introspectiva, decide mudar-se da calorosa cidade de Phoenix, no Arizona, para a chuvosa Forks, uma pequena cidade no interior de Washington, depois que sua mãe decide casar-se novamente. É ali que Bella irá morar com seu pai, Charlie, e é em sua nova escola que conhece os Cullen, cinco intrigantes jovens de uma beleza desumana. É neste mistério que caracteriza a família, que Bella se vê atraída pelo misterioso Edward Cullen, jovem pálido e de cabelos cor de bronze que mostrará um novo universo a Bella, transformando completamente o rumo da sua vida. Edward trata-se de um vampiro, que acaba por se apaixonar por Bella enquanto controla e resiste a um dos seus maiores desejos - provar o sangue de Bella que, segundo ele, exala o odor mais atrativo que já sentiu. No entanto, ao contrário dos outros vampiros, os Cullen optam por só se alimentar de sangue animal. Edward vem de uma família de vampiros que se diz "vegetariana" por não ingerir sangue de pessoas, mas apenas de animais. 

É então que James, um vampiro obcecado por caçadas - que, juntamente com o seu grupo composto por ele, Victoria e Laurent foi o culpado de inexplicáveis homicídios -, se determina a matar Bella, uma vez que não resiste ao cheiro do seu sangue. Ela despede-se de Charlie e vai para Phoenix - tudo muito cuidadosamente para não serem rastreados por James. 

Bella vai com Alice e Jasper para Phoenix, enquanto Rosalie e Esme ficam para despistar Victoria (a vampira que acompanhava James) e Carlisle, Emmett e Edward vão atrás deste, para tentar matá-lo. Enquanto Bella está em Phoenix, Alice tem uma visão com a casa da mãe de Bella e o estúdio de balé onde Bella tinha aulas com 7/8 anos. Bella, sem que eles percebam, recebe um telefonema que a faz pensar que o inimigo capturou a sua mãe, e isso faz com que ela fuja para ir ao encontro de James. A fuga acontece no aeroporto, enquanto Bella, Alice e Jasper esperam por Edward e Carlisle. Ela vai ao encontro de James. James, que por sua vez não havia capturado a mãe de Bella, a tortura e por pouco não a mata. James a morde, mas Edward aparece para salvar Bella. Enquanto Edward trava uma luta mortal com James, Bella fica inconsciente e começa a se transformar em vampira. Quando ela acorda, está no hospital e Edward conta que teve que sugar o veneno de seu sangue, e que se fosse um pouco mais tarde agora ela seria um deles. Porém, Bella deseja tornar-se uma vampira para viver a eternidade com Edward, mas ele se recusa a transformá-la. 

Lua Nova 

É 13 de Setembro, um dos dias mais temidos por Bella, por ser seu aniversário. Ela detesta este dia porque completa 18 anos e será sempre mais velha que Edward. Contra a sua vontade, Alice Cullen prepara uma festa surpresa. Ao abrir um presente, Bella corta-se acidentalmente com o papel e Jasper, o vampiro com mais dificuldade em se conter ao cheiro de sangue, não consegue evitar e tenta atacá-la. É por esse motivo que Edward e sua família vão embora de Forks; ele teme que esteja colocando a vida dela em perigo. Bella entra em uma depressão profunda por vários meses depois que ele parte, até que ela desenvolve uma forte amizade com Jacob Black, que mais tarde se revela um lobisomem. Jacob e os outros lobisomens de sua vila devem protegê-la de Victoria, uma vampira má que pretende se vingar de Edward matando Bella, por ele ter acabado com James. 

Com os acontecimentos, descobre que quando está em perigo, ou quando sente adrenalina, escuta a voz de Edward, que ela julga ser uma alucinação, falando dentro de sua cabeça. Para nunca esquecer a voz dele, envolve-se em perigosas atividades, como pilotar motos. Procurando pelo perigo, Bella se atira de um penhasco e quase se afoga no mar, mas é salva por Jacob. Alice vê Bella atirar-se do penhasco e Edward pensa que Bella está realmente morta. Desesperado, ele decide então acabar com sua existência, apelando para os Volturi, um grupo que representa espécie de "realeza" entre os vampiros e aplica "leis" para manter sua espécie em segredo. Ele vai à Volterra, Itália, procurando pelos Volturi, mas Bella o detém. 

Eles se encontram com os Volturi antes de retornarem para Forks e Aro, seu líder, demonstra um interesse especial em Bella por ter sua alma impenetrável e, considerando que seu conhecimento sobre os vampiros pode colocar sua espécie em perigo, exige que ela seja morta ou transformada em vampira também. 

Eclipse 

Em Eclipse, Bella se vê em uma decisão um tanto difícil: escolher seu amigo e lobo Jacob Black ou seu namorado-vampiro Edward Cullen para passar o resto de sua vida. Ambos estão em constantes discussões, por causa de Bella ou porque os vampiros e os lobos são inimigos mortais desde sempre.

Estranhas mortes acontecem em Seattle, uma cidade perto de Forks, e os Cullen acreditam ser causadas por um exército de vampiros "recém-criados". Edward Cullen está mais alerta que nunca com relação à segurança de Isabella Swan. Enquanto os Cullen vêem este problema como uma desculpa para receberem uma visita dos Volturi, Bella preocupa-se mais em escolher entre a sua amizade com Jacob Black (permanecendo humana, mas entregue ao castigo dos Volturi por ser a única humana a saber sobre a existência de vampiros) e o amor que sente por Edward (sendo transformada numa vampira). Sabe que se fosse transformada iria originar uma batalha entre lobisomens e vampiros, já que os Cullen haviam se comprometido com eles a não morder nenhum ser humano, pondo a sua nova família e os seus antigos amigos em risco. 

Bella desconfia de que Victoria é a criadora dos novos-vampiros e, posteriormente, descobre que estava certa. Edward pede Bella em casamento, e Bella aceita. O próprio Edward acha que não merece Bella, mas no fim Bella escolhe ele e, com apenas 18 anos, fica noiva no fim do livro. Uma batalha para proteger a adolescente começa. Os lobisomens aliam-se aos Cullen e Victoria é morta. Os Volturi aparecem e Carlisle garante para eles que a transformação de Bella em uma vampira aconteceria em breve. 

Amanhecer 

Bella e Edward se casam e passam a lua-de-mel em uma ilha do Atlântico, próxima ao Rio de Janeiro, mas eles voltam repentinamente, pois Bella descobre que está grávida. Edward tem medo de que a criatura mate Bella, e não quer que o bebê nasça. Ela, no entanto, quer ter o filho. Então pede ajuda a Rosalie e ela cuida para que ninguém ousa abortar o bebê de Bella durante a gravidez. O bebê representa uma "ameaça" para os Lobisomens, pois não sabem que criatura irá nascer e que tipo de perigo representa. A alcateia planeja destruí-la antes que ela nasça, e consequentemente, Bella morra. Jacob não aceita isso e fica contra a alcateia. O bebê acaba por machucar Bella apenas por se mexer, a medida que a gestação avança, e logo os Cullen descobrem que devem alimentar Bella com sangue para que a criança se alimente e não a mate, e ela segue a instrução. A gestação dura pouquíssimo tempo, a criança nasce, mas Bella não resiste e morre, mesmo Edward a mordendo e por injeções injetando seu veneno. 

Só depois de considerada morta, Bella começa a se transformar em uma vampira. Ela descobre que pode controlar seus desejos por sangue melhor do que se esperava de um vampiro recém-criado. A criança é uma menina, diferente do que Bella pensava, e recebe o nome de Renesmee (junção dos nomes Renée e Esme) Carlie (junção dos nomes Charlie e Carlisle) Cullen. Jacob não aguenta ouvir Emmett e Rosalie falando a todo momento sobre se mudar e percebe que o maior problema é Charlie. Sendo assim, conta ao pai de Bella, sobre o mundo sobrenatural. Charlie pede a Jacob que não o conte todos os detalhes, só o necessário. Jacob sofre imprinting com Renesmee (que é algo mais forte que o amor entre almas gêmeas, que ele descreve "como se o centro de gravidade deixasse de ser Terra e passasse a ser Renesmee", no caso dele). 

Alice vê que os Volturi estão vindo para matar Renesmee, acreditando que ela era uma criança que havia sido transformada em vampiro - algo estritamente proibido -, por causa do depoimento de Irina Denali. Alice vai embora com Jasper logo depois. Carlisle, Esme, Rosalie e Emmett viajam para chamarem todos os vampiros que conhecem, com a intenção de fazer os Volturi pararem para ouvir a real explicação da origem de Renesmee. Todos esperam na mansão Cullen até que os Volturi chegam. Bella descobre que tem o poder de criar um escudo em volta de si, e protege a família e amigos durante o confronto. Irina é morta por Caius, que não aceitava que não houvesse batalha. 

Quando os Cullen, seus amigos, os Lobisomens e os Volturi estão frente a frente e a batalha parece iminente, Alice aparece, trazendo outro meio-vampiro meio-humano para provar que não há problema em deixar Renesmee viver. Os Volturi, com um pouco de relutância, vão embora. No fim, tudo acaba bem.

Livro de uma Sogra (Aluísio de Azevedo)

• O livro começa começa com um relato de um personagem masculino (em 1ª pessoa e qual nome está em oculto) voltando da Europa e se encontrando com o seu melhor amigo de infância, o Leandro de Oviedo. A última lembrança que tivera dele era que seu amigo vivia um casamento em “verdadeiro inferno” pois a sogra do amigo invadia por completo a vida do casal. Acontece que quando reencontrou o amigo ele se surpreendeu com a nova visão que o amigo tinha em relação à sua sogra, esta que por certo já teria morrido. O amigo Leandro que antes a detestava, passou a elogiar a sogra e a respeitá-la como uma santa.

• Querendo saber o motivo, seu amigo Leandro, passou-lhe um manuscrito que sua sogra tinha escrevido e deixado guardado para que um dia pudessem ler. E o amigo começou a lê-lo.

• Resumindo o manuscrito, a sogra se casara com o Dr. Virgílio Xavier da Câmara, e pela experiência de seu casamento ela criara uma filosofia de vida a respeito da felicidade e do amor. Tiveram dois filhos: Palmira e Gastãozinho que morrera em curtos anos. Depois que seu esposo morreu, a sogra resolveu se dedicar tão somente a felicidade da sua filha Palmira, e para isto, usando de toda a sua filosofia de vida “fez-se como uma ditadora” na vida da filha e do seu marido, este, Leandro de Oviedo. (o citado acima).

• E assim falava o manuscrito da sogra: “O casamento desvirtua o espírito do amor, tão puro e tão elevado... O matrimônio carnal é incompatível com a sagrada amizade, com a verdadeira dedicação, porque vive dos sentidos e não do sentimento... O grande erro do casamento vulgar o que o torna insuportável, é pretender aliar o instinto da procriação com o sentimento do amor ou da amizade, que nada tem a ver com ele e até o repele”.

• Para a sogra duas pessoas de sexo diferente podem então, sem incompatibilidade, viver eternamente juntas... “Decerto, desde que se amem castamente como nós dois nos amamos, (Aí ela se referia ao amor amigo que sentia pelo seu verdadeiro amor, o Dr. César Veloso, até o momento seu amigo) e não tenham entre si a menor aproximação carnal. O que incompatibiliza moralmente os cônjuges é o amor físico. Se dois amigos do sexo diferente pudessem, na plenitude da mocidade, realizar um consórcio naquelas condições, e vivessem juntos sem a menor preocupação dos sentidos, seriam eternamente felizes e cada vez mais se amariam, porque para eles a convivência constante, ao contrário do que sucede aos que se unem pelo sexo, longe de enfraquecer-lhes o amor, havia de ir cristalizando-o lentamente, até fazê-lo atingir o supremo estado de pureza, inquebrantável e límpido como um diamante. Seria esse o único casamento eterno”!

• “O instinto materialíssimo da procriação nada tem que ver com o amor, isto é, com o verdadeiro sentimento de humanidade elevado ao seu mais alto grau de comoção. A fêmea é para o macho — produzem; a mulher é para o homem — amam-se. Entre os que se ajuntam instintivamente, não pode existir o amor, só há sensualidade”!

• Palmira, a filha da sogra, rica, se apaixonara por José Leandro de Oviedo, um rapaz pobre, empregado público. A sogra procurava um genro que pudesse ser o mais perfeito possível para o casamento dar certo e encontrou em Leandro o rapaz que mais se aproximasse disso. Mas ainda assim, ela manteria total vigilância em todo o tempo... E para isso até pedira a ajuda do seu amigo César: “Os seus serviços, meu amigo, disse-lhe eu, vão ser desde logo necessários para uma prévia inspeção. Inspeção rigorosa, na pessoa de quem se propuser para meu genro. Só consentirei que se case com Palmira um rapaz perfeito, em plena normalidade de saúde”.

• A sogra continuava firme com suas convicções e sua filosofia: “Um casal vulgar só pode ser feliz enquanto dura de parte a parte a ilusão do amor sensual que o determinou; uma vez esgotada a provisão de amor ou de ilusão, o casal deixa de ter razão de ser e deve ser dissolvido. Logo, a mulher, para ser fisiologicamente feliz, precisa substituir o seu amante por um novo, desde que ele não continue a exercer sobre ela o fascinante prestígio que a cativou. Ora, sendo de todo impossível substituir assim um esposo, o que restava a fazer? — Substituir a ilusão. O ator seria sempre o mesmo, os papéis, representados por ele aos olhos da consorte, é que teriam de variar e seriam sempre novos”.

• E a sogra insistia em seus argumentos: “Essa ilusão servirá para a garantia do primeiro filho. Está muito bem! Mas ainda os dois falam entre si e com os amigos em “lua-de-mel”, e já cada um por sua conta começa a descobrir no companheiro imprevistas particularidades, reais e prosaicas, que vão surdamente desdourando o insubstituível prestígio poético que exerciam um sobre o outro”.

• Para a sogra, o casamento faz com que cada um veja as diferenças entre si e isso faz destruir toda a magia do namoro... “Mas onde está, que fim levou, aquele airoso dançador de valsas, aquele gentil mancebo, que não seria capaz de exibir-se a ninguém, e muito menos à noiva, senão depois de caprichosamente apurado na roupa, no cabelo, nos dentes e nas unhas? aquele irresistível galanteador, que dizia coisas tão finas e que fazia versos tão lindos, e trescalava a sândalo ou cananga-do-japão? E onde está aquela mocinha vaporosa, que era toda graça, delicadeza e perfumes, e que mostrava uma cintura e uns pezinhos tão provocadores, e uma cabeça tão primorosamente penteada, e um colo, e uns olhos, e uma boca, tão misteriosos e divinos”?...

• Realmente, a sogra impunha tantas regras que para ficar com sua filha, o rapaz teria até que assinar um acordo: “Pois então o senhor assinará uma declaração, formal e precisa, dirigida à polícia, dizendo que a ninguém devem atribuir a autoria da sua morte, porque foi o senhor mesmo quem pôs termo aos seus dias. E empenhará comigo a sua palavra de honra em como a ninguém revelará a existência desse documento; documento que será reformado de três em. três meses”. Com isso, que ele nem pensasse em não seguir as regras, pois ela o eliminaria. Uma das regras é que ele morasse sozinho e sua filha ficasse morando com ela. “Com orgulho e com prazer declaro que a vida conjugal de minha filha ia por adiante, desenrolando-se feliz. Meu genro continuava a morar sozinho em Botafogo e nós duas no bairro de Laranjeiras”.

• Um dia seu genro não suportando tanta pressão reclamou: “Quero dizer que a senhora minha sogra abusa do pacto feito entre nós quando me casei! E abusa da sua posição de minha benfeitora, contrariando-me e torturando-me só pelo gostinho de ser sogra”!

• Sua filha Palmira também revidou pois a sogra quase nem permitia que ela fosse para a casa de Leandro: “É, mamãe! A Bíblia manda!... confirmou minha filha com uma carinha brejeira. Lembre-se de que Deus Nosso Senhor disse a Eva para obedecer a Adão e acompanhá-lo por todo lugar onde ele fosse”!

• E a sogra imediatamente rebatia: “Eva não tinha mãe, a seu lado, que, se a tivesse, não daria ouvidos à serpente”...

• E Leandro ficara enlouqueçido: “Oh! exclamou Leandro agastado. Dir-se-ia que a senhora me chamou “Serpente!” Serpente! Tem graça!... Eu é que sou a serpente!... Pois minha senhora, se aqui temos pomo de discórdia, não sou eu com certeza que o promovo. E, quanto ao fato de Eva não ter mãe, digo-lhe então, francamente, que Adão, esse é que era deveras um felizardo, porque não tinha sogra! Ouviu, minha senhora? — Não tinha sogra”!

• Passado pouco tempo, Palmira engravidou e isso foi mais um motivo de discórdia na família: “Mas, dentro em pouco, uma grande ocorrência vinha alterar nossa vida, tão custosamente bem feita, e revolucionar-nos a casa, abrindo entre minha filha e meu genro uma cena cruel, cena de lágrimas e soluços, agora verdadeiros, de verdadeira dor. Manifestaram-se em Palmira os sintomas de gravidez. Isto, que em outra família seria motivos de regozijo, lá conosco foi razão de sérias lutas por mim travadas contra meu genro e minha filha”.

• E a sogra, então, fez com que o genro fosse viajar sozinho para a Europa durante esse período de gravidez da sua filha: “Declarei logo que ela, desde esse dia, deixava de coabitar com o marido, e que este seguiria no primeiro paquete a sair para a Europa, ou partiríamos nós duas”.Meu genro, que acabava de almoçar conosco, enterrou o chapéu na cabeça e desgalgou de casa como um raio, exclamando que fugia — para não fazer ali mesmo uma loucura”.

• Palmira também não se conformava: “Nunca pensei, mamãe, disse-me ela, que a senhora levasse tão longa a sua mania de separar-me de meu marido! Nem parece que vosmecê é mãe e já esteve grávida, porque então devia saber que uma mulher, quando está neste estado e tem de dar à luz, o primeiro filho principalmente, quem mais deseja perto de si é o esposo”!...

• Mas a sogra não ficava sem argumento: “É justamente porque já estive grávida; é porque te dei à luz; é porque sou mãe; e é porque também fiz grande questão em que teu pai acompanhasse todo o período da minha gravidez, e assistisse, do começo ao fim, o parto donde nasceste — que agora não consinto, por forma nenhuma, suceda contigo a mesma coisa! Sei o que faço, minha filha! E, desde já, previne teu marido de que, se se opuser às minhas determinações, não conte ele comigo para mais nada, a não ser perseguição e vingança”!

• Mas na verdade a sogra achava que tudo o que ela fazia era para que o casal fosse feliz e que evitassem as duras realidades do casamento. E ela ficava sentida com o genro: “Leandro começou daí por diante a evitar a minha presença; a falar-me secamente e o menos que podia; começou a não me tratar senão por “Minha sogra”, dando a esta palavra uma expressão tão agressiva e tão dura, que por fim já me doía e magoava bem cruelmente”.

• Para a sogra havia uma lei da incompatibilidade do amor físico com o amor moral. Mas ninguém poderia entender o que se passava no seu íntimo: “Ah! se ele soubesse todavia quanto o meu coração é bom”!

• E falava ainda com seu genro: “Prefigure-se tornando à casa depois de alguns meses de ausência e vindo encontrar o seu filhinho nos braços da nossa Palmira! Hein? não lhe parece que o prazer da volta compensa um pouco os sacrifícios da ausência”?

• E explicava o motivo dessa decisão à sua filha, sempre na intenção de poder melhorar mais o casamento e não deixá-lo vir a ruir por falta de precaução: “Ficando aqui, disse-lhe eu, vendo-te ele todos os dias, sem aliás poder aproximar-se de ti para o matrimônio, haveria de trair-te, fatalmente, durante os resguardos da prenhez e do parto. A tua ausência será pois a garantia do seu amor e da sua fidelidade”.

• E acabou fazendo com que Palmira entendesse o amor que sua mãe tinha por ela e que ao invés de separar o casal, estaria ajudando a construir ainda mais o amor: “Não! não! não, minha filha! teu esposo não te verá de ventre crescido, não te sentirá mau hálito, não ouvirá teus gemidos e gritos de parturiente, nem assistirá a sair-te das entranhas, entre as viscosas esponjosidades da placenta e a nauseante fedentina dos humores puerperais, um ensangüentado feto, uma posta vermelha de lodo vivo! Teu esposo, não te verá amolentada, entre mornos travesseiros, impregnada de cheiro de alfazema, parida! Não! não há de ver! Não quero”!

• Leandro, na Europa, escreveu uma carta: “Chegou a primeira carta de Leandro. Não era uma carta de marido, era uma longa, sentida e despejada confidência de amante infeliz. E não dizia nunca “meu filho” ou “nosso filho”, dizia “essa criança”. Isto perturbou-me um pouco. Teria eu, quem sabe? preparado com aquela separação uma desgraça terrível, prejudicando meu neto no seu direito de filho ao amor de seu pai”?...

• Mas a sogra foi consultar seu amigo César que disse nada haver de errado em sua conduta.

• Então nasceu o filho de Palmira. E a sogra se sentia feliz: “Não posso afiançar que sofresse eu as dores puerperais, mas sei que sofri muito e que não abandonei minha filha um só instante, até receber nos meus braços um belo menino, perfeito, forte, com o crânio coberto já de cabelo preto”.

• E a sogra via que seus esforços alcançavam as suas perspectivas: “A liberdade moral e física de cada um era completa, sem despertar nos outros o vislumbre de uma ofensiva suspeita. Leandro entrava e saía de nossa casa livremente; ora dormia, ora não dormia perto da mulher, e deixava de aparecer-lhe nos dias que lhe convinha, sem que isso nela despertasse ciúmes ou enfados de despeito”.

• Nesse tempo, a sogra casara-se com seu amado amigo César, impondo-lhe também regras como a do não amor carnal, porém ficava feliz pois sua filosofia de pensar em muitas coisas se refletia na vida da sua filha e do genro: “A minha aliança com César era a de dois velhos irmãos amoráveis; e o exemplo do nosso mútuo respeito, da inalterável delicadeza de palavras e maneiras que mantínhamos um pelo outro, e principalmente a ação constante daquela nossa profunda amizade, casta, sagrada e puramente espiritual, não tardaram a dar de si os frutos que eu pressupunha, refletindo-se diretamente no ânimo de minha filha e de meu genro”.

“Sei que Palmira é feliz e sei que ela me ama; sei que meu genro me fará justiça e me amará um dia tanto quanto minha filha; sei que morrerei abençoada por eles”.

• Depois disso a sogra ficou doente e já não escrevia seus manuscritos com a mesma firmeza de antes. Mas, ainda assim, chamou sua filha e seu genro e lhes abriu o coração: “A vida é o amor, e o amor não é só a procriação. Vá cada um de vocês dois, meus filhos, buscar o esposo da sua alma, fora e bem longe do leito matrimonial, com os olhos bem limpos de luxúria, com a boca despreocupada de beijos terrenos, com o sangue tranqüilo e o corpo deslodado das lubrificações carnais”! Minha filha — toma um amante — para teu espírito! Meu filho — elege uma amiga — para o teu coração de homem!

• Enfim, a sogra conseguiu ver suas realizações através das atitudes e aprendizagens de seu genro e sua filha. O amor continuaria vivo, enquanto cada um soubesse lidar com a forma de viver a dois. Ela revelava para si mesma: “Mas é preciso arrastar-me até ao fim das minhas revelações. Vamos: Palmira está pejada (grávida) de novo; o marido, sem que ninguém lhe falasse nisso, declarou já que iria aos Estados Unidos durante o resguardo puerperal”.

• Assim, o amigo de Leandro terminou de ler o manuscrito e quis saber sobre o final da vida da sogra. E Leandro finalizou: “D. Olímpia, depois que interrompeu com um gemido aquela sua página interminada, nunca mais levantou a cabeça dos travesseiros, vindo a falecer da moléstia que a prostrava”. Mas antes disso, tomando as mãos, de Leandro e Palmira, lhes disse: “Logo que eu feche os olhos, disse-lhes compassadamente, abram aquela gaveta da minha secretária, cuja chave está debaixo deste travesseiro, e tirem de lá o manuscrito que fui escrevendo depois que Palmira se casou. Encontrarão aí a justificação plena de todos os meus atos e de todas as minhas palavras. Foi por amor de ti, minha filha, que concebi aquelas idéias, e foi para ti, meu genro, que as escrevi. Leiam-no ambos com atenção e procurem seguir à risca os preceitos que lá se acham estabelecidos”.

Personagens do livro:
• Olímpia da Câmara: Sogra
• Dr. Virgílio Xavier da Câmara: Médico, primeiro marido de Olímpia
• Dr.César Veloso: médico, viúvo, amigo da sogra e posteriormente seu esposo
• Gastãozinho: Filho (que morreu) de Olímpia e de Virgílio
• Palmira: Filha de Olímpia e de Virgílio
• Leandro de Oviedo: genro, casado com Palmira

Luzia Homem (Domingos Olímpio)


  • Na construção da penitenciária de Sobral, pequena cidade do Ceará, muitos retirantes trabalham para não morrerem de fome.
  • Uma linda morena chama a atenção de todos. É luzia que faz serviços de homem para poder receber ração dobrada, em virtude de ter a mãe doente em casa. Seu corpo é esbelto e feminino e, acostumada que fora na antiga fazenda do pai a trabalhar em serviços pesados, tinha muita força, fazendo o que muitos homens não podiam. Por isso recebera o apelido de Luzia-Homem. Recatada e silenciosa, não tinha muitas relações de amizade. No entanto, o soldado Crapiúna era apaixonado ou pelo menos atraído fisicamente com violência por Luzia. Esta não correspondia aos seus cortejos, desprezando-o e tornando o soldado cada vez mais obcecado por ela.
  • Tinha Luzia um amigo muito leal e respeitoso chamado Alexandre, rapaz bonito e educado, que trabalhava no armazém da Comissão. Teresinha era outra amiga de Luzia. Moça branca, de cabelos castanhos, que há muito havia fugido de casa e se prostituíra.
  • Certo dia passando com Teresinha pelo armazém viram um tumulto e ao se informarem ficaram sabendo que Alexandre fora preso por causa de um grande roubo que houvera no almoxarifado do armazém.
  • Luzia e Teresinha, acreditando na inocência de Alexandre que estava na prisão aguardando o julgamento, levavam-lhe comida todos os dias.
  • Tempos após, Teresinha, tendo ido se esticar na rede, vê nos fundos do quintal o soldado Crapiúna abrindo um baú e apanhando uma bolsa de couro de onça contendo dinheiro. Teresinha passa a desconfiar do soldado, o mesmo acontecendo com Luzia a quem Teresinha contara o ocorrido. Outra vez Luzia encontra Quinotinha que lhe diz ter ouvido Crapiúna confessando ser o autor do roubo a uma mulher que o amava. Luzia, certa da verdade, antes de falar com Teresinha foi até o delegado e lhe contou tudo, o qual não acreditando muito, foi até o quintal da casa de Teresinha encontrando o baú com as coisas roubadas do armazém.
  • No julgamento, Alexandre foi absolvido e Crapiúna expulso da corporação. O ex-soldado, vendo a felicidade de Luzia, jurou vingar-se.
  • Teresinha encontra a família que a estava procurando pelo sertão e vão morar juntos na casa dela.
  • Passados esses acontecimentos, Alexandre propôs a Luzia irem morar na serra, levando a mãe dela e a família de Teresinha. Luzia, que começara a despertar para o amor de Alexandre que já a amava silenciosamente há muito tempo, fica feliz e começam a arrumar as trouxas para a mudança.
  • Alexandre partiu no dia seguinte com a família de Teresinha para escolherem a casa.
  • Teresinha, Luzia, Josefina, Raulino e outros quatro homens foram na tarde do dia seguinte.
  • Teresinha saiu na frente para ajudar os outros na arrumação da casa. Os cinco homens carregavam a rede com D. Josefina. Ao chegar à serra, Raulino indicou um atalho à Luzia dizendo que eles levariam a rede com D. Josefina pela estrada. Luzia foi seguindo os passos de Teresinha no barro. Andou ao redor de um morro até que chegou a um rio cheio de pedras e de água pura. Quando ia  atravessá-lo ouviu um grito. Olhou a sua esquerda e viu Crapiúna que havia fugido da cadeia e estava segurando Teresinha pelo braço. Luzia atravessou o rio e gritou:  
- Solte a moça, seu Crapiúna!
               - Até que enfim nos encontramos, disse o bandido.
  • Capriúna largou Teresinha e avançou sobre Luzia, puxando-a e rasgando toda sua roupa. No desespero, Luzia reagiu cravando as unhas no rosto de Crapiúna, deixando-o desfigurado e tonto. Crapiúna arrancou uma faca e cravou-a no peito de Luzia, despencando em seguida do penhasco.
  • Neste instante chega Raulino que vê Teresinha horrorizada e, olhando a sua direita, aproxima-se de Luzia, já com os olhos arregalados e sem vida!

Lucíola (José de Alencar)

Fica claro, que em Lucíola, o narrador é em 1ª pessoa. O livro é narrado por Paulo, que é o personagem principal. Assim, a narrativa tem um caráter autobiográfico, pois é feita em 1ª pessoa, buscando recuperar, a partir da perspectiva do amante, a paixão vivida por Lúcia e Paulo.
O prefácio chama-se "Ao Autor" e, ali, uma pessoa que assina G. M. afirma que encontrou as cartas de Paulo e as reuniu, publicando o livro Lucíola. Percebemos que, então, cada capítulo corresponde a uma carta que Paulo escreveu à senhora que o indagou. A narrativa é detalhista. Em Lucíola, o autor faz um aprofundamento psicológico e mostra os conflitos interiores de Paulo e de Lúcia. Além disso, Lúcia não é linear, porque seu perfil se altera durante a obra. ("Acredite ou não, Lúcia acabava de me revelar naquela imagem simples um fenômeno psicológico que eu nunca teria suspeitado." - cap 18). Os personagens de Lucíola são, em boa parte do tempo, falsos. Em Lucíola, um personagem apresenta grande complexidade psicológica, a par do idealismo romântico com que foi concebido.
A publicação do livro ocorre em 1862. Com relação à narrativa, trata-se de um conjunto de recordações de Paulo. Pode-se considerá-lo um livro com algumas memórias fictícias, pois a ação transcorre no passado. O relacionamento de Paulo e Lúcia aconteceu quando ele chegou ao Rio de Janeiro, em 1855. Entretanto, as cartas foram reunidas por G. M. em novembro de 1861.
O tempo no livro é quase sempre psicológico, com grandes usos de flash-backs. O Rio de Janeiro é o espaço físico onde se desenvolve o romance. O autor retrata a sociedade de sua época, quando o Rio de Janeiro era a capital do Império, apontando alguns aspectos urbanos negativos. José de Alencar era um forte crítico social. Paulo era um rapaz do interior, que foi para o Rio de Janeiro conhecer a corte. Poucos dias depois de sua chegada, um amigo de infância chamado Dr. Sá o leva à festa da Glória. Lá, Paulo percebeu a diferença existente entre sua vidinha provinciana e a vida luxuosa na corte. No meio da festa, porém, uma bela mulher chamou sua atenção. O que mais lhe impressionou nessa mulher foi o seu jeito de "ingênua castidade". Dr. Sá, entretanto, ao perceber o engano do amigo, explicou para ele que aquela mulher era uma prostituta de alto luxo. Mesma sabendo disso, ela não saiu de sua memória.
*Lúcia: Sua característica é a contradição, ela era uma cortesã e podemos mostrar isso através da orgia romana na casa de Sá. Mas a prostituição era um tormento, pois não se entregavam totalmente à ela; não conseguindo ficar um período intenso com a mesma pessoa.
Coexistem nela duas pessoas: Maria da Glória; a menina inocente, ingênua, digna, simples e um verdadeiro anjo; Lúcia; a cortesã depravada, excêntrica, rejeita o amor e é um verdadeiro demônio.
Essa ambigüidade realça a Maria da Glória, sua verdadeira existência que vai amando e sendo amada por Paulo.Assim, Lúcia tendo perdido a virgindade física, tende a virgindade do espírito.
Lúcia sofre uma transformação completa que lhe custou muitos sacrifícios e muita incompreensão por parte de Paulo.
Seus traços físicos: cabelos e olhos pretos, a pele partida.
Uma adualidade de caráter, ora anjo, um ideal de beleza, romântica; ora demônio, uma cortesã.
Se você não entende-la muito bem não se preocupe, afinal, ela mesma se definiu: "É difícil conhecer-me; mas difícil do que pensa. Eu mesma, não sei o que às vezes se passa em mim" (pág.51).Então aos dezenove anos Lúcia recupera a Maria da Glória que perdera aos quatorze anos.
*Paulo: Provinciano de Pernambuco, 25 anos, que veio estabelecer-se no Rio de Janeiro. É o narrador da história, não revelando informações de si, e desvia a atenção para Lúcia. Isto é muito raro em José de Alencar, tratando-se do personagem central.
Seu Perfil:
Espírito observador e sensível; é o único a compreender o comportamento estranho de Lúcia; é reservado e tímido.
Sua aproximação à Lúcia, foi lenta, no início apenas uma atração sexual, porque tinha muitas incertezas e desconfianças: "Se eu amasse essa mulher... Mas não, tinha apenas sede de prazer...".
Paulo chega a ser violento e muito sádico com Lúcia: "Esta noite a senhora não se pertence; é um objeto..." .
Paulo e Lúcia vivem um relacionamento romântico; apesar dele declarar-se pobre e até se vexar por isso. Este personagem vive de amor e sonhos.
Personagens Secundárias
*Dr.Sá e Cunha: amigos de Paulo de infância, não têm a personalidade bem definida, mas vêem Lúcia como prostituta.
*Couto: é um velho dado a galante, representa a sociedade que explora e corrompe. Foi quem aproveitou de Lúcia na sua necessidade e inocência e é um libertino precoce.
*Rochinha: é um velho prematuro, e aparece com libertino precoce.
*Laura e Nina: São prostitutas como Lúcia, mas não têm duas caras como ela. Não são capazes de descer tão baixo, mas não possuem a nobreza que Lúcia carrega.
Jesuína: mulher que recolhe Lúcia quando seu pai a expulsa de casa.
*Jacinto: homem de 45 anos que vive da prostituição de mulheres pobres e da devassidão de homens ricos.
*Ana: irmã de Lúcia que a educou em um colégio interno como se fosse sua filha. Lúcia tenta casar Ana com seu amor Paulo para a perpetuação e concretização de seu amor por ele. Mas Paulo prefere se tornar o “Pai” de Ana, que se casou com outra pessoa.