Mostrando postagens com marcador I. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador I. Mostrar todas as postagens

Divergente, Insurgente, Convergente (Veronica Roth)


Divergente 

Tudo começa com Chicago no futuro, onde a cidade foi dividida em 5 facções: Abnegação, Audácia, Erudição, Amizade e Franqueza. 

A história se passa em um futuro pós apocalíptico, numa cidade, onde as pessoas estão divididas em cinco facções e o que define a facção que cada um pertencente é a virtude que prevalece na pessoa. A Abnegação é para aqueles que priorizam a vontade do próximo, para os altruístas; Amizade, para os que praticam a bondade, o perdão e procuram a paz; Audácia, para os corajosos e destemidos; Erudição, para sábios, inteligentes e curiosos; Franqueza, para pessoas sinceras e imparciais. Existe também os sem-facção, que são aqueles que não se encaixam em nenhuma das facções existentes. Cada facção acreditava em motivos diferentes que levaram ao "fim do mundo", a Abnegação, culpa o egoísmo, a Amizade culpa a guerra, a Erudição a ignorância, a Franqueza, a desonestidade e a Audácia, a covardia. 

Beatrice "Tris" Prior completa 16 anos e, como todos os outros jovens da sua idade, ela tem que passar por um teste de aptidão, que dirá a qual facção ela pertence. Mas o que acontece quando o resultado do teste é inconclusivo? 

No início do livro, vemos como é a vida de Tris antes do teste de aptidão e conhecemos um pouquinho da sua facção de origem. Após fazer o seu teste, Tris descobre que é Divergente, ou seja, tem aptidão para mais de uma facção, mas ela tem guardar esse segredo, pois ele pode custar a sua vida. Além de lidar com essa descoberta, ela ainda tem que escolher em qual facção passará o resto da sua vida - uma escolha nada fácil. Nós vemos sua vida, que antes era pacata, se transformar em uma aventura diária. 

Além de Tris, outro personagem com grande destaque é Quatro, um rapaz misterioso. Vale mencionar também Christina, Will e Tori. Há algumas cenas românticas, mas esse não é o foco da história. 

É uma trama incrível, onde é apresentado essa nova sociedade futurista, num mundo distópico. Cheia de segredos,e mistérios, Verônica conseguiu construir uma ótima história. 


Insurgente 

Um livro de distopia incrível. Mistura ficção científica com romance e drama. 

No primeiro livro temos a guerra entre as facções, muita gente morre, amigos e familiares de Tris. Depois dessas mortes ela não é mais a mesma. Ela acorda muita vezes tendo pesadelos com essas mortes que ao longo do livro atormentam a vida dela, a ponto dela não conseguir nem pegar em uma arma para se defender. 

Insurgente começa onde Divergente termina, sem mais! Após a guerra, Tris, Tobias e seus companheiros vão se refugiar no complexo da Amizade. Lá eles encontram abrigo, apoio e um sistema igualitário, que eles sabem muito bem que não vão poder ficar lá por muito tempo. 

O primeiro livro focou muito nas facções da Audácia, Abnegação e Erudição. Neste temos uma maior participação da Amizade, Franqueza e também dos Sem-Facção. Após os acontecimentos bombásticos do final de Divergente, Insurgente inicia com um ar de dúvidas e confusão. A cidade está dividida, as facções em conflito, e as lealdades são postas a prova. 

E no meio ao caos, surge uma nova questão. A existência de um segredo, uma verdade tão perturbadora a respeito da história da cidade e do mundo exterior, que teria sido o real motivo de tudo que aconteceu no final do primeiro livro. Porém, a fonte dessa informação não é a pessoa mais confiável do mundo, e Tris tem que decidir em quem confiar, se deve ou não seguir seus instintos na busca dessa verdade, e pesar as consequências possíveis, caso esteja sendo enganada, e não exista segredo algum. 

Então Tris se vê em um dilema quando descobre que uma das facções detêm um misterioso segredo que pode colocar em risco o futuro de todas as outras facções. Sem pausa para relaxar, Tris e amigos precisam decidir, e eles não possuem muito tempo para isto, se seguem seus corações e fidelidade à suas facções ou renegam suas crenças e buscam descobrir a verdade. 


Convergente 

Desde o primeiro livro nos acostumamos à narração de Tris, porém no último livro entra em cena um novo narrador e eles dividem os capítulos, mesclando as narrativas. 
Convergente dá continuidade à grande revelação feito no final de Insurgente: há um mundo lá fora, e os Divergentes precisam sair para encontrá-lo. Porém, a líder do sem-facção, Evelyn Johnson, não se importa. Ela quer apenas destruir o sistema de facções e manter todos naquela cidade, usando autoritarismo e julgando cada pessoa por traição. 

Em meio à esse novo sistema, há um grupo de pessoas, os Leais, que desejam voltar ao sistema de facções e mandar um grupo para investigar o que quer que haja lá fora. Assim, nossos protagonistas Tris e Tobias, além de Tori, Christina, Cara, Peter, Caleb e Uriah vão em direção ao desconhecido, e lá descobrem que, literalmente, a vida deles foi uma completa mentira. E pior do que isso, uma mentira baseada em uma crença equivocada. Eles devem lutar contra isso. 

A Chicago futurística conhecida por Tris, parece não ser mais a mesma. Depois de ter descobrido mentiras e revelações bombásticas sobre o que há por trás das facções, ela terá que se juntar ao seu namorado, Tobias, seus amigos e novas ajudas para, mais uma vez, lutar pela sua sobrevivência e a de quem ama. E isso será cada vez mais difícil...

Ilíada e Odisséia (Homero)


Ilíada e Odisséia são duas epopéias escritas pelo famoso escritor e poeta grego Homero.

Homero viveu por volta do século VIII a.c. e foi um renomado aedo (poeta que cantava poemas e feitos heróicos na Grécia antiga), tendo como suas principais obras a Ilíada  e a Odisséia. Apesar de a própria existência de Homero ser contestada devido à grande inexatidão com que é mencionado durante a história (as vezes como indivíduo, as vezes como várias pessoas), Homero fez uma grande contribuição histórica com a Ilíada e a Odisséia pois ambas são a fonte de vários conhecimentos que temos sobre as tradições e costumes da Grécia antiga após a invasão das tribos Dóricas. De forma resumida, na Ilíada Homero narrou um período entre o nono e o décimo ano da guerra de Tróia que foi iniciada segundo a lenda com o sequestro de Helena, mulher do Rei grego Menelau, e que terminaria com os gregos vitoriosos. E a Odisséia nos conta as histórias de Ulisses (Odisseu), um famoso herói grego que volta da guerra de Tróia para sua cidade natal, Ítaca, mas que no caminho sofre inúmeras provações, narradas na epopéia.

Ambas as epopéias retratam de forma muito fiel os costumes gregos, inclusive a organização social da época e grandes famílias que administravam determinada cidade ou região. Além disso, a própria existência de Tróia foi descoberta através da Ilíada (mesmo que a real existência da cidade seja muito contestada). Boa parte do que sabemos hoje sobre a Grécia após a invasão dórica vem das epopéias homéricas.



“Ilíada”

A Ilíada, é um poema épico composto de 24 cantos escritos em versos, cujo tema é um episódio da guerra de Tróia.
A ação se passa no nono ano do cerco imposto a Tróia pelos gregos, centrando em Aquíles, cuja ira foi provocada pelo rapto de sua escrava Briseida e pela perda de seu amigo íntimo, Pátroco. Este foi morto por Heitor em combate e teve o seu corpo arrastado pelo mesmo para o torno do túmulo de Pátroco, que terminou por restituí-lo a Príamo, rei de Tróia e pai da vítima. Aquiles porém é em seguida morto por Páris.


“Odisséia”


A Odisséia é consagrada ao retorno de Ulisses, que durante 10 anos, afrontou perigos na terra e no mar, antes de poder chegar ao reino de Ítaca. O mar é quase que o personagem principal, onde Ulisses batalhou como herói, em esforços para voltar para casa.

Na primeira parte, “Telemaquia”, Telêmaco parte a procura do pai. Na segunda parte, “Volta de Ulisses”, recolhido após um naufrágio, pelo rei Alcino, ele relata suas peregrinações que o levaram até o Ciclope de um olho só, devoradores de homens, e como ele e sua tripulação o cegaram, a fim de fugirem de seu poder. Conta também como foi protegido por seu próprio fascínio mágico, forçando a feiticeira Circe a quebrar o encanto que tinha transformado sua tripulação em porcos. Conta ainda como foi aos infernos, o mar das sereias e como  conseguiu proteger a sua tripulação tampando seus ouvidos com cera de abelha  e se amarrando com cordas ao mastro do navio, de forma que não pudesse mexer-se enquanto estava  sob o encanto das sereias e não forçasse sua tripulação à remar em direção da morte. Conta ainda histórias da ninfa Calipso.

E na terceira e última parte “a Vingança de Ulisses”, de volta a Ítaca Ulisses disfarça-se de mendigo e chega ao palácio, invadido pelos pretendentes à mão de sua esposa Penélope; ela, porém declara que só se casará com aquele que conseguir manejar o arco de Ulisses; nessa oportunidade, então, ele se dá a conhecer e massacra os pretendentes.

A epopéia comporta um aspecto coletivo que visa transmitir um conjunto de narrativas tradicionais relacionadas com a ordem do mundo e da comunidade, ordem cuja existência e estabilidade são frutos de proezas divinas de heróis excepcionais. A epopéia descreve-se então por longas narrativas poéticas de aventuras heróicas.



Inocência - Visconde de Taunay


A história se passa em Mato Grosso, e tem início em 15 de julho de 1860 com uma descrição da estrada que corta a região desde a vila de Santana do Paranaíba aos campos de Camapuã .
Sertão de Santana do Paranaíba, 1860. Pereira ( Martinho dos Santos Pereira ) vive na fazenda com Inocência, sua filha de 18 anos. Seu pai exige-lhe obediência total, num regime antigo e educada longe do mundo. Escolhe para ela o noivo, Manecão, um homem criado no sertão bruto, de índole violenta.
Maria Conga é uma preta, escrava de Pereira. Tico é o guarda da moça Inocência, bastante fiel apesar de ser mudo. Um dia, Pereira encontrou-se com um rapaz que percorria os caminhos do sertão a medicar. Havia feitos estudos no colégio do Caraça e iniciado Farmácia em Ouro Preto. Chamavam-no de "doutor", título que não menosprezava. Seu nome era Cirino Ferreira dos Santos ( Dr. Cirino ).
Inocência estava doente de "uma febre braba" e o "doutor" curou-a . Os dois apaixonaram-se mais tarde: eram demasiados os cuidados que o "doutor" tinha para com ela. Amavam-se às escondidas e o laranjal era local de encontros proibidos. Pensavam que ninguém poderia desconfiar... mas Tico, o anãozinho mudo, estava atento... Nesse ínterim, Pereira andava é desconfiado do Dr. Meyer, um caçador de borboletas, que por lá aparecera!  Guilherme Tembel Meyer caçava borboletas e as enviava à Alemanha para serem estudadas. Pereira desconfiava a tal ponto que o ilustre entomólogo passou a ser "persona non grata". Dr. Meyer tinha por objetivo descobrir espécimes novos para museus europeus.
Meyer, fascinado pela beleza de Inocência e ignorante dos costumes faz muitos elogios à jovem, o que deixa Pereira furioso e preocupado. Com medo de que Meyer ponha sua filha a perder, passa a vigiá-lo de perto, levando-o pessoalmente à mata para encontrar e caçar os insetos. José Pinho (Juque), ajudante de Dr. Meyer, explicava a função de seu patrão: procurar insetos. E isso durante quase dois anos...
Porém, desconfiando de Meyer, Pereira passa a confiar em Cirino, que aproveita a oportunidade para ver Inocência e declarar seu amor. Ela também está apaixonada, mas se sente culpada e tem medo de enfrentar a fúria paterna.
Garcia, leproso, aparece na fazenda do Sr. Pereira. Quer falar com Dr. Cirino. O "médico" diz-lhe que a doença  é incurável e contagiosa.
Inocência foi maltratada pelo pai, quando este soube de seu amor com o doutor. Foi atirada contra a parede. Resistiu e jurou não se casar com Manecão, o sertanejo violento. Mas o pai – Sr. Pereira – achou que a filha estava de "mau olhado", por causa do Dr. Meyer.
E encontrou uma solução: ele ou Manecão mataria o intruso alemão. Dr. Meyer não deu ouvidos a Pereira, zombado de sua ameaça. Tomou-se de vergonha: era ofensa demais. Tico, após testemunhar o amor existente entre  Inocência e Cirino, explicou ao Sr. Pereira tudo que se passava...
Manecão começou a seguir os passos de Cirino. Até um dia interpelou-o . Tirou uma garrucha da cintura e... Cirino caiu por terra, pedindo água e sussurrando o nome de Inocência
 Antônio Cesário, que finalmente decidira intervir a favor de Inocência e Cirino, chega e encontra Cirino agonizando, Cirino não diz o nome do seu assassino. Pede a Cesário que diga a Inocência que morreu por causa dela. Seu último pedido é para que Cesário prometa que não deixará Inocência casar com Manecão.
Dr. Guilherme Tembel Meyer, em 1863, apresentava aos entomólogos do mundo a sua mais recente descoberta: uma borboleta até então desconhecida: "Papilio Innocentia:" em homenagem à Inocência, a moça do sertão de Santana do Paranaíba, da Parte sul oriental do Mato Grosso.
Inocência, coitadinha...
A história termina na Alemanha, em 18 de agosto de 1863, com a aclamação de Meyer pela Sociedade Geral Entomológica e pela Imprensa, que elogia os prodígios entomológicos recolhidos por ele principalmente, a borboleta Papilio Innocentia, cujo nome fora dado em homenagem à beleza de uma donzela (Mädchen) dos desertos da Província de Mato Grosso (Brasil), criatura, segundo conta o Dr. Meyer, de fascinadora formosura.
Naquele dia, fazia exatamente dois anos que Inocência morrera, no imenso sertão de Santana do Paranaíba.

Caracterização dos personagens:
Martinho dos Santos Pereira (Pereira) – Homem de mais ou menos 45 anos, gordo, bem disposto, cabelos brancos, rosto expressivo e franco. Pessoa honesta, hospitaleiro, severo e não trocava a sua palavra nem pela vida.
Inocência – Cabelos longos e pretos, nariz fino, olhos matadores, beleza deslumbrante e incomparável, faces mimosas, cílios sedosos, boca pequena e queixo admiravelmente torneado. Enfim, uma jovem de beleza deslumbrante e incomparável. Simples, humilde, meiga, carinhosa, indefesa e eternamente apaixonada.
Tico – O anão guardião de Inocência. Mudo, raquítico, esperto e fez por um momento, o papel de fofoqueiro.
Maria Conga – Escrava de Pereira que cuidava dos afazeres domésticos. Escura, idosa e malvestida. Usava na cabeça um pano branco de algodão.
Major Martinho de Melo Taques – Homem que merecia influência na vila de Santana do Parnaíba: Juiz de paz e servia de juiz municipal. Participou da Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul. Era comerciante e gostava de contar casos, ou seja, "prosear".
Manecão – alto, forte, pançudo e usava bigode. Enfim, vaqueiro bruto do sertão. Pessoa fria que matava se fosse preciso, em defesa de sua honra.
Antônio Cesário – Padrinho de Inocência. Homem respeitado, de palavra, honesto e justo. Fazendeiro do sertão.
Guilherme Tembel Meyer – alto, rosto redondo, juvenil, olhos claros, nariz pequeno e arrebitado, barbas compridas, escorrido bigode e cabelos muito louros. Pessoa de boa índole, esperto em sua função e simples ao pronunciar as sua palavras. Admirador da natureza e da beleza de Inocência.
José Pinho (Juque) – Ajudante de Meyer. Era muito intrometido em conversas alheias. Pessoa boa e de confiança de seu patrão.
Cirino Ferreira Campos – Tinha mais ou menos 25 anos, presença agradável, olhos negros e bem rasgados, barbas e cabelos cortados quase à escovinha. Era tão inteligente quanto decidido. "Doutor" Cirino era caridoso, bom e doava a própria vida em defesa do amor.

Componentes da obra:
O romance relata a vida do povo do sertão brasileiro. O autor nos mostra de forma nem clara, a simplicidade, o sofrimento e o jeito típico do sertanejo, através de seus personagens.
Sofrimento – A caminhada do sertanejo em busca de seus objetivos através de longas distâncias, sendo que no percurso, existe a dificuldade do abrigo.
Simplicidade – É claramente observada através do comportamento e diálogos entre as personagens típicas.
Contradições – Comparava-se entre o jeito de ser do sertão e a forma avançada da Europa (Pereira e Meyer).
Amor – Um amor tão puro e verdadeiro que por falta de condições de existência preferiu a morte, ou pelo menos, foram levados a ela.
Honra – Pereira para manter a honra familiar, sacrificava sua própria filha, já que sua palavra estava acima de tudo.
Beleza – É retratada através da paisagem do sertão e da jovem Inocência.
Escravidão – é representada por Maria Conga e outros.

Momento literário:
Inocência pode ser considerada a obra prima do romance regionalista (Sertão do Mato Grosso) do nosso Romantismo. Seu autor, Visconde de Taunay, soube unir ao seu conhecimento prático do país, adquirindo em inúmeras viagens na condição de militar, o seu agudo senso de observação da natureza e da vida social do sertão brasileiro.
A qualidade de Inocência resulta do equilíbrio alcançado entre os aspectos ligados ao conceito de verossimilhança – que muitas vezes chegava a comprometer a qualidade de obras regionalistas –, como a tensão entre ficção e realidade, a linguagem culta e a linguagem regional e a adequação dos valores românticos à realidade bruta do nosso Sertão.
Inocência é uma história de amor impossível, envolvendo Cirino, prático de Farmácia que se autopromoveu médico, e Inocência, uma jovem do Sertão de Mato Grosso, filha de Pereira, pequeno proprietário típico da mentalidade vigente entre os habitantes daquela região.
A realização amorosa entre os jovens é invisível porque Inocência fora prometida em casamento pelo pai de Manecão, um rústico vaqueiro da região; e também porque Pereira exerce forte vigilância sobre a filha, pois, de acordo com seus valores, ele tem de garantir a integridade de Inocência até o dia do casamento.
Ao lado dos acontecimentos, que constituem a trama amorosa, há também o choque de valores entre Pereira e Meyer, um naturalista alemão que se hospedara na casa de Pereira à procura de borboletas, evidenciando as contradições entre o meio rural brasileiro e o meio urbano europeu.
A atração pelo pitoresco e o desejo de explorar e investigar o Brasil do interior fizeram o autor romântico se interessar pela vida e hábitos das populações que viviam distante das cidades. Abria-se assim, para o Romantismo, o campo fecundo do romance sertanejo, que até hoje continua a fornecer matéria à nossa literatura.

Momento histórico:
Na época em que o autor se inspirava para escrever Inocência, acontecia no país a aprovação da Lei do Ventre Livre, onde todos os filhos de negros que nascessem à partir daquela data seria livre da escravidão brasileira. 

Iaiá Garcia (Machado de Assis)


Luis Garcia era um homem reservado (pai de Iaiá ) e vivia exclusivamente por sua filha, Lina, uma garota mimada, que tinha toda a atenção de seu pai. Viúvo, ele vivia em uma casa mais afastada que se enchia de alegria quando Lina, ou melhor, Iaiá Garcia, chegava da escola. Na casa ainda havia um negro que era todo dedicado ao senhor e sua filha.
No círculo pequeno de amizades de Luis estava a Sra. Valéria, também viúva. Esta tinha um filho, Jorge. E foi por ele que Valéria chamou Luis à sua casa. Acontece que ela desejava mandar o filho à guerra do Paraguai e queria que Luis a ajudasse a “fazer a cabeça do jovem”. Justificava esse desejo afirmando que era seu dever como cidadão e também em referência às glórias e méritos que tais conflitos geram aos vencedores, não acreditando na morte do filho. Porém sua verdadeira razão era fazê-lo esquecer uma grande paixão.
Na casa de Valéria vivia Estela, filha de um grande amigo do seu  finado.. E fora justamente essa moça que despertara em Jorge a paixão verdadeira. Jorge a amava e até chegou a se declarar e furtar um beijo da moça, o que a fez resolver voltar à casa de seu pai. Mas ela apenas negava o amor que sentia; quando o descobriu logo acreditou em sua impossibilidade e o trancou para sempre ao fundo de seu coração.
Jorge que fundia a realidade com romances foi à guerra e lá se manteve fiel à paixão que em carta a Luis Garcia afirmava tê-lo transformado de criança a homem. Enquanto isso Estela não sofria de amores, seu sentimento era como que esquecido e ela mantinha-se orgulhosa, firme e até mesmo fria.
Durante os anos em que Jorge ficou na guerra, Valéria mesmo não acreditando em vestígios do romance de outros tempos chamou Estela de volta à sua casa e viviam em perfeita harmonia. Como era seu intuito, a senhora falou à moça da necessidade de se casar e assim lhe disse que quando achasse o homem conveniente a avisaria.
Nestas circunstâncias iniciou-se um convívio mais intenso entre a casa de Luis Garcia e de Valéria. Iaiá encantava a todos eles e ela e Estela logo se fizeram companheiras. Em seguida a menina deu a falar de um casamento entre seu pai e a companheira. Luis viu como as duas se davam bem, Estela viu como ele era um homem digno e assim se fez o casamento deles: companheirismo e respeito.
Por fim, Jorge voltou da guerra – e cheio de glórias. Sua mãe já havia falecido. Ele também já sabia do casamento de Estela e, como sua família era amiga da família de Luis, as visitas se fizeram necessária. Ele inicialmente se abalava enquanto ela era fria como antes.
Quando Luis Garcia ficou doente, a presença de Jorge se tornou mais presente e, como o doente lhe pedira que auxiliasse a família, ele passou a ser íntimo da casa da mesma forma que Procópio Dias era. A convivência ali era calma, no entanto, Iaiá que já se tornara moça parecia sentir por Jorge um desprezo injustificável. A doença de Luis Garcia teve fim, mas seus problemas no coração logo lhe tirariam a vida.
Em certo tempo, em uma limpeza de papel que Luis fazia, encontrou ali a carta que Jorge lhe mandara lhe descrevendo seu amor fiel que se transformara de criança para homem. Achou graça de tal texto e deu-lhe para Estela ler. Ele não viu nenhuma das alterações por qual a esposa passara diante da carta, porém Iaiá viu. Em seguida a menina passou a desconfiar que houvesse entre a madrasta e Jorge um romance proibido que fosse mantido em segredo no coração dos dois.
Nesse tempo também, Procópio Dias afirmava a Jorge o amor que tinha por Iaiá e pedia-lhe seu apoio, ainda mais porque se via obrigado a uma viagem ao Rio que demoraria quatro meses ou mais.
Foi também aí que Iaiá mudou seu relacionamento com a madrasta e com Jorge. Para com Estela vivia de acordo a favorecer a paz doméstica e com Jorge se tornava amável. Este fez referência a ela sobre o amor de Procópio Dias, ao que a menina não mostrava nem um pouco de interesse. E bastaram esses meses que ele se mantinha fora para que Iaiá e Jorge iniciassem um romance, amavam-se de fato.
Quando Procópio chegou já não se sentia tão abalado por Iaiá, mas ainda lhe guardava certa paixão. Ao mesmo tempo Luis Garcia sentia o peso dos problemas cardíacos que tinha e beirava a morte. Estela, que estava ciente do romance da enteada, não só afirmou se agradar de tal coisa como também incentivou o casamento dos dois o mais breve possível para que fosse possível a Luis Garcia ter o prazer de dar a bênção à filha.
Infelizmente ele faleceu antes. Iaiá, que era profundamente ligada ao pai, ficou abalada por longo tempo e assim adiando seu casamento. Jorge, depois de certo tempo de luto, questionou à noiva sobre a data do casamento ao que ela respondeu com uma carta de rompimento. E encarregou ao negro fiel da família a entrega de outra carta a Procópio, tendo esperanças nos sentimentos que ele afirmara ter por ela.
Jorge, como resposta a carta de rompimento, enviou outra a Estela perguntando o porquê da ação de Iaiá. Estela questionou à menina que respondeu que não poderia se casar com Jorge já que ela o amava. A madrasta, extremamente irritada, agiu até convencer Iaiá de que não havia amor nenhum entre eles e assim respondeu a Jorge que a carta da enteada não passara de um capricho.
Por sorte, o negro achou melhor não entregar a carta a Procópio e assim o casamento de Jorge e Iaiá foi marcado e concretizado. Estela fora pra outra cidade onde arrumara um emprego. Seu pai, que nunca fora confiável para Luis Garcia, sempre viveu dos outros e desejava ver a filha junto a Jorge, não foi com ela.
Madrasta e enteada trocavam cartas e no dia do aniversário de um ano da morte de Luis no cemitério Iaiá encontrou ali uma coroa deixada por Estela, a qual beijou como se fosse a madrasta, que sinceramente deixara ali flores ao falecido marido.

Iracema (José de Alencar)

O livro, subtitulado Lenda do Ceará, conta a triste história de amor entre a índia tabajara Iracema, “A virgem dos lábios de mel” e Martim, primeiro colonizador português do Ceará. Além disso,o assunto do livro é também a história da fundação do Ceará e o ódio de duas nações inimigas (tabajaras e pitiguaras). Os pitiguaras habitavam o litoral cearense e eram amigos dos portugueses. Os tabajaras viviam no interior e eram aliados dos franceses.
José de Alencar recorreu a circunstâncias históricas, como a rixa entre os índios tabajaras e pitiguaras e utilizou personagens reais, como Martim Soares Moreno e o índio Poti, que depois viria a adotar o nome cristão de Antônio Felipe Camarão. Mas cercou-os de uma fértil imaginação e de um lirismo próprio da poesia romântica.


Roteiro de Leitura

                Trata-se da história de um amor impossível entre a índia Iracema e o português Martim. Sobre a índia, o autor nos descreve a personagem dizendo “Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna...” . Era filha de Araquém, pajé da tribo tabajara, e irmã de Caubi, um bravo guerreiro e caçador de montes e florestas. Por ser filha do pajé, Iracema guardava um segredo muito importante de sua tribo, e por isso, deveria se manter fiel ao deus Tupã, guardando sua virgindade. Se alguém a possuísse, ela morreria. Sobre isso ela diz que “o amor de Iracema é como o vento dos areais: mata a flor das árvores” . O segredo de jurema era um ritual religioso da qual só os guerreiros tabajaras faziam parte (Jurema é uma árvore que dá um fruto amargo. Os índios faziam um licor com ele que tinha efeitos alucinógenos semelhantes ao haxixe, que revelavam os mais profundos sonhos de quem o bebesse).

Um dia, a índia encontra alguém na selva e julga trata-se de um inimigo que “tem nas faces o branco das areias que bordam o mar, nos olhos o triste das águas profundas...” . Atira-lhe uma flecha, mas se arrepende. “A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava”. E logo depois quebrou a flecha que havia lançado, já que segundo a tradição de sua tribo, o ato de quebrar a flecha, significava selar a paz entre as tribos ou entre guerreiros.
                Iracema leva-o até a tribo e Martim é muito bem recebido na cabana do pai dela, o Pajé, Araquém, com bebidas e comidas de boas vindas. Para a tribo, os estrangeiros são considerados sagrados e merecem toda hospitalidade. Ele se apresenta dizendo que habita a tribo dos pitiguaras, inimigo da nação tabajara, que fica no litoral e diz “meu sangue é o do grande povo que primeiro viu as terras de tua pátria”, numa alusão a Portugal. Iracema tinha uma jandaia, uma ave de estimação que sempre a acompanhava, mas desde que Martim apareceu, Iracema passou a não dar mais atenção a ela.
                Martim e Iracema conversam e confessam que estão apaixonados, mas que o amor deles é impossível, e por isso ele decide ir embora. Mas ela pede que ele fique e o leva até o bosque sagrado de Jurema, lhe dá o licor dos guerreiros e ele sonha, fruto dos efeitos da bebida. Os dois acabam se beijando “O lábio do guerreiro suspirou mais uma vez o doce nome e soluçou, como se chamara o outro lábio amante. Iracema sentiu que sua alma se escapava para embeber-se no ósculo ardente”.
                Porém, Iracema foge e acaba encontrando Irapuã, o chefe dos guerreiros tabajaras, que diz saber de Martim, e acaba declarando a ela seu amor. Ela o renega e por isso, ele ameaça matar Martim. O pajé era o único que poderia salvar Martim, e por isso ordena que ele espere em sua cabana: - “O hóspede é amigo de Tupã, (Deus do Trovão) e quem ofender o estrangeiro, ouvirá o rugido do trovão”. Irapuã diz que “o estrangeiro foi quem ofendeu a Tupã, roubando a sua virgem, que guarda os sonhos da jurema”. O Pajé responde em tom profético que “se a virgem abandonou ao guerreiro branco a flor de seu corpo, ela morrerá”.
                Enquanto isso, Iracema e Martim estão na cabana do pajé e ouvem o canto de uma gaivota, anunciando que o “irmão” de Martim, o índio Poti da tribo pitiguara, está por perto e veio para salvá-lo. Porém, o guerreiro branco não pode sair da cabana do pajé senão Irapuã irá matá-lo, e Poti não pode entrar na cabana porque é de tribo inimiga. Então, Iracema sugere que esperem o ritual da jurema “em que os guerreiros tabajaras passam a noite no bosque sagrado e recebem do Pajé os sonhos alegres”.
                Iracema decidiu dar a Martim o licor de jurema novamente para que ao menos nos sonhos eles pudessem ficar juntos. Porém, acabam passando a noite juntos “e como entre os arrebóis da manhã cintila o primeiro raio de sol, em suas faces incendiadas rutilava o primeiro sorriso de esposa, aurora de fruído amor... Tupã já não tinha sua virgem na terra dos tabajaras”.
                Martim e Poti partem e Iracema decide ir com eles, pois ela diz que já é esposa de Martim “o guerreiro branco sonhava, quando Tupã abandonou sua virgem, porque ela traiu o segredo da jurema”. Partem logo, pois os guerreiros tabajaras despertaram e foram atrás deles. Porém, os pitiguaras também foram ao encontro deles, e as tribos acabam se encontrando. Iracema luta ao lado de Poti e Martim contra seus irmãos tabajaras e os pitiguaras vencem. Iracema estava triste, pois “o sangue que enrubescia a terra, era o mesmo sangue brioso que lhe ardia as faces de vergonha”.
                Eles vão embora com os pitiguaras e se instalam numa praia perto do morro de Mocoripe. Iracema agora se sentia feliz porque estava na companhia de seu amado e “achara ali nas praias do mar um ninho do amor, nova pátria para o coração”. Iracema comunica a Martim que está grávida “teu sangue já vive no seio de Iracema. Ela será mãe de seu filho!”. Martim fica radiante com a notícia.               
Logo depois, Poti e Martim partem para a guerra, pois Martim prometeu ajudar seu irmão sempre que este precisasse. Ganham a batalha e, na volta, Iracema percebe que Martim sente muita falta de sua terra “teu corpo está aqui; mas tua alma voa à terra de teus pais e busca a virgem, que te espera”. Ela sente-se muito triste por não ter mais o amor total de Martim e diz que “quando teu filho deixar o seio de Iracema ela morrerá... então o guerreiro branco não terá mais quem o prenda na terra estrangeira”.
                Os dois guerreiros partem novamente para a guerra, desta vez contra os holandeses que invadem as terras pitiguaras.  Iracema fica sozinha, começa a sentir muitas dores, e por fim, dá a luz a um menino. “Tu és Moacir, o nascido do meu sofrimento”. Ela se entristece porque Martim está longe e porque quando vai amamentar, não tem leite.
Martim e Poti voltam da guerra e encontram Iracema desmaiada. “Recebe o filho de teu sangue. Era tempo; meus seios ingratos já não tinham alimento para dar-lhe.” Iracema morre, cumprindo a profecia do pai. Ao pé de seu jazigo, a jandaia que nunca abandonara Iracema, repetia seu nome. “Desde então os guerreiros pitiguaras que passavam perto da cabana abandonada e ouviam ressoar a voz plangente da ave amiga, afastavam-se com a alma cheia de tristeza, do coqueiro onde cantava a jandaia. E foi assim que veio a chamar-se Ceará...”
                Com a morte de Iracema, Martim parte daquelas terras levando o menino consigo. “O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Seria a predestinação de uma raça?”. Martim e Poti continuam parceiros, e Poti recebe o batismo cristão, e torna-se Antonio Felipe Camarão.


Entendo melhor o livro

Lenda escrita pelo autor em um livro divido em 23 capítulos, numa homenagem ao seu estado de origem, o Ceará, como deixa claro na dedicatória (“À terra natal, um filho ausente”). No final do livro, descobrimos que aquela terra recebe esse nome, devido ao canto da jandaia de Iracema. Em tupi, Ceará vem de cemo (que significa cantar forte, clamar) e de ara (pequena arara ou piriquito).

As características principais do livro são:
- Iracema (em guarani, significa “lábios de mel”)
- Martim Soares Moreno (Martim vem do latim Marte, o deus da guerra)
- Poti ou Antonio Felipe Camarão (bravo guerreiro da tribo pitiguara, irmão de Martim)
- Irapuã (chefe dos guerreiros tabajaras, gostava de Iracema).
- Araquém (Pajé da tribo e pai de Iracema)
- Caubi (pertencente também a tribo dos tabajaras, era irmão de Iracema).
- Pitiguaras (tribo que habitava o litoral cearense e eram amigos dos portugueses)
- Tabajaras (Tribo que viviam no interior e eram aliados dos franceses).
- Tupã (o deus do trovão)

O foco narrativo do livro é em terceira pessoa com o narrador onisciente, que participa da história no início, como se alguém lhe tivesse contado a história. A palavra Iracema é um anagrama de América, demonstrando a intenção do autor em valorizar as origens nacionais, em contraposição às imposições de Portugal.
Trata-se de um texto épico em que José de Alencar narra os feitos heróicos dos portugueses na figura de Martim e Iracema; também é transformada em heroína, simbolizando as nossas origens históricas e étnicas (Moacir simboliza o primeiro brasileiro nascido da miscigenação entre índio e português). Ela é a heroína típica do romantismo, que padece de saudades do amante e da pátria que deixou (valorização do amor e do nacionalismo).

O amor de Iracema e Martim é difícil por vários motivos:
- ela é índia e ele é branco;
- ela é a guardiã do segredo de jurema (profecia);
- ele mora na tribo dos pitiguaras, inimigos dos tabajaras;
- ele tem uma moça que espera por ele em Portugal;
- Irapuã, o maior guerreiro da tribo, é apaixonado por ela.

O autor se utiliza de lirismo e de recursos descritivos para mostrar as belezas e exaltar sua terra. Isso se fará presente, não só nesse livro, mas em grande parte das obras de Alencar. Sobre Iracema, Machado de Assis irá dizer que trata-se de prosa em forma de poesia, por causa da valorização da natureza, dos adjetivos e da linguagem. Para exaltar a beleza de Iracema, o autor a compara sempre com a natureza daquelas terras.

                Iracema foi uma obra importantíssima na literatura nacional, e a temática desse livro continuou em diversos movimentos artísticos posteriores. Na literatura, através dos poemas de Olavo Bilac (Parnasianismo) e das obras de Mário de Andrade (Modernismo), e através das músicas de Caetano Veloso (Tropicalismo) e de Chico Buarque.