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Bufo & Spallanzani (Rubem Fonseca)


Bufo & Spallanzani é um romance repleto de citações e sobre outros autores e livros, além de muitas digressões sobre a arte de escrever narrativas. Enfim, tal obra literária está, sempre que possível, fazendo referências à própria literatura, o que, em outras palavras, costumamos chamar de exercício da função metalingüística. 

lvan Canabrava narra acontecimentos de sua vida em flash-back. Ora a nós leitores, ora a Minolta, sua namorada, amiga, amante e confidente. Várias histórias se entrelaçam, se misturam nesse enredo de Rubem Fonseca. O livro se divide em cinco grandes partes: Foutre ton encrier, Meu passado negro, O refúgio do Pico do Gavião, A prostituta das provas e A maldição. Essas partes correspondem a episódios da vida do narrador. Cada uma delas poderia ser independente caso não houvesse um fio narrativo condutor. 

No primeiro episódio, Foutre ton encrier, o escritor Gustavo Flávio conta a Minolta sua relação com Madame X. Compõe-se de seis capítulos. Madame X, mais tarde revelada como Delfina Delamare, é uma bela e casada grã-fina por quem o narrador se apaixona. Delfina é encontrada morta. O detetive Guedes suspeita de Gustavo Flávio, porém não tem provas contra ele. A princípio, levanta a hipótese de suicídio, porém após os exames periciais comprova-se o homicídio. O marido de Delfina, o ricaço Eugênio Delamare, tem interesse na idéia de homicídio. No capitulo 5, Gustavo Flávio revela a identidade de Madame X a Minolta. Conta também que recebera, antes da morte de Delfina, a visita ameaçadora do marido traído. No último capitulo. Gustavo Flávio é convidado a depor como um dos suspeitos do assassinato de Delfina Delamare. 

O segundo episódio — Meu passado negro — volta ao passado de Gustavo Flávio. Antes de ser Gustavo Flávio, o escritor havia sido professor primário, amante de Zilda. Seu nome: lvan Canabrava. lvan passa a trabalhar numa firma de seguros, que deverá pagar um prêmio altíssimo a Clara Estrucho, viúva de Maurício Estrucho, que fez o seguro poucos meses antes de morrer. Desconfiado, lvan começa a investigar o caso. Descobre, no lixo encontrado no apartamento abandonado do casal Estrucho, um sapo morto e um ramo de flores murchas. Com a ajuda de Ceresso, presidente da Associação Brasileira de Proteção ao Anfíbio, lvan Canabrava descobre também que o veneno do sapo, da espécie Bufo marinus, associado ao sumo da planta, causa catalepsia profunda. Excitado pela descoberta da fraude, lvan não percebe o descaso de seu chefe e entrega-lhe o relatório completo de suas investigações. No entanto, sob suspeita de loucura, lvan não tem crédito e parte para a experiência da catalepsia. Mesmo com seu próprio atestado de óbito, lvan não consegue convencer o chefe. Não desiste, porém: vai ao cemitério acompanhado por Minolta, Siri e Maria, seus amigos hippies, para abrir o túmulo onde estaria Maurício Estrucho. Na ocasião são surpreendidos pelo coveiro e, para calá-lo, lvan o agride, matando-o sem querer. lvan é preso e considerado louco. Vai para o Manicômio Judiciário, de onde foge com a ajuda de Minolta e Siri. Passa então dez anos escondido com Minolta. lvan Canabrava adota o pseudônimo de Gustavo Flávio (uma homenagem ao escritor francês Gustave Ftaubert), engorda trinta quilos, torna-se escritor famoso e aprende a amar as mulheres. Por sugestão da sua segunda companheira, volta ao Rio de Janeiro. No final da segunda parte, o narrador retoma o relato sobre seu romance com Delfina Delamare. Minolta observa que o escritor está sentindo dificuldades para começar a escrever seu romance Bufo & Spallanzani e sugere a Gustavo Flávio que se recolha ao Refúgio do Pico do Gavião. 

O terceiro episódio poderia constituir-se em outra história, não fosse também vivenciada por Gustavo Flávio. O Refúgio do Pico do Gavião refere-se à conturbada estada do escritor nesse lugar. Há outros hóspedes: um elegante casal de bailarinos, Roma e Vaslav; um maestro e sua esposa prima-dona, Orion e Juliana Pacheco; um rapaz magro e tímido, Carlos; duas "primas", Suzy e Euridice, que são, na verdade, amantes. Além dos hóspedes, outras personagens participam da trama: Trindade, proprietário do lugar, e D Rizoleta, sua mulher. Numa conversa entre os hóspedes, o maestro questiona o talento dos artistas literário defendendo a idéia de que qualquer um pode ser escritor. A isso Gustavo Flávio responde com um desafio: dá um tema aos presentes, que deverão desenvolvê-lo numa narrativa e apresentá-lo. O maestro, Roma e Suzy aceitam o desafio. O escritor escreve as primeiras linhas de Bufo & Spallanzani: é uma história de homens e sapos. A propósito, começa a perceber-se a ligação do romance com o titulo: Bufo marinus é a espécie de sapo encontrada por lvan Canabrava; Spallanzani foi um biólogo italiano do século XVIII que estudava a circulação sanguínea, a digestão e os animais microscópicos. A Experiência que o escritor deseja relatar em seu romance tem como personagens dois sapos, Bufo e Marina (qualquer semelhança será mera coincidência?), cobaias de Spallanzani. Ao mesmo tempo, os hóspedes do Refúgio separadamente mostram a Gustavo Flávio suas narrativas que, segundo o narrador, são autobiográficas. Constata-se que realmente escrever é muito difícil. Durante este episódio, acontece outro crime: Suzy é encontrada morta. Ao mesmo tempo, Minolta recebe um aviso sobrenatural e resolve procurar Gustavo Flávio no Refúgio. O detetive Guedes também vai ao encontro de Gustavo Flávio. 

O quarto episódio divide-se em três capítulos: neles começa a ser desvendado o assassinato de Delfina. Guedes descobre que o assassino confesso não matara a grã-fina e deixa-o em liberdade. O farsante fora pago por Eugênio Delamare, o marido traído, para que o caso fosse encerrado na policia. Guedes, em suas andanças pelo local do crime, encontra Dona Bernarda e seu cão Adolfo. Ela é a testemunha de que Guedes precisa para incriminar Gustavo Flávio. 

A última parte, intitulada A maldição, está reservada para o clímax e o desenlace. Ë dividida em oito capítulos. No primeiro capítulo, o narrador faz considerações sobre o gênero do romance em geral. Faz também reflexões sobre a dificuldade de concluir-se uma história. No segundo capitulo, o relato do Refúgio do Pico do- Gavião é retomado. Descobre-se que o assassino de Suzy é Euridice e que Carlos é a Maria da narrativa que Suzy contara tendo como mote o tema dado por Gustavo Flávio. Segundo Suzy, Maria era casada com José. Os dois fizeram um pacto de amor: quem traísse o companheiro seria morto pelo outro. Maria, então, por ter atentado contra a vida do marido, disfarçara-se em Carlos. Após solucionado o caso, as personagens retornam ao Rio de Janeiro. Guedes avisa a Gustavo Flávio que passará em sua casa. Na visita, Guedes comunica a Gustavo Flávio que o vigarista preso pelo crime da ricaça havia sido assassinado e que a vítima seguinte seria ele. Gustavo Flávio, então, arma-se e aguarda o marido enganado. Nesse interím, o escritor apaga de seu computador os dados do arquivo para o romance que tentara escrever. Eugênio Delamare consegue aprisioná-lo e corta suas bolsas escrotais. Durante a tortura, Guedes chega com policiais. Após o tiroteio, Guedes e Gustavo Flávio sobrevivem, os demais morrem. Finalmente, Gustavo Flávio conta a Minolta quem é o verdadeiro assassino de Delfina. Quando Delfina descobrira que tinha leucemia, decidira que não acabaria da maneira suja, dolorosa e humilhante que a morte escolhera para ela. Resolvera matar-se. Mas a coragem lhe faltava. Convencera, então, Gustavo Flávio a fazer isso por ela. Confessando pormenorizadamente o crime, tenso, ele termina a narrativa dirigindo-se a Minolta. 

Sobre:

É importante compreender o desdobramento da personagem protagonista para articular os episódios entre si. O fio narrativo, que corresponde ao fato transformador da vida de lvan, encontra-se na figura do sapo. Bufo, além disso, possui outro sentido: significa, segundo o dicionário do Aurélio, "ator ou personagem de comédia ou farsa encarregado de fazer rir o público com mímicas, esgares, etc". Desde o início da narrativa, o narrador se denomina glutão, sátiro e atacado por satiríase. Sátiro, convém lembrar, é, na mitologia pagã, um semideus lúbrico habitante das florestas, e que tinha chifres curtos e pés e pernas de bode; no sentido figurado significa homem devasso, luxurioso, libidinoso. Satiríase, por sua vez, é um termo da área médica, que significa excitação sexual masculina mórbida. Pode-se fazer, portanto, uma relação entre o impulso de escrever e o impulso ou excitação sexual. A narrativa parece jorrar, em sua complexidade como um jato em que as partes se articulam e apresentam o quadro fabular e suas personagens.

Bom Crioulo (Adolfo Caminha)


Análise da obra

O romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, faz parte do Realismo e do Naturalismo. A história de paixão e tragédia não é produto de fantasia romântica, mas baseada num fato real que escandalizou o Rio de Janeiro no século XIX.
Caminha constrói a partir de um fato verídico, uma ficção forte, ousada, muito atual até os dias de hoje. Fez isso para chocar e se vingar da sociedade hipócrita que o rodeava.
Bom-Crioulo, publicado em 1895, é dividido em 12 capítulos, onde a ação se passa na segunda metade do século XIX, no Rio de Janeiro. Destacam-se o espaço aberto, normalmente dias claros e quentes, o mar aberto, e o espaço fechado do quartinho de Amaro.
Boa parte da força e da eficácia de Bom-Crioulo está no manejo lúcido que o autor faz desses conflitos, escolhendo o quê, quando e como contar deste verdadeiro enredo de notícia de jornal sensacionalista. A narrativa é simples e direta, mas tem as suas manhas: não entrega o jogo facilmente, cria suspenses, vai e volta no tempo, de modo a dar a cada momento, a cada situação, a sua atualidade e a sua história, o seu desenvolvimento próprio. Assim, o enredo central se desdobra em alusões a muitas outras histórias; e o dia-a-dia do século XIX brasileiro se insinua a cada passo, fazendo ecoar as falas e as ações das personagens centrais.
A intenção do romance resume-se em acompanhar as personagens em seu movimento, como se fosse o expectador que registra a evolução do drama alheio sem interferir. Nele tudo caminha numa ordem inalterável até o epílogo, com uma supervalorização do instinto sobre os sentimentos, do animal sobre o racional.

Foco narrativo

Narrado em 3ª pessoa, por narrador onisciente, percebe-se que as inúmeras descrições que aparecem no romance, condizentes com a estética naturalista que privilegia a observação meticulosa dos fatos, buscam não se confundir com a história, nem com as personagens.
Preso aos ideais do escritor naturalista — exatidão na descrição, apelo à minúcia e culto ao fato — o narrador conta a história de modo linear, gradativo, utilizando-se de uma linguagem clara, direta, objetiva, com poucos objetivos. O que será importante são os fatos narrados e não a opinião que se pode ter sobre eles. Não há, portanto, da parte desse narrador, qualquer julgamento moral das personagens.
A história quase se narra por si, pela exposição direta dos fatos, que vão montando a estrutura narrativa, ou seja, a história das três personagens envolvidas num caso de amor: Amaro, Carolina e Aleixo.

Temática

O tema principal é a dificuldade do amor homossexual, centrado na relação entre o negro Amaro e o jovem e bonito Aleixo. Faz presente também o tema da mulher madura que deseja um amante jovem. A originalidade de Bom-Crioulo se manifesta no triângulo amoroso sobre o qual se sustenta. Tradicionalmente, um triângulo amoroso é composto por dois homens em luta por uma mulher, ou duas mulheres que disputam o mesmo homem. Em Bom-Crioulo, Amaro e Aleixo são marinheiros e, acima de tudo, como tal se comportam, favorecendo a anulação das diferenças étnicas, que se dá não pela ascensão do negro fugido, mas pelo rebaixamento de ambos à condição de prisioneiros do mesmo sistema e do “vício”. Por fim, o terceiro do triângulo é uma mulher que atua como homem, pois conquista Aleixo em vez de ser conquistada. Adolfo Caminha colhe ao vivo, de sua experiência como oficial da marinha, o material do romance.
Este tema do romance, o homossexualismo, manifesto na construção do triângulo amoroso, é tratado com crueza e sem nenhum indício de preconceito pelo escritor naturalista, que vê no vício um objeto de estudo que deve ser esclarecido e compreendido.
O homossexualismo, encarado no romance como vício ou perversão, é tratado, portanto, através de um olhar naturalista e, conseqüentemente, limitado: não há o enfoque mais subjetivo dos sentimentos despertados; não há autonomia do caráter: as personagens estão acorrentadas às leis deterministas (não há drama de consciência ou mesmo drama moral). Há uma resposta mecânica, instintiva aos fatos e, nesse sentido, o livro perde um lado da questão, o que não esmaece sua força e valor literário.
Outro tema é a problemática da vida dos marinheiros, que ficam a maior parte do tempo longe da terra e de mulheres, o sofrimento dos castigos corporais impiedosos e rigorosos. Este é a temática que se entrelaça com o tema central.

Tempo e espaço

O romance se passa em dois espaços: no mar, a bordo de uma corveta, e na Rua da Misericórdia, localizada nos subúrbios do Rio de Janeiro, nos fins do século XIX. Os dois lugares são descritos em seus aspectos mais degradantes e negativos, ressaltando a miséria daqueles que aí vivem.
A abertura do romance se faz com uma detalhada descrição da corveta, local inicial da ação.
Por meio de uma descrição minuciosa e da riqueza de detalhes que ajudam a compor o ambiente externo, percebe-se como o autor naturalista se debruça sobre o meio que terá um papel decisivo no comportamento das personagens.
O ambiente de bordo é marcado pelo trabalho duro e por uma vida sem privacidade, o que possibilita a eclosão das mais diversas perversões. O ajuntamento de homens favorecia a promiscuidade entre seres que vivenciam a solidão da reclusão da vida no mar e que, sobretudo, sentiam a falta de liberdade, vítimas de um sistema duro e cruel - a vida na Marinha:
Mas, havia ordem para não desembarcar, e Bom-Crioulo, como toda a guarnição, passou a tarde numa sensaboria, cabeceando de fadiga e sono, ocupado em pequenos trabalhos de asseio e manobras rudimentares. - Diabo de vida sem descanso! O tempo era pouco para um desgraçado cumprir todas as ordens. E não as cumprisse! Golilha com ele, quando não era logo metido em ferros... Ah! Vida, vida!... Escravo na fazenda, escravo a bordo, escravo em toda parte... E chamava-se a isso servir á Pátria!
Por esse trecho, pode-se notar uma crítica implícita a Abolição dos Escravos que parece não passar de uma ilusão, já que os homens provenientes das camadas mais baixas da população continuam a ser explorados.
Num segundo momento, a história se desloca para a terra, mais precisamente para um quarto na Rua da Misericórdia, onde Amaro e Aleixo, após terem se conhecido no navio, vivem o ápice e o declínio de seu relacionamento.
Ao retratar o espaço urbano, Adolfo Caminha fala a respeito de um tipo de moradia muito comum no Rio de Janeiro, durante o final do século XIX: as habitações coletivas. Os habitantes dessas moradias eram brancos, mulatos e mestiços, sempre pessoas exploradas. Ao redor dessas habitações, há a presença de negociantes portugueses em ascensão, como o açougueiro que sustenta D. Carolina, e que se aproveitam, de algum modo, da miséria dessas pessoas.

Desse modo, o comportamento das personagens está condicionado pela pobreza do ambiente que as circunda e que, por sua vez, é decorrente do momento histórico por que passava o Brasil, durante o Segundo Reinado.

Personagens

Em Bom-Crioulo, Caminha constrói com segurança e coerência o personagem Amaro, mulato dominado pela paixão homossexual, que o leva para caminhos sadomasoquistas à perversão e finalmente ao crime. O autor soube manejar as cenas e personagens com naturalidade.
As personagens de um romance naturalista raramente são dotadas de alguma profundidade psicológica. Muito próximas dos tipos, também chamados de personagens planas, não evoluem no decorrer da narrativa, de forma que suas ações apenas confirmam as poucas características que as definem.

Amaro: protagonista, ex-escravo convocado para a marinha. Trata-se de um homem muito forte, com trinta anos de idade e que não conseguiu realizar-se sexualmente com as mulheres. Duas tentativas deram-lhe grande decepção e o deixaram frustrado. Só conseguiu consumar o ato com o jovem Aleixo. Apresenta certa profundidade psicológica, mas que é totalmente envolvido por sentimentos e instintos que o dominam, impedindo-o de perceber com clareza a situação conflituosa que vive. Algumas vezes, surgem percepções esparsas, mas nada suficientemente forte para modificar o destino do negro, movido pela paixão. Por um lado, Amaro é extremamente forte fisicamente. Sua força provém do trabalho escravo e depois do trabalho na Armada, em que se engajara após ter fugido da fazenda. Os castigos físicos que lhe foram impostos, tanto pelo feitor quanto a bordo, tornaram-lhe resistente e lhe deram a energia de um animal brioso. A força do negro é realçada pelo narrador, numa das cenas iniciais do romance, por meio da descrição de uma cena em que Amaro está sendo punido com a chibata: — Uma! cantou a mesma voz. — Duas!.., três!...

Aleixo: grumete, belo rapaz de olhos azuis, que embarca no sul. Tem quinze anos e mexe sexualmente com Amaro. Cede às investidas e caprichos do crioulo, mas quando aparece ocasião troca-o por uma mulher. Isso o leva ser assassinado por Amaro, por causa do ciúme. Aleixo surge desde o princípio como o oposto de Amaro: branco, fisicamente fraco e pueril, subjugado pelas circunstâncias e por quem lhe é mais forte — será assim com Amaro e com Carolina. O ar de submissão de Aleixo vai transfigurando-se, ao longo da narrativa, numa espécie de esperteza camaleônica. Nada sabemos sobre seu passado, a não ser que era filho de uma pobre família de pescadores que o tinham feito entrar para a Marinha em Santa Catarina. A ligação com Amaro oferece-lhe um novo mundo, bastante diferente daquele de sua origem, e que lhe propicia, acima de tudo, favores e proteção.

D. Carolina: amiga e rival de Amaro. É amiga de Amaro por tê-lo salvo em um assalto e inimiga por depois conquistar o namorado do crioulo. D. Carolina era uma portuguesa que alugava quartos na Rua da Misericórdia somente a pessoas de “certa ordem”, gente que não se fizesse de muito honrada e de muito boa, isso mesmo rapazes de confiança, bons inquilinos, patrícios, amigos velhos... Não fazia questão de cor e tampouco se importava com a classe ou profissão do sujeito, Marinheiro, soldado, embarcadiço, caixeiro de venda, tudo era a mesmíssima cousa: o tratamento que lhe fosse possível dar a um inquilino, dava-o do mesmo modo aos outros. D. Carolina revela-se, desde o inicio, uma mulher de negócios, cuja mercadoria era seu próprio corpo. Teve seus revezes e conseguiu se reerguer, observando como poderia lucrar com os outros, já que também lucravam com ela. No entanto, vive só.

Herculano: marinheiro dotado de certa melancolia. Relaxado, tinha as unhas sujas. Evitava a companhia dos outros. Foi preso e castigado por ter sido apanhado se masturbando.

Agostinho: o guardião. Homem de grande estatura, reforçado, especialista em dar chibatadas. Ama sua profissão, por isso permanecia a maior parte do tempo a bordo.

Santana: marinheiro que sofreu castigo por ter brigado com Herculano. Era gago, chorava com facilidade e era manhoso.

Enredo

A obra Bom-Crioulo não padece das inverosimilhanças de A Normalista, do mesmo autor. Mais denso e enxuto, apresenta um ótimo retrato da vida de marinheiros durante a 2ª metade do século XIX, no Rio de Janeiro. A personagem principal, o mulato Amaro, é bastante coerente em sua passionalidade. Vários episódios do romance também refletem a própria vivência do autor a bordo de navios, registrando a aspereza da vida no mar, da brutalidade dos castigos corporais, já denunciados por Caminha em seu tempo de estudante.
O romance realça pela originalidade da situação dramática: dois marinheiros - Amaro, apelidado o Bom-Crioulo, um “latagão de negro, muito alto e corpulento, figura colossal de cafre... com um formidável sistema de músculos” e Aleixo “um belo marinheiro de olhos azuis” - brutalizados e solitários pela vida a bordo de um navio, afeiçoam-se e entretêm relações homossexuais. Ao desembarcarem na cidade do Rio de Janeiro, vão viver em um cômodo alugado por uma portuguesa, ex-prostituta, D. Carolina. Mas o idílio amoroso entre Amaro e Aleixo é interrompido pelo dever de voltar ao mar.

Bíblia Sagrada (Vários autores)


A Bíblia em Geral

(Resumo das passagens mais importantes)

  • Foi no seio do povo hebreu que nasceu a Bíblia. Ela divide-se em Antigo  e novo testamento. Em toda a bíblia vemos que se trata da aliança feita por Deus com os homens, principalmente por intermédio de Moisés e em seguida pelo ministério de Jesus Cristo.

  • O antigo testamento divide-se em três partes:
Ø   A Lei (Torá) que contém cinco livros (chamados mais tarde de Pentateuco): Gênesis (Livro das origens), Êxodo (O assunto principal é a saída do Egito), Levítico (Coleção de prescrições rituais relativas ao culto público e privado), Números (Narrações da permanência dos hebreus no deserto), Deuteronômio (Coleção de discursos e de exortações à fidelidade para com Deus).
Ø  Os profetas: Livros históricos
Ø  Os escritos: Salmos, na maioria do Rei Davi, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras e Neemias e Crônicas.


  • A Bíblia católica divide os 46 livros do antigo testamento:
  1. O Pentateuco (isto é, a lei). São os cinco primeiros livros (gênesis, Levítico, Números e Deuteronômio), onde Moisés narra a criação do mundo e os primórdios da história do povo hebreu.
  2. Os livros históricos
  3. Os livros sapienciais
  4. Os livros proféticos
  • O novo testamento, com 27 livros, é dividido em:
1.    Cinco livros históricos: quatro evangelho segundo S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João e         Atos dos Apóstolos. Os evangelhos narram a vida de Jesus Cristo, que procurou mostrar aos judeus e à humanidade o caminho que deviam seguir.
2.    Vinte e uma cartas dos apóstolos
3.    Um livro profético: o apocalipse de S. João

Gênesis


  • Deus é o criador do mundo e é distinto do universo. O homem (Adão) foi criado da terra, mas animado de um sopro de vida. Contudo, seduzido pelo poder da mentira, (onde Eva, a mulher, o fez comer o fruto proibido por Deus) desobedece à Deus para querer tornar-se igual à ele. Dessa forma, o pecado entrou no mundo. O homem foi excluído do Paraíso do Éden.
  • O homem continua no pecado e comete o seu primeiro crime quando Caim mata Abel; ambos são filhos de Adão e Eva.
  • Sobrevém  o dilúvio, onde pediu à Noé que fizesse uma arca pois haveria de chover quarenta dias e quarenta noites. Noé, sua família e vários animais foram salvos.

A Torre de Babel


  • Toda a terra tinha uma só língua. Alguns homens partindo para o oriente começaram à construir uma cidade e uma torre cujo cimo atingisse os céus. Mas o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que construíram e disse: Eis que são um só povo, disse ele, e falam uma só língua, com isso futuramente poderão executar todos os seus empreendimentos. Então, o Senhor confundiu a linguagem de todos, fazendo com que eles se dispersassem pela face de toda a terra e cessassem de construir a cidade. Por isso, deram-lhe o nome de Babel, ou seja, Torre de Babel.

  • Sodoma e Gomorra são supostas cidades que de acordo com a Bíblia, teriam sido destruídas por Deus com fogo e enxofre descido do Céu. Os seus habitantes eram cananeus. Segundo o relato bíblico, as cidades e seus habitantes foram destruídos por Deus devido a tantos pecados. Antes disso, Lot (filho do irmão de Abraão) havia sido avisado para não olharem para trás, ele e sua mulher. Porém, quando começou a destruição, a mulher de Lot olhou para trás e e ficou no mesmo instante convertida em uma estátua de sal. A expressão "Sodoma e Gomorra", se aplica por extensão as cinco cidades-estados do Vale de Sidim, no Mar Salgado ou Mar Morto. Eram elas: Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Bela (também é chamada de Zoar).  Sodoma e Gomorra, segundo o Antigo Testamento são duas antigas cidades próximas ao mar Morto. Diz-se que foram destruídas devido à indecência e às perversas práticas sexuais de seus habitantes. No livro de Deuteronômio, cap 29, versículo 24 a 27, diz que Sodoma e Gomorra foram destruídas porque serviram a outros deuses.

Os Hebreus e o monoteísmo religioso

  • A primeira parte da Bíblia; o Antigo Testamento narra a história do povo hebreu, desde sua formação até a sua dispersão pelo mundo. A história deste povo tem início com Abraão, descendente de Sem, patriarca de um clã fixado nas proximidades da cidade de Ur, na Caldéia.
  • Conta a Bíblia que Deus -  a quem os hebreus chamavam Javé (ou Jeová) apareceu a Abrão, fazendo com ele um pacto. De acordo com este pacto, Abrão deveria ir com sua família em busca de outro local para viver, a “Terra prometida”. Em troca Javé daria a Abraão uma descendência mais numerosa que as estrelas do céu e a faria dela a maior de todas as nações.
  • A terra prometida ou Terra de Canaã localizava-se na Palestina, conhecida como crescente fértil.
  • Por volta do ano 1900 ac. O patriarca Abraão partiu em busca da terra prometida. Estava com sua mulher Sarai e Lot, filho de seu irmão.
  • Abraão e Lot se separaram. Abraão fixou-se na terra de Canaã  e Lot nas cidades da planície até Sodoma, onde seus habitantes eram perversos e pecadores diante do senhor.
  • Deus, estando insatisfeito com Sodoma, destruiu-a com uma chuva de enxofre e de fogo. Deus permitiu apenas que Lot e sua mulher saíssem da cidade. Um anjo havia avisado antes para eles que não olhassem para trás durante a destruição da cidade, mas a mulher de Lot olhou para trás e se transformou em uma coluna de sal.
  • Sarai não podia ter filhos e pediu a Abraão que dormisse com sua escrava egípcia para lhe nascer um filho e sendo assim, nasceu Ismael. Deus disse à  Abraão: “Não chamarás mais a tua mulher Sarai e sim Sara”. Depois de um tempo, apareceram três anjos à Sara e Abraão e disseram: “Voltarei à tua casa dentro de um ano, e Sara tua mulher, terá um filho”. Sara riu pois já estava na velhice. E depois desse tempo, nasceu Isaac.
  • Depois de um tempo, Deus, querendo testar a fidelidade de Abraão pediu o sacrifício de Isaac: o Holocausto. Abraão obedecendo a Deus estava quase sacrificando o filho quando o anjo do senhor gritou e não deixou que Abraão o fizesse. Deus viu que Abraão realmente temia a Deus.
  • Sara fez com que Ismael fosse embora. Deus deixou porque seria de Isaac que nasceria a posteridade. Sara morre.
  • Passados anos, Abraão pediu a um escravo que voltasse em sua terra natal e procurasse uma mulher para o filho Isaac. O escravo foi e trouxe Rebeca para Isaac.
  • Abraão tomou outra mulher e teve outros filhos que ele lhe deu presentes mas sua herança deu a Isaac. Abraão viveu 175 anos e morreu.
  • De Isaac e Rebeca nasceram 2 filhos gêmeos: Esaú que saiu primeiro e Jacó.
  • Esaú e Jacó cresceram. Isaac já velho e sem visão abençoa Jacó que lhe trouxe um prato especial. Porém Isaac preferia Esaú e foi a ele que tinha lhe pedido esse prato especial. Rebeca que gostava mais de Jacó fez com que ele se passasse por Esaú e servisse primeiro o pai. Esaú ficou irado ao saber depois e quis matar Jacó. Então Rebeca pediu que Jacó passasse uns tempos na casa do irmão dela, em Harã.
  • Jacó teve que se casar com as duas filhas do irmão de Rebeca, o Labão. Ficou por lá durante 20 anos e teve vários filhos. Jacó enriqueceu e volta para Canaã. Seu irmão já o havia perdoado. Antes de chegar, no caminho, Jacó lutou com um anjo que lhe apareceu e vençeu. O anjo disse-lhe que agora o nome do  Jacó seria Israel que quer dizer “aquele que luta com Deus”.
  • Isaac morreu com 180 anos. Jacó se fixou na terra de Canaã. Teve doze filhos no total com as filhas Lia e Raquel (de Labão). Seus filhos deram origem às doze tribos de Israel.
  • Divididos por dois reinos, o de Judá e o de Israel que é descrito como infiel ao seu Deus por sempre estarem se aliando aos Reis da Mesopotâmia e assimilando suas culturas religiosas.
  • Judá é mais importante (segundo a Bíblia) pela vocação de liderança religiosa entre os dois reinos. Mas por trás dessa vocação religiosa, houve sim um grande desejo do reino de Judá em unificar toda a região tomando posse das terras de Israel, justificado pela própria geografia de Israel que era mais rica que a do reino de Judá.
  • José, o filho mais amado de Jacó (pois era o filho da sua velhice) despertava ódio em seus irmãos. Um dia eles queriam matar a José num deserto mas viram uma caravana de ismaeleitas que iam para o Egito; então resolveram vendê-lo por 20 moedas de prata. José, então, foi levado para o Egito.
  • O faraó do Egito simpatizou-se com José e confiou-o todos os seus bens, entregando todos os seus negócios a José.
  • Um dia o faraó teve um sonho: sonhou que 7 vacas feias e magras devoraram 7 vacas belas e gordas. Sonhou ainda com 7 espigas magras que devoraram 7 espigas grossas e belas. Ninguém soube interpretar o sonho; apenas José que Deus falava por ele. José disse que Deus revelou o que iria fazer: haveria sete anos de grande abundância para todo o Egito e que viria em seguida sete anos de miséria.
  • Sendo assim, o faraó colocou José à frente do seu povo e durante os anos de fartura, foi recolhida a quinta parte das colheitas do Egito para armazenar antes dos anos de miséria.
  • Nesta época, quando chegaram os anos de miséria, todo o povo ia ao Egito comprar alimentos para a sobrevivência. Diante da grande fome também em Canaã, os hebreus, os irmãos de José foram para o Egito comprar alimentos e lá encontraram José, rico e poderoso pois já era o governador de toda região. José chorou ao ver os irmãos e pediu a eles que trouxessem toda a sua família para o Egito. Foi assim que os hebreus emigraram para o Egito. Os hebreus começaram, então a multiplicar-se.
  • Jacó morreu e anos após José também morreu com 110 anos.
  • O trono do Egito teve um novo rei. Este rei, vendo que o número de hebreus aumentava muito e poderiam vencê-los em uma guerra, ordenou a matança de todos os filhos recém-nascidos dos hebreus que fossem do sexo masculino. O faraó ordenou que todos os meninos fossem atirados no rio Nilo.
  • A filha do faraó encontrou um menino em um cesto no rio e se encantou por ele. Então o adotou, dando-lhe o nome de Moisés, que quer dizer “o salvo das águas”. Moisés foi criado na corte egípcia e era ele filho de um hebreu.
  • Já adulto, vindo a conhecer a sua origem, Moisés revoltou-se com a perseguição dos egípcios ao seu povo que viviam escravizados em duros trabalhos. Deus, então, apareceu à Moisés e pediu que ele fosse até o faraó para pedir permissão de retornar o povo hebreu à terra de Canaã.
  • Como o faraó endurecia o coração, Deus fez através de Moisés que muitas pragas acontecessem no Egito, exceto ao povo hebreu. Depois de muitas pragas, como rãs, mosquitos, úlceras, gafanhotos, trevas, etc. o faraó deixou-os ir. Mas Deus endureceu o coração do faraó para que ele perseguisse o povo hebreu. Deus quis triunfar gloriosamente sobre o faraó e seu exército para que os egípcios soubessem que Deus é o Senhor. Por isso, durante a travessia do povo hebreu ao mar vermelho, Deus fez com que as águas do mar se voltassem sobre os egípcios que os perseguiam. Apenas o povo hebreu conseguiu atravessar.
  • O regresso dos hebreus à “Terra de Canaã” recebeu o nome de Êxodo.
  • De acordo com a Bíblia, foi durante a travessia do deserto que, no Monte Sinai, Moisés recebeu de Deus as duas “Tábuas da lei”, onde estavam escritos os Dez mandamentos (ou decálogo). Êx.20.
  • Depois de tempos, ainda no deserto, Moisés morre aos 120 anos, sem entrar na terra de Canaã.
  • Josué, filho de Num ficou cheio do espírito de sabedoria porque Moisés lhe tinha imposto as suas mãos. Depois de 40 anos no deserto, os israelitas empreenderam a conquista da palestina pela tomada de Jericó pelo ano 1200. Josué morre aos 110 anos.
  • A terra ocupada foi distribuída em doze territórios de acordo com as doze tribos, as quais foram se estabelecendo nas montanhas e vales de Canaã. Seguiu-se um período difícil de caracterizar. Os israelitas viviam em lutas contínuas com os antigos moradores dessas regiões. Esse período de juízes, durou cerca de 200 anos.
  • Destaca-se nesse período, a história de Sansão, homem forte que segurou a boca de um leão. Contando o segredo de sua força à Dalila que eram os seus cabelos, os filisteus o atacaram e cortaram seus cabelos, furando-lhe os olhos. Sansão foi preso e seu cabelo cresceu novamente; então se vingou sacudindo o templo dos filisteus, matando a todos os príncipes dos filisteus, inclusive a ele mesmo. Sansão fora juiz em Israel durante vinte anos.
  • Samuel, profeta do Senhor, foi juiz em Israel durante toda a sua vida. Samuel foi o último juiz e concedeu ao povo a Constituição de um Reino.
  • O principal Rei Judeu, e o mais justo foi Davi.
  • Os filisteus prosseguindo dominar a região dos hebreus, conseguiram tomar boa parte do seu território. Saul, o primeiro “Rei dos hebreus” não conseguiu derrotá-los, sucedendo-o Davi, famoso por ter derrotado o gigante Golias, que era um campeão filisteu, um homem de guerra. Davi foi escolhido por Deus. Ele era filho de Isaí, de Belém. Davi foi guerreiro, tocador, adorador, rei, profeta, dançarino, amante, salmista, músico. Davi se derretia na presença do Senhor e tinha o coração como água. Por isso conquistou o Senhor. Mas depois sucumbiu aos chamados do mundo, assassinando e destruindo, pondo a perder tudo o que conquistara espiritualmente.
  • Davi vençeu os filisteus conseguindo unificar as 12 tribos num estado forte. Davi reinou 40 anos.
  • À Davi, sucede, Salomão, seu filho, que organiza o reino de Israel, faz aliança com o Egito e com Tiro e constrói o templo de Jerusalém e o Palácio Real. Salomão, notável por sua sabedoria levou os hebreus à prosperidade.
  • A sabedoria de Salomão era divina. Foi ele quem fez a sentença das duas mulheres que afirmavam ser mãe do mesmo filho. A mulher que não deixou  que o filho fosse dividido ao meio, esta, afirmou Salomão, é a mãe verdadeira. Com o passar do tempo Salomão abandonou a Deus e passou a adorar falsos deuses e feiticeiros pagãos, esquecendo quem lhe tinha dado tudo o que possuia. Salomão reinou Israel durante 40 anos, em Jerusalém. Roboão, seu filho, tornou-se rei em seu lugar. Nesse reinado há entre as tribos uma dissensão que termina com um cisma: as dez tribos do norte separam-se das de Judá e de Benjamim para construir um reino independente. Esse reino do norte durará cerca de dois séculos, tendo por capital a cidade de Samaria, conquistada por Sargon II.
  • Vieram muitos reis, sendo Oséias, o último rei de Israel.
  • Deus lançou para longe de sua face os israelitas porque estes adoraram outros deuses e se afastaram dos mandamentos do Senhor. Essa foi a ruína de Israel.
  • O Livro das leis considerado ter sido escrito nos tempos de Moisés, foi reencontrado misteriosamente lá pelos anos 700 a.C. em uma reforma do Templo de Salomão. Faziam-se séculos que ninguém sabia desse misterioso desaparecimento! Faziam séculos que ninguém comemorava a Páscoa ! A descoberta do livro da aliança (Livro da lei: Deuteronômio), por um sacerdote, levou o Rei Josias a empreender uma vasta reforma religiosa e social, cujos efeitos foram de breve duração. Josias exigiu de forma radical as reformas religiosas definindo uma identidade própria para seu povo. Após o livro ter sido apresentado ao Rei Josias este passou a exigir que a páscoa voltasse a ser comemorada e destruiu todas as idolatrias, todos os cultos de sacrifício de crianças conforme o Livro das Leis pedia.
  • Mas o reino de Judá foi declinando aos poucos até a expedição de Nabucodonosor que em 598 se apodera de Jerusalém. Ele transforma a Judéia em um  estado vassalo, leva uma parte da população para Babilônia (onde era rei) e estabelece um vice-rei: Sedecias. Mas como este se revolta, Nabucodonosor toma uma segunda vez a cidade de Jerusalém e a incendeia em 589. A quase totalidade da população é então deportada para a Mesopotâmia, ficando o País sob um governo caldaico.
  • O exílio dos israelitas durou, até que Ciro, rei dos persas autorizou em 538 aos judeus deportados voltarem novamente à Judéia. Esses judeus, assim que se foram estabelecendo em Jerusalém, começaram a reconstruir o templo. Os israelitas, privados de seus reis, procuram organizar-se em uma comunidade religiosa, a aliança divina aparece então restabelecida.
  • No livro de Tobias, mostra que Tobias (filho de Tobit), homem bom e caridoso, o filho Tobias fez uma viagem a pedido do pai para receber um peso de prata (dinheiro) de um velho amigo. Então, apareceu “Rafael”, um anjo      que o ajudou na viagem. Rafael fez com que Tobias, durante a viagem conhecesse e se casasse com Sara que era infeliz pois já havia se casado sete vezes e todos os seus maridos morreram. Rafael o ajudou muito: prendeu o demônio que matava os maridos de Sara, conduziu-os de volta e curou a cegueira de Tobit, o pai de Tobias.
  • Em 331, a Palestina inteira é conquistada por Alexandre Magno. Alexandre reinou 12 anos e antes de morrer repartiu o seu império entre os seus escolhidos.
  • A partir de 323, a Judéia passa sucessivamente ao domínio da dinastia dos generais de Alexandre que dividem entre si o grande império grego. Pouco depois, os judeus atravessam um período de grandes tribulações e perseguições por parte do rei da Síria, “Antíoco Epífanes”. É a época da revolta e da guerra santa de libertação, empreendida por Judas Macabeu.
  • A Judéia conhece uma independência que se estende por cerca de um século; sua administração estava nas mãos de um príncipe da família dos Asmoneus, descendentes dos Macabeus.
  • Jó foi um homem que passou por provações de Deus e ainda assim continuou fiel e justo à Deus, mesmo que satanás tenha lhe tirado tudo. Mas tudo o que perdeu, Jó ganhou em dobro de Deus.
  • O Saltério é o livro de oração dos antigos judeus. “Salmo” em hebraico quer dizer louvores. Na numeração dos salmos existe uma divergência entre o texto hebraico e a versão latina da vulgata. Essa divergência provém no texto hebraico da divisão imprópria do salmo 9. A numeração do texto latino, adotada no breviário e no missal romanos, é conservada na presente tradução. Portanto, para saber qual é a numeração do texto hebraico deve-se aumentar de uma unidade o número dos salmos desde o salmo 10 até o salmo 147. Ex: O salmo 22 (versão latina) é o mesmo que o salmo 23 (versão hebraica) nas bíblias evangélicas.
  • O livro dos provérbios é atribuído à Salomão que produziu numerosíssimos provérbios de sabedoria.

Os maiores da Literatura Hebraica:


  • Os salmos, cujo maior autor foi Davi.
  • Os provérbios atribuído à Salomão
  • O cântico dos cânticos, um dos mais belos poemas hebraicos.
  • O livro de Jó, que conta a trágica luta entre o homem e o destino.


Os maiores profetas:

Ø  Isaías: considerado como o maior profeta de Israel. Foi o profeta da justiça. Seus oráculos têm firme esperança num rei glorioso que há de vir e restaurar a ordem no mundo: o messias, o “Príncipe da paz”. As profecias começam no livro de Isaías em diante.
Ø  Jeremias: tímido, coração ardente e sensível, foi o “Profeta das desgraças”. Combatia os pecadores e foi caluniado e preso. Foi símbolo do justo sofredor, tornou-se ele um prenúncio de Jesus Cristo, “O homem das dores”, habituado ao sofrimento por causa dos pecados do seu povo.
Ø  Lamentações: compõe-se este escrito de cinco poemas ou lamentações.
Ø  Baruc: consiste numa magnífica exortação à penitência. Há também um majestoso poema à sabedoria no cap. 3, como único caminho que conduz a salvação.
Ø  Ezequiel: o profeta expõe categoricamente o princípio da responsabilidade e do merecimento pessoal. Nos capítulos 16, 20, 23 há trechos com expressões ousadas. O profeta anuncia a ressurreição de Israel, a restauração do templo e o restabelecimento de uma ordem de coisas, onde reinará a justiça divina.
Ø  Daniel: Daniel é um israelita levado à Babilônia entre os deportados por Nabucodonosor. O livro de Daniel é um dos mais curiosos entre os livros proféticos. Daniel revela sucessivamente o Reino de Deus, mas deixa nos leitores, a incerteza quanto ao tempo. Esse reino, o reino de Deus anunciado também pelos outros profetas, é o que será proclamado e realizado por Jesus Cristo. Daniel subentendeu também a segunda vinda do Senhor no fim dos tempos. São notáveis e interessantes as passagens: O sonho da estátua (cap 2) que fala dos reinos; Os três jovens na fornalha (cap 3); Sonho da árvore e Loucura do rei (cap 4), O festim de Baltazar (cap 5); Daniel na fossa dos leões (cap 6), Visão do carneiro dominado pelo bode (cap 8) principalmente do vers. 19 à 26; A oração de Daniel (cap 9); Os tempos messiânicos (cap 12); A história de Suzana (cap 13); História de Bel e Episódio do dragão (cap 14).


Uma profecia da Bíblia para pensar:


  • Daniel em 538 ªc (7:13-27) predisse: Haverá 4 Reinos: Babilônico (Mesopotâmia), Medo-Pérsia (Pérsa), Macedônico (Grécia antiga) e Romano. E [os últimos] o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado, o de Cristo, que será um reino eterno e não será destruído.
  • Vivemos numa época muito especial e marcante: período em que surgiria a sétima potência mundial da história bíblica. Essa potência é a única mencionada na Bíblia apenas de forma profética, visto que as seis potências anteriores constam no registro histórico da Bíblia. A respeito das sete potências ou “reis”, a Bíblia predisse: “Há sete reis, cinco já caíram, um é, o outro ainda não chegou, mas, quando chegar, tem de permanecer por pouco tempo”. (Apocalipse 17:10).
  • A profecia em Revelação 17:10 complementa outra profecia no livro de Daniel. Ele escreveu sobre uma “enorme estátua” vista pelo rei babilônico Nabucodonosor numa visão dada por Deus (Daniel: 2:28, 31-43). Daniel revelou ao rei que as partes da estátua representavam a sucessão de impérios que começou com a Babilônia, a potência mundial dominante naquela época. (O Egito e a assíria já haviam surgido e saído de cena). A História confirma a seguinte sucessão: a cabeça de ouro da estátua vista representava o Império Babilônico. O peito e os braços de prata retratavam a Medo-Pérsia. O ventre e as coxas de cobre se referiam a Grécia antiga. As pernas de ferro representavam o Império Romano. Os pés, uma mistura de ferro e argila, simbolizavam a falta de união em sentido político e social durante o período da potência mundial anglo-americana. Depois de descrever a estátua mencionada, Daniel escreveu: “Cortou-se de um monte uma pedra, sem mãos, e ela golpeou a estátua nos seus pés de ferro e de argila modelada, e os esmiuçou” (Daniel 2:34). Muitos, hoje em dia associam os Estados Unidos  como uma dessas maiores potências, ou seja, um grande império. Qual o significado dessa visão impressionante?

Ø  Depois vieram outros profetas menores como Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
Ø  Destaca-se o profeta Jonas: Deus pediu à ele que fosse a grande cidade “Nínive” para profetizar. Mas, Jonas fugiu do Senhor; embarcou num navio para “Társis”. Deus, então, levantou uma tempestade no mar. Os marinheiros não sabiam o que fazer para acalmar o mar. Jonas pediu que lhe jogasse ao mar para que o mar acalmasse. O mar se acalmou com Jonas nas águas, mas o Senhor fez com que um grande peixe o engolisse, por três noites no seu ventre. Jonas, então, reconheceu que devia ir à Nínive, como Deus lhe ordenara. Deus, então, fez com que o peixe vomitasse Jonas, na praia. E Jonas foi profetizar   em Nínive.


Quem foi Elias?

  • Elias foi um profeta bíblico que realizou vários milagres em nome de Deus.
  • Anjo subordinado à Jesus Cristo (Arcanjo Miguel), Elias é aquele que sempre precede ao Senhor. Encontra em Malaquias: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”. Também em Mateus 11:14, 17:10-12, entre outros.
  • Elias e João Batista são a reencarnação do mesmo espirito ( segundo Jesus ) .O profeta Elias andava com Deus; sua palavra era poderosa. Ele fez que não chovesse por três dias; destruiu os profetas de Baal, porque adoravam demônios.
  • Antes de Elias ser arrebatado por Deus, ele disse ao seu servo Elizeu: Pede-me o que queres que te darei, e Elizeu pediu a porção dobrada de seu espírito, e assim sucedeu que quando Deus levou Elias numa carruagem de fogo, sua capa caiu do céu e Elizeu pegou e vestiu; assim recebeu a porção dobrada do espírito de Elias. O primeiro milagre que Elizeu realizou foi quando abriu o rio Jordão ao meio.
  • O profeta Elias exerceu ministério profético nos tempos do rei Acabe (rei de Israel) que era casado com uma princesa sidônia chamada Jezabel. Foi Elias quem desafiou os 450 profetas de Baal e os 400 profetas de Asterote. O desafio consistia em que cada um clamasse à seu deus, e o deus que respondesse com fogo descido do céu, este seria o deus verdadeiro. Assim, os profetas de Baal e de Asterote clamaram do romper da aurora até ao meio dia e não obtiveram resposta. Porém Elias consertou o altar do Senhor e quando clamou à Deus, viu descer fogo do céu que consumiu o holocausto. Eliseu foi o sucessor de Elias. Quando foi procurado por Namã, um general sírio que era leproso, recomendou-lhe banhar-se sete vezes no rio Jordão para que ficasse livre da lepra.

  • No ano 63 ªc Pompeu, o grande, invade a Palestina, reduzindo-a a uma Província Romana. Pouco depois, César entrega o governo da Palestina à Herodes Magno, um príncipe edumeu. Após a morte deste, o governo da Galiléia cabe à Herodes Antipas, filho de Herodes Magno.
  • No ano 7 da nossa era, o governo da Judéia é confiado a um procurador romano. Mas, um novo movimento de independência provocou uma represália romana, uma guerra civil, onde o imperador romano Tiro entrou, no ano 70 da nossa era.
  • Foi no ano 5 da nossa era, durante a dominação romana que nasceu na cidade de Belém na Palestina, Jesus Cristo, onde teve início o ano I da nossa era. O imperador romano na época era César Augusto.
  • No ano 70 d.c após várias revoltas contra o domínio romano, Jerusalém foi destruída. Com a destruição da cidade santa termina a história dos antigos israelitas.
  • A destruição de Jerusalém foi porque os judeus monoteístas se recusaram reconhecer atributos divinos no Rei de Roma. O imperador Tiro ateou fogo à cidade sagrada de Jerusalém e obrigou os judeus a deixar a Palestina. Aconteceu, então, a “Diáspora”, isto é, a “Dispersão do povo judeu” que durante muitos séculos deixou de existir como nação.


Israelenses e Palestinos


(Fatos desde a destruição de Jerusalém até os dias atuais).

  • Israelenses: Judeus. Religião: Judaísmo  
  • Palestinos: Árabes. Religião: Islamismo ou Muçulmanos

  • Na realidade judeus e palestinos são povos irmãos. Ambos são herdeiros de Abraão. Como já se sabe, os povos árabes tiveram origem em Ismael, filho de Abraão com Hagar, sua escrava egípcia. Os judeus se originaram de Isaque, filho de Abraão com sua esposa Sara.
    Ismael foi expulso de sua parentela e a herança de Abraão bem como as promessas de Deus, foram todas para Isaque, primogênito do casamento.
  • Com a destruição de Jerusalém, os judeus tiveram que deixar a Palestina quando o imperador ateou fogo na cidade sagrada. Foi o início da dispersão (Diáspora) judaica.
  • Como os muçulmanos se expandiram, a partir do séc VII a Palestina foi ocupada por eles (os árabes).
  • A partir de 1870, imigrantes judeus começaram a se estabelecer na Palestina (antiga terra deles, dos judeus).
  • Em 1947 a ONU aprovou a divisão da Palestina em um estado judeu e outro árabe.
  • 1948: Os conflitos locais agravaram-se com a Questão Palestina, que se originou com a proposta de criação de um Estado judeu num território predominante árabe, que culminou com a fundação de Israel em 1948. Os árabes não aceitaram sendo contestado pela liga árabe (Egito, Síria, Jordânia, Líbano, Palestinos). Isso gerou, naquele ano, a primeira guerra entre árabes e israelenses.
  • 1956: O presidente do Egito nacionaliza o Canal de Suez, resultando na reação israelense e a guerra do Suez.
  • 1964: Criação da OLP (organização para libertação da Palestina) - objetivo: criação do estado Palestino.
  • Nos diversos conflitos com os árabes, os judeus sempre saíram ganhando, aproveitando para ocupar novas terras dos árabes. Os palestinos (árabes) ficaram sem pátria.
  • Em 1967, na guerra dos 6 dias, os israelenses (judeus) com o apoio dos EUA ocuparam também territórios do Egito, Jordânia e Síria. Em 1973, em nova guerra, a posição de Israel ficou enfraquecida sobretudo, diante do Egito.
  • Na guerra de 1973, os árabes usaram o petróleo (cortaram o fornecimento como arma política contra os amigos de Israel). Guerra do Yom Kippur - Tentativa árabe de retomar os territórios ocupados por Israel desencadeando na primeira crise do petróleo.
  • 1978/79: Acordo de Camp David: Israel se compromete em devolver a península do Sinai ao Egito em troca do reconhecimento do estado de Israel.
  • Jerusalém leste, povoada por árabes foi ocupada por  Israel durante a guerra dos 6 dias (1967 e anexada ao território israelense em 1980). Depois de 1967, pelo menos 80 mil judeus migraram para a “Jerusalém reunificada”. A partir de então, todos os ministérios foram transferidos de Tel Aviv para Jerusalém. Israel anunciou ao mundo a sua nova capital que não foi reconhecida como tal pela comunidade internacional.
  • 1987: Primeira Intifada - Levante palestino em territórios ocupados por Israel (Cisjordânia e Gaza)
  • 1988: Jordânia oficializa desistência de ocupar a Cisjordânia, reconhecendo a OLP.
  • 1993: Acordo de Oslo I - busca pela autonomia palestina nos territórios de Gaza e Cisjordânia.
  • 1994: Autonomia administrativa da Palestina em Gaza.
  • 1995: Acordo de Oslo II - autonomia administrativa à Palestina em cidades da Cisjordânia.
  • 1996: Aumentam atentados de grupos extremistas palestinos (Hamas), dificultando as negociações.
  • 1998: Acordo de Wye plantation nos EUA, base do atual processo de paz.
  • 2000: Impasse nas negociações entre Israel e palestinos. Hezbollah intensifica ataques a Israel no sul do Líbano. Segunda Intifada - novas manifestações palestinas na faixa de Gaza e Cisjordânia.
  • 2001: Aumento da tensão entre palestinos e judeus, atentados em Gaza e cidades da Cisjordânia. Reinício da Segunda Intifada com atentados suicidas (homens-bomba). Enfraquecimento de Yasser Arafat por não conseguir conter a política extremista de grupos radicais (Hamas, Hezbollah, Jihad).
  • 2003: Plano de Paz - EUA, UE, Rússia, ONU propõem plano de paz prevendo a criação de um estado palestino em 2005; reconhecimento do direito de Israel de existir, e futuro da cidade de Jerusalém.
  • 2004: Marmud Habbas eleito presidente da ANP (Autoridade Nacional da Palestina) com o afastamento de Yasser Arafat que faleceu logo depois.
  • 2005: Retirada dos assentamentos israelenses da Faixa de Gaza, sob intensos protestos da direita Israelense.
  • 2006: Vitória do grupo radical Hamas (considerado terrorista por EUA, UE e Israel) no processo eleitoral, derrotanto o grupo moderado de oposição Fatah, desencadeando dúvidas no processo de negociação entre palestinos e israelenses.
  • 2007: Cresce confronto entre radicais do Hamas e moderados do Fatah. A ausência de consenso entre esses grupos retarda o processo de negociações de paz entre palestinos e israelenses.
  • Os conflitos já duram muitos e muitos anos.


Segunda parte da Bíblia...

Novo Testamento

Jesus Cristo

  • Jesus Cristo, personagem principal do cristianismo, nascido em Bélem, Judéia, em data imprecisa, provavelmente entre 8 a.C. e 29 d.C. Para os cristãos, Jesus é o Filho de Deus, concebido por Maria, mulher de José. As principais fontes de informação sobre sua vida encontram-se nos Evangelhos.
  • Todos os Evangelhos sinópticos - os três primeiros, de Mateus, Marcos e Lucas, assim chamados por apresentarem uma visão similar da vida de Cristo - relatam que Jesus iniciou sua vida pública depois da prisão de João Batista, que o batizou no rio Jordão. Após o batismo e o retiro no deserto, Jesus voltou à Galiléia, transferiu-se para Cafarnaum e começou a pregar. Quando o número de seguidores cresceu, escolheu 12 discípulos. Com eles, estabeleceu sua base em Cafarnaum e viajou pelas cidades próximas proclamando a chegada do reino de Deus. Sua ênfase na sinceridade moral - mais do que na observância rígida do ritual judaico - provocou a inimizade dos fariseus. O momento mais importante de sua vida pública ocorreu em Cesaréia, quando Simão, depois chamado Pedro, comprovou que Jesus era o Cristo. Esta revelação, a posterior predição de sua morte e ressurreição, as condições da missão que seus discípulos deviam cumprir e sua transfiguração, constituem a base principal das crenças cristãs.
  • Na época da Páscoa judaica, Jesus fez sua última viagem a Jerusalém. Os sacerdotes e escribas conspiraram com Judas Iscariotes para prendê-lo. Jesus celebrou a ceia da Páscoa,  abençoou o pão e o vinho anunciando que, quando fiéis se reunissem e repetissem aquele gesto, “farão em memória de mim” e advertiu seus discípulos sobre a iminente traição e morte. Desde então, este ritual, a Eucaristia, constitui o principal sacramento da Igreja. Depois de preso, Jesus foi conduzido ao Conselho Supremo Judaico onde Caifás pediu que Jesus declarasse se era “o Messias, o filho de Deus”. Por esta declaração, Jesus foi condenado à morte, sentenciado por Pôncio Pilatos. Após ser torturado, Jesus foi levado ao Gólgota e crucificado.
  • “Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago”, indo ao sepulcro para ungir seu corpo antes de o enterrarem, encontraram-no vazio e receberam, através de um anjo, o anúncio de sua ressurreição. Conforme o Novo Testamento, este fato converteu-se numa das doutrinas essenciais da cristandade. Todos os evangelhos assinalam que, após a morte e ressurreição, Jesus continuou a pregar a seus discípulos. Lucas e os Atos dos Apóstolos relatam sua ascensão aos céus, 40 dias após a ressurreição.
  • Na história do cristianismo, a vida e ensinamentos de Jesus foram, muitas vezes, tema de discussão e de diferentes interpretações. Definir sua natureza tornou-se objeto de uma disciplina chamada cristologia.

  • A palavra Evangelho é de origem grega e significa a Boa Nova. Os evangelhos são escritos que contam a boa nova da vinda entre os homens daquele que se fez “filho do homem”, a fim de que nos possamos tornar “filhos de Deus”.
Ø  Mateus: Cujo verdadeiro nome é Levi,  redigiu seu evangelho em aramaico (dialeto hebraico). Esse texto não conservado foi depressa traduzido para o grego. Mateus escreve na Palestina para leitores judeus; seu texto se particulariza pela abundância de citações do Antigo Testamento.
Ø  Marcos: É o sobrenome de João, primo de Barnabé. É um discípulo de Pedro e companheiro de Paulo em sua primeira viagem missionária. As minúcias de alguns detalhes nos garantem que há nele um testemunho direto da vida e da atividade de Jesus. Marcos quis apresentar Jesus aos pagãos fazendo notar sobretudo o que havia de extraordinário e de valor probatório de sua missão nos milagres por ele operados.
Ø  Lucas: É de origem grega. É também um companheiro das missões de Paulo. Lucas escreveu também Os Atos dos Apóstolos. Embora não tenha ele sido testemunha ocular dos acontecimentos, seu livro é digno de crédito, por causa do cuidado que teve o autor em documentá-lo. Ele utilizou certamente o texto de Marcos e o de Mateus. Lucas, escrevendo também para os pagãos, tem a visível preocupação de apresentar Jesus sob um aspecto mais atraente e comovedor, fazendo notar, antes de tudo, a bondade e a misericórdia do Salvador.
Ø  João: Deve ser apresentado à parte. João, irmão de Tiago, filho de Zebedeu. Ele foi um dos mais íntimos de Jesus, a quem o Salvador confiou o cuidado de sua mãe no momento de sua morte. Por várias vezes ele designa discretamente a si mesmo pelas palavras: “o discípulo que Jesus amava”. João quis mostrar a divindade manifestando-se aos homens na pessoa de Jesus. Nele, ele quis mostrar o filho de Deus, sofredor e glorificado. Apresenta-o como “a água da vida eterna”, “o pão vivo descido do céu”, “a luz do mundo”, “o bom pastor”, “o caminho, a verdade e a vida”, “a vida eterna”. João procurou mostrar aos seus leitores a divindade de Jesus e revelar-lhes um pouco de sua realidade invisível, mas conservando o cuidado de apresentá-lo como um homem no concreto de seus atos e de seus discursos. Enfim, resumindo “João”, irmão de Tiago (o mais novo dos apóstolos, o que Jesus mais amava) e que seguiu corajosamente Jesus na noite em que foi preso e o acompanhou até a morte na cruz, pois os outros apóstolos amedrontados, fugiram. Na cruz, Jesus ainda o entregou a responsabilidade de cuidar de sua mãe Maria dizendo: eis aí tua mãe” Além disso, a São João evangelista é que foi dada a revelação do Apocalipse na ilha de Patmos. João também escreveu três epístolas (cartas) e um evangelho, além do apocalipse. João foi o “apóstolo do amor”.


Os atos dos apóstolos

  • Os atos dos apóstolos formam a seqüência do terceiro evangelho, e foram escritos pelo mesmo autor, Lucas, que para redigí-los, utilizou tradições escritas e orais e escreveu numa parte importante de sua narrativa, suas próprias memórias.
  • Os atos contam os acontecimentos que marcaram o nascimento da Igreja primitiva, a ascenção de Jesus, o Pentecostes, a primeira pregação em Jerusalém e na Palestina; em seguida, a conversão de Paulo e suas viagens  missionárias através da Ásia Menor e da Grécia, sua prisão, seu processo e sua transferência para Roma.
  • O livro dos Atos insiste na primeira parte na influência do espírito santo sobre o desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs. Na segunda parrte, ele se restringe a mostrar como Paulo, seguindo nisso o exemplo de Pedro, é o grande realizador da entrada em massa dos pagãos na igreja.

Epístolas
  • São cartas enviadas pelos apóstolos aos cristãos, depois da vinda de Cristo. Foram várias epístolas: Paulo, aos romanos; Paulo aos Coríntios, (2 cartas) Paulo aos gálatas; Paulo aos Efésios; Paulo aos Filipenses; aos Colossenses; aos Tessalonicences; (2cartas); uma epístola à Timóteo, e uma segunda epístola a Timóteo; epístola a Tito, à Filemon, aos Hebreus, e depois tem as epístolas de  Tiago e Pedro, (2), de João, (3), de São Judas , todos estes apóstolos foram proclamados santos.

O Apocalipse

  • O Apocalipse (palavra grega que significa Revelação) é obra do apóstolo João, que o escreveu no fim de sua vida sob a forma de uma carta dirigida às igrejas da Ásia Menor. Esse livro é considerado pela maioria dos leitores como o mais difícil de compreender e o mais misterioso de toda a Bíblia. A situação dos cristãos da Ásia era, naquela época das mais críticas. As perseguições já tinham começado. Por outro lado, muitos cristãos, que esperavam uma próxima libertação pelo retorno glorioso do Cristo, verificavam com tristeza que esse retorno demorava.
  • O apóstolo João, fazendo do seu livro uma mensagem de reconforto e de encorajamento, quis anunciar aos seus leitores a inevitável oposição do bem e do mal sobre a terra, e predizer a vitória de Deus. João usou o gênero literário chamado Apocalíptico porque apresenta aos olhos do leitor uma série de visões, ou revelações muito simbólicas tendo um sentido oculto. Não se trata de dar uma descrição antecipada de acontecimentos futuros, mas de apresentar uma mesma realidade sob vários símbolos diferentes. Essas visões se supõem outorgadas a um personagem que, dessa maneira, recebe comunicação  das intenções divinas sobre os destinos do mundo. Tudo isso é feito numa linguagem intencionalmente figurada e misteriosa, para provocar uma atenção mais viva no leitor. Sua leitura será menos desconcertante, se desde o começo for indicado o simbolismo de várias dessas imagens empregadas, por exemplo: o cordeiro simboliza o Cristo; a mulher, a igreja cristã, o dragão, as forças hostis ao reino de Deus; as duas feras, o império romano e o culto oriental; a fera simboliza Nero; Babilônia, a Roma pagã; as vestes brancas, a vitória. Entretanto esses símbolos não são exclusivos: o Cristo é as vezes mostrado como o “filho de homem” ou um “cavaleiro’.

Conclusão

  • A revelação de Deus na Bíblia não envolve uma garantia científica de tudo o que nela se encontra. É inútil pedir a Bíblia uma explicação dos seis dias da criação ou da maneira como podiam falar os animais. Esses dados não são em si revelações, mas tradições que as contêm.
  • A história mesma, tal como é contida na Bíblia, não é tampouco uma revelação. Mesmo aquele que aprendeu de sua leitura a sucessão dos reinos em Israel, os costumes dos antigos judeus, a até mesmo o cumprimento das profecias do antigo Testamento no Novo, pode ainda passar ao lado da verdadeira mensagem bíblica.
  • A escolha que se pode fazer de certas passagens favoritas, edificantes ou comoventes, não constitui tampouco uma verdadeira leitura da Bíblia. Essa verdadeira leitura deverá sempre ter em vista a finalidade primária de toda a Escritura Sagrada que é anunciar Jesus Cristo e dar testemunho de sua pessoa. Para aqueles que viviam no Antigo Testamento só se tratava ainda de um Salvador desconhecido, que viria. Para nós trata-se de um Salvador “que habitou entre nós” e cuja presença espiritual se perpetuará até o fim dos tempos, isto é, até o seu retorno glorioso.
  • A bíblia não entrou pois em caduquice. Ela diz-nos respeito hoje como para além dos séculos. Entramos em contato com aquele mesmo Senhor que tinha escolhido Abraão, que havia eleito o povo de Israel, livrado os hebreus do Egito, e santificado os homens pela morte de Jesus Cristo. Como Deus não tem mudado o seu modo de proceder, podemos concluir que somos todos nós, escolhidos, eleitos, libertados e santificados pelo nome desse mesmo Jesus  Cristo, que os dois testamentos apontam: o Antigo, como sua esperança; o Novo como seu modelo: ambos como seu centro.


Fim