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Caleidoscópio (Danielle Stell)


Uma terrível tragédia familiar levou à separação de três irmãs, Hillary, Alexandra, Megan, ainda durante a sua infância. Enlouquecido, o pai um ator americano, mata a mãe, uma francesa, no meio de uma violenta discussão e, mais tarde, suicida-se na prisão. Órfãs e sem dinheiro as irmãs são criadas separadamente e só se reencontram passados trinta anos, graças à interferência de John Chapman, um detetive que se apaixonou por uma delas. A mais velha, Hillary, foi educada por uma tia e tem uma vida cheia de dificuldades, marcada pelo sofrimento e pela desilusão. E, aos dezoito anos começa a tentar desesperadamente a localizar as suas irmãs. 


 ****** 


Com essa terrível tragédia e sem nenhum outro parente próximo que possa cuidar das meninas, elas ficam aos cuidados de Arthur, um velho amigo de seus pais que sem saber o que fazer as manda para passar alguns meses com uma tia distante, cruel, bêbada e que só se importa com o dinheiro que ganhará pelas meninas. Mais tarde Arthur acaba entregando as duas meninas mais novas para dois casais distintos, onde elas foram adotadas. Anos se passam e as três são criadas de modos totalmente diferentes umas das outras... As duas mais novas crescem rodeadas pelo amor e carinho de seus pais adotivos, mas a pobre Hilary que continuou morando com a tia de Arthur enfrenta todos os piores pesadelos e torturas de uma vida sofrida, injusta, cruel e miserável, sem falar também na dor que carrega em seu coração por ter suas duas amadas irmãs tiradas à força de seus braços já que as mesmas a consideravam como uma mãe.

[...] - Amo você, Axie... Amo você, Megan... Amo vocês... - Sua voz se transformou num soluço enquanto ficava ali parada no meio da rua, acenando para o carro, até que ele dobrou uma esquina e desapareceu, levando consigo toda sua vida. [...] 

Os anos continuam se passando e elas só vão se reencontrar novamente 30 anos mais tarde com a ajuda de John Chapman, um atraente investigador que se apaixona por uma delas e é nesse momento que segredos do passado profundamente guardados são revelados causando grande surpresa à todos.

O encontro das irmãs é bem emocionante! 

Comentário: Todos os acontecimentos são mesmos reais e nos faz pensar que isso poderia também acontecer com qualquer um de nós... Acompanhar todo o sofrimento dessas irmãs e principalmente de Hilary, me comoveu de uma certa forma que me peguei pensando o que seria de mim se estivesse no lugar dela... Sem dúvidas, quem ainda não leu, vale a pena conferir, pois apesar de toda a história ser previsível, ela é narrada de forma tão intensa que é como se estivéssemos na pele dos personagens.

Caramuru (Santa Rita Durão)


Caramuru (Santa Rita Durão) Poema Épico do Descobrimento da Bahia é composto de dez cantos e, de acordo com o gênero, divide-se em cinco partes: proposição, invocação, dedicação, narração e epílogo. 

Canto I: Na primeira estrofe, o poeta introduz a terra a ser cantada e o herói - Filho do Trovão -, propondo narrar seus feitos (proposição). Na estrofe seguinte, pede a Deus que o auxilie na realização do intento (invocação), e da terceira à oitava estrofes, dedica o poema a D. José I, pedindo atenção para o Brasil, principalmente a seus habitantes primitivos, dignos e capazes de serem integrados à civilização cristã. Se isso for feito, prevê Portugal renascendo no Brasil. Da nona estrofe em diante, tem-se a narração. 

A caminho do Brasil, o navio de Diogo Álvares Correia naufraga. Ele e mais sete companheiros conseguem se salvar. Na praia, são acolhidos pelos nativos que ficam temerosos e desconfiados. Os náufragos, por sua vez, também temem aquelas criaturas antropófagas, vermelhas que, sem pudor, andam nuas. Assim que um dos marinheiros morre, retalham-no e comem-lhe, cruas mesmo, todas as partes. Sem saber o futuro, os sete são presos em uma gruta, perto do mar, e, para que engordem, são bem alimentados. 

Notando que os índios nada sabem de armas, Diogo, durante os passeios na praia, retira, do barco destroçado, toda pólvora e munições, guardando-as na gruta. Desde então, como vagaroso enfermo, passa a se utilizar de uma espingarda como cajado. Para entreter os amigos, Fernando, um dos náufragos, ao som da cítara, canta a lenda de uma estátua profética que, no ponto mais alto da ilha açoriana, aponta para o Brasil, indicando a futuros missionários o caminho a seguir. 

Um dia, excetuando-se Diogo, que ainda estava enfermo e fraco, os outros seis são encaminhados para os fossos em brasa. Todavia, quando iam matar os náufragos, a tribo do Tupinambá Gupeva é ferozmente atacada por Sergipe. Após sangrenta luta, muitos morrem ou fogem; outros se rendem ao vencedor que liberta os pobres homens que desaparecem, no meio da mata, sem deixar rastro. 

Canto II: Enquanto a luta se desenvolve, Diogo, magro e enfermo para a gula dos canibais, veste a armadura e, munido de fuzil e pólvora, sai para ajudar os seis companheiros que serão comidos. Na fuga, muitos índios buscam esconderijo na gruta, inclusive Gupeva que, ao se deparar com o lusitano, saindo daquele jeito, cai prostrado, tremendo; os que o seguiam fazem o mesmo; todos acham que o demônio habita o fantasma-armadura. 

Álvares Correia, que já conhecia um pouco a língua dos índios, espera amansá-los com horror e arte. Levantando a viseira, convida Gupeva a tocar a armadura e o capacete. Observa, amigavelmente, que tudo aquilo o protege, afastando o inimigo, desde que não se coma carne humana. Ainda aterrorizado, o chefe indígena segue-o para dentro da gruta, onde Diogo acende a candeia, levando-o a crer que o náufrago tem poder nas mãos. Sob a luz, vê, sem interesse, tudo que o branco retirara da nau. 

Aqui, o poeta, louva a ausência de cobiça dessa gente. Entre os objetos guardados pelos náufragos, Gupeva encanta-se com a beleza da virgem em uma gravura. Tão bela assim não seria a esposa de Tupã? Ou a mãe de Tupã? Nesse momento, encantado pela intuição do bárbaro, Diogo o catequiza, ganhando-lhe, assim a dedicação. Saindo da gruta, o índio, agora manso e diferente, fala a seu povo Tupinambá, ao redor da gruta. Conta-lhes sobre o feito do emboaba, Diogo, e que Tupã o mandara para protegê-los. Para banquetear o amigo, saem para caçar. 

Durante o trajeto, Álvares Correia usa a espingarda, aterrorizando a todos que exclamam e gritam: Tupã Caramuru! Desde esse dia, o herói passa a ser o respeitado Caramuru - Filho do Trovão. Querendo terror e não culto, Diogo afirma-lhes que, como eles, é filho de Tupã e a este, também, se humilha. Mas que como filho do trovão, (dispara outro tiro) queimará aquele que negar obediência ao grande Gupeva. Nas estrofes seguintes, o poeta descreve os costumes da selva. 

Caramuru instala-se na aldeia, onde imensas cabanas abrigam muitas famílias, que vivem em harmonia. Muitos índios querem vê-lo, tocá-lo. Outros, em sinal de hospitalidade, despem-no e colocam-no sobre a rede, deixando-o tranquilo. 

Paraguaçu é uma índia, de pele branca e traços finos e suaves. Apesar de não amar Gupeva, está na tribo por ter-lhe sido prometida. Como sabe a língua portuguesa, Diogo quer vê-la. Após o encontro os dois estão apaixonados. 

Canto III: À noite, Gupeva e Diogo conversam sob a tradução feita por Paraguaçu. O lusitano fica pasmo ao saber que, para o chefe da tribo, existe um princípio eterno; há alguém, Tupã, ser possante que rege o mundo; aquele que vence o nada, criando o universo. 

O espírito de Deus, de alguma maneira, comunica-se com essa gente. Gupeva eloqüente fala acerca da concepção dos selvagens sobre o tempo, o Céu, o Inferno. Abordam a lenda da pregação de S. Tomé em terras americanas. Concluindo a conversa, o cacique diz que estão para ser atacados pelos inimigos; Caramuru aconselha-o a ter calma. De repente, chegam os ferozes índios Caetés que, ao primeiro estrondo do mosquete, batem em retirada, correndo, caindo; achando, enfim, que o céu todo lhes cai em cima. 

Canto IV: O temido invasor noturno é o Caeté, Jararaca, que ama Paraguaçu perdidamente. Ao saber que ela esta destinada a Gupeva, declara guerra. Após o ataque estrondoso do Filho do Trovão, Jararaca convoca outras nações indígenas com as quais tinha aliança: Ovecates, Petiguares, Carijós, Agirapirangas, Itatis. Conta-lhes que Gupeva prostrou-se aos pés de um emboaba pelo pouco fogo que acendera, oferecendo-lhe até a própria noiva. 

O cacique alerta-os que se todos agirem assim, correm o risco de serem desterrados e escravizados em sua própria terra, enchendo de emboabas a Bahia. Apela para a coragem dos nativos, dizendo que apesar do raio do Caramuru ser verdadeiro, ele nada teme, porque não vem de Deus. Não há forças fabricadas que a eles destruam. A guerra tem início e Paraguaçu também luta heroicamente e, num momento de perigo, é salva pelo amado lusitano. 

Canto V: Depois da batalha, os amantes discorrem sobre o mal que habita o ser humano e qual a razão de Deus para permiti-lo. Em seguida, em Itaparica, o herói faz com que todos os índios se submetam a ele, destruindo as canoas com as quais Jararaca pretendia liquidá-lo. 

Canto VI: As filhas dos chefes indígenas são oferecidas ao destemido Diogo, para que este os honre com o seu parentesco. Como ama Paraguaçu, aceita o parentesco, mas declina as filhas. Na mata, o herói encontra uma gruta com tamanho e forma de igreja e percebe ali a possibilidade dos nativos aceitarem a Fé Cristã, e se dispõe a doutriná-los. Mais tarde, salva a tripulação de um navio espanhol naufragado e, saudoso da Europa, parte com Paraguaçu em um barco francês. 

Quando a nau ganha o mar, várias índias, interessadas em Álvares Correia, lançam-se nas águas para acompanhá-lo. Moema, a mais bela de todas, consegue chegar perto do navio Agarrada ao leme, brada todo seu amor não correspondido ao esquivo e cruel Caramuru. Implora para que ele dispare sobre ela seu raio. Ao dizer isso, desmaia e é sorvida pela água. As outras, que a acompanhavam, retornam tristes à praia. Nas demais estrofes do canto, a história do descobrimento do Brasil é contada ao comandante do barco francês. 

Canto VII: Na França, o casal é recebido na corte e Paraguaçu é batizada com o nome da rainha Catarina de Médicis, mulher de Henrique II, que lhe serve de madrinha. Diogo lhes descreve tudo o que sabe a respeito da flora e fauna brasileira. 

Canto VIII: Henrique II se predispõe a ajudar Diogo Álvares na tarefa de doutrinamento e assimilação dos índios, oferecendo-lhe tropa e recompensa. Fiel à monarquia portuguesa, o valente lusitano recusa tal proposta. Na viagem de volta ao Brasil, Catarina-Paraguaçu profetiza, prospectivamente, o futuro da nação. Descreve as terras da Bahia, suas povoações, igrejas, engenhos, fortalezas. Fala sobre seus governadores, a luta contra os franceses de Villegaignon, aliados aos Tamoios. Discorre sobre o ataque de Mem de Sá aos franceses no forte da enseada de Niterói e sobre a vitória de Estácio de Sá contra as mesmas forças. 

Canto XIX: Prosseguindo em seu vaticínio, Catarina-Paraguaçu descreve a luta contra os holandeses que termina com a restauração de Pernambuco. Canto X A visão profética de Catarina-Paraguaçu acaba se transformando na da Virgem sobre a criação do universo. Ao chegar, o casal é recebido pela caravela de Carlos V que agradece a Diogo o socorro aos náufragos espanhóis. 

A história de Pereira Coutinho é narrada, enfatizando-se o apoio dos Tupinambás na dominação dos campos da Bahia e no povoamento do Recôncavo baiano. Na cerimônia realizada na Casa da Torre, o casal revestido na realeza da nação espanhola, transfere-a para D. João III, representado na pessoa do primeiro Governador Geral, Tomé de Souza. 

A penúltima estrofe canta a preservação da liberdade do índio e a responsabilidade do reino para com a divulgação da religião cristã entre eles. Na última (epílogo), Diogo e Catarina, por decreto real, recebem as honras da colônia lusitana.

Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse, Amanhecer (Stephenie Meyer)

Crepúsculo 

Isabella Swan, 17 anos, nunca havia vivido grandes emoções em sua vida. Sendo uma jovem extremamente responsável, tímida e introspectiva, decide mudar-se da calorosa cidade de Phoenix, no Arizona, para a chuvosa Forks, uma pequena cidade no interior de Washington, depois que sua mãe decide casar-se novamente. É ali que Bella irá morar com seu pai, Charlie, e é em sua nova escola que conhece os Cullen, cinco intrigantes jovens de uma beleza desumana. É neste mistério que caracteriza a família, que Bella se vê atraída pelo misterioso Edward Cullen, jovem pálido e de cabelos cor de bronze que mostrará um novo universo a Bella, transformando completamente o rumo da sua vida. Edward trata-se de um vampiro, que acaba por se apaixonar por Bella enquanto controla e resiste a um dos seus maiores desejos - provar o sangue de Bella que, segundo ele, exala o odor mais atrativo que já sentiu. No entanto, ao contrário dos outros vampiros, os Cullen optam por só se alimentar de sangue animal. Edward vem de uma família de vampiros que se diz "vegetariana" por não ingerir sangue de pessoas, mas apenas de animais. 

É então que James, um vampiro obcecado por caçadas - que, juntamente com o seu grupo composto por ele, Victoria e Laurent foi o culpado de inexplicáveis homicídios -, se determina a matar Bella, uma vez que não resiste ao cheiro do seu sangue. Ela despede-se de Charlie e vai para Phoenix - tudo muito cuidadosamente para não serem rastreados por James. 

Bella vai com Alice e Jasper para Phoenix, enquanto Rosalie e Esme ficam para despistar Victoria (a vampira que acompanhava James) e Carlisle, Emmett e Edward vão atrás deste, para tentar matá-lo. Enquanto Bella está em Phoenix, Alice tem uma visão com a casa da mãe de Bella e o estúdio de balé onde Bella tinha aulas com 7/8 anos. Bella, sem que eles percebam, recebe um telefonema que a faz pensar que o inimigo capturou a sua mãe, e isso faz com que ela fuja para ir ao encontro de James. A fuga acontece no aeroporto, enquanto Bella, Alice e Jasper esperam por Edward e Carlisle. Ela vai ao encontro de James. James, que por sua vez não havia capturado a mãe de Bella, a tortura e por pouco não a mata. James a morde, mas Edward aparece para salvar Bella. Enquanto Edward trava uma luta mortal com James, Bella fica inconsciente e começa a se transformar em vampira. Quando ela acorda, está no hospital e Edward conta que teve que sugar o veneno de seu sangue, e que se fosse um pouco mais tarde agora ela seria um deles. Porém, Bella deseja tornar-se uma vampira para viver a eternidade com Edward, mas ele se recusa a transformá-la. 

Lua Nova 

É 13 de Setembro, um dos dias mais temidos por Bella, por ser seu aniversário. Ela detesta este dia porque completa 18 anos e será sempre mais velha que Edward. Contra a sua vontade, Alice Cullen prepara uma festa surpresa. Ao abrir um presente, Bella corta-se acidentalmente com o papel e Jasper, o vampiro com mais dificuldade em se conter ao cheiro de sangue, não consegue evitar e tenta atacá-la. É por esse motivo que Edward e sua família vão embora de Forks; ele teme que esteja colocando a vida dela em perigo. Bella entra em uma depressão profunda por vários meses depois que ele parte, até que ela desenvolve uma forte amizade com Jacob Black, que mais tarde se revela um lobisomem. Jacob e os outros lobisomens de sua vila devem protegê-la de Victoria, uma vampira má que pretende se vingar de Edward matando Bella, por ele ter acabado com James. 

Com os acontecimentos, descobre que quando está em perigo, ou quando sente adrenalina, escuta a voz de Edward, que ela julga ser uma alucinação, falando dentro de sua cabeça. Para nunca esquecer a voz dele, envolve-se em perigosas atividades, como pilotar motos. Procurando pelo perigo, Bella se atira de um penhasco e quase se afoga no mar, mas é salva por Jacob. Alice vê Bella atirar-se do penhasco e Edward pensa que Bella está realmente morta. Desesperado, ele decide então acabar com sua existência, apelando para os Volturi, um grupo que representa espécie de "realeza" entre os vampiros e aplica "leis" para manter sua espécie em segredo. Ele vai à Volterra, Itália, procurando pelos Volturi, mas Bella o detém. 

Eles se encontram com os Volturi antes de retornarem para Forks e Aro, seu líder, demonstra um interesse especial em Bella por ter sua alma impenetrável e, considerando que seu conhecimento sobre os vampiros pode colocar sua espécie em perigo, exige que ela seja morta ou transformada em vampira também. 

Eclipse 

Em Eclipse, Bella se vê em uma decisão um tanto difícil: escolher seu amigo e lobo Jacob Black ou seu namorado-vampiro Edward Cullen para passar o resto de sua vida. Ambos estão em constantes discussões, por causa de Bella ou porque os vampiros e os lobos são inimigos mortais desde sempre.

Estranhas mortes acontecem em Seattle, uma cidade perto de Forks, e os Cullen acreditam ser causadas por um exército de vampiros "recém-criados". Edward Cullen está mais alerta que nunca com relação à segurança de Isabella Swan. Enquanto os Cullen vêem este problema como uma desculpa para receberem uma visita dos Volturi, Bella preocupa-se mais em escolher entre a sua amizade com Jacob Black (permanecendo humana, mas entregue ao castigo dos Volturi por ser a única humana a saber sobre a existência de vampiros) e o amor que sente por Edward (sendo transformada numa vampira). Sabe que se fosse transformada iria originar uma batalha entre lobisomens e vampiros, já que os Cullen haviam se comprometido com eles a não morder nenhum ser humano, pondo a sua nova família e os seus antigos amigos em risco. 

Bella desconfia de que Victoria é a criadora dos novos-vampiros e, posteriormente, descobre que estava certa. Edward pede Bella em casamento, e Bella aceita. O próprio Edward acha que não merece Bella, mas no fim Bella escolhe ele e, com apenas 18 anos, fica noiva no fim do livro. Uma batalha para proteger a adolescente começa. Os lobisomens aliam-se aos Cullen e Victoria é morta. Os Volturi aparecem e Carlisle garante para eles que a transformação de Bella em uma vampira aconteceria em breve. 

Amanhecer 

Bella e Edward se casam e passam a lua-de-mel em uma ilha do Atlântico, próxima ao Rio de Janeiro, mas eles voltam repentinamente, pois Bella descobre que está grávida. Edward tem medo de que a criatura mate Bella, e não quer que o bebê nasça. Ela, no entanto, quer ter o filho. Então pede ajuda a Rosalie e ela cuida para que ninguém ousa abortar o bebê de Bella durante a gravidez. O bebê representa uma "ameaça" para os Lobisomens, pois não sabem que criatura irá nascer e que tipo de perigo representa. A alcateia planeja destruí-la antes que ela nasça, e consequentemente, Bella morra. Jacob não aceita isso e fica contra a alcateia. O bebê acaba por machucar Bella apenas por se mexer, a medida que a gestação avança, e logo os Cullen descobrem que devem alimentar Bella com sangue para que a criança se alimente e não a mate, e ela segue a instrução. A gestação dura pouquíssimo tempo, a criança nasce, mas Bella não resiste e morre, mesmo Edward a mordendo e por injeções injetando seu veneno. 

Só depois de considerada morta, Bella começa a se transformar em uma vampira. Ela descobre que pode controlar seus desejos por sangue melhor do que se esperava de um vampiro recém-criado. A criança é uma menina, diferente do que Bella pensava, e recebe o nome de Renesmee (junção dos nomes Renée e Esme) Carlie (junção dos nomes Charlie e Carlisle) Cullen. Jacob não aguenta ouvir Emmett e Rosalie falando a todo momento sobre se mudar e percebe que o maior problema é Charlie. Sendo assim, conta ao pai de Bella, sobre o mundo sobrenatural. Charlie pede a Jacob que não o conte todos os detalhes, só o necessário. Jacob sofre imprinting com Renesmee (que é algo mais forte que o amor entre almas gêmeas, que ele descreve "como se o centro de gravidade deixasse de ser Terra e passasse a ser Renesmee", no caso dele). 

Alice vê que os Volturi estão vindo para matar Renesmee, acreditando que ela era uma criança que havia sido transformada em vampiro - algo estritamente proibido -, por causa do depoimento de Irina Denali. Alice vai embora com Jasper logo depois. Carlisle, Esme, Rosalie e Emmett viajam para chamarem todos os vampiros que conhecem, com a intenção de fazer os Volturi pararem para ouvir a real explicação da origem de Renesmee. Todos esperam na mansão Cullen até que os Volturi chegam. Bella descobre que tem o poder de criar um escudo em volta de si, e protege a família e amigos durante o confronto. Irina é morta por Caius, que não aceitava que não houvesse batalha. 

Quando os Cullen, seus amigos, os Lobisomens e os Volturi estão frente a frente e a batalha parece iminente, Alice aparece, trazendo outro meio-vampiro meio-humano para provar que não há problema em deixar Renesmee viver. Os Volturi, com um pouco de relutância, vão embora. No fim, tudo acaba bem.

Capitães de Areia (Jorge Amado)


Os Capitães da Areia são um grupo de meninos de rua. O livro é dividido em três partes. Antes delas, no entanto, há uma sequencia de pseudo-reportagens, explica-se que os Capitães da Areia são um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam Salvador. Os únicos que se relacionam com eles são Padre José Pedro e uma mãe-de-santo. O Reformatório é um antro de crueldades, e a polícia os caçam como os adultos antes do tempo que são. 

1ª Parte 

A primeira parte em si, "Sob a lua, num velho trapiche abandonado" conta algumas histórias quase independentes sobre alguns dos principais Capitães da Areia (o grupo chegava a quase cem, morando num trapiche abandonado, mas tinha líderes). 

Pedro Bala, o líder, de longos cabelos loiros e uma cicatriz no rosto, uma espécie de pai para os garotos, mesmo sendo tão jovem quanto os outros, e depois descobre ser filho de um líder sindical morto durante uma greve; Volta Seca, afilhado de Lampião, que tem ódio das autoridades e o desejo de se tornar cangaceiro; Professor, que lê e desenha vorazmente, sendo muito talentoso; Gato, que com seu jeito malandro acaba conquistando uma prostituta, Dalva; Sem-Pernas, o garoto coxo que serve de espião se fingindo de órfão desamparado (e numa das casas que vai é bem acolhido, mas trai a família ainda assim, mesmo sem querer fazê-lo de verdade); João Grande, o "negro bom" como diz Pedro Bala, segundo em comando; Querido-de-Deus, um capoeirista que é só amigo do grupo; e Pirulito, que em grande fervor religioso. 

O ápice da primeira parte vem em duas partes: quando os meninos se envolvem com um carrossel mambembe que chegou na cidade, e exercem sua meninez; e quando a varíola ataca a cidade e acaba matando um deles, mesmo com Padre José Pedro tentando ajudá-los e se encrencando por isso. 

2ª Parte 

A segunda parte, "Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos", surge uma história de amor quando a menina Dora torna-se a primeira "Capitã da Areia", e mesmo que inicialmente os garotos tentem tomá-la a força, ela se torna como mãe e irmã para todos. (O homossexualismo é comum no grupo, mesmo que em dado momento Pedro Bala tente impedí-lo de continuar, e todos eles costumam "derrubar negrinhas" na orla). Mas Professor e Pedro bala se apaixonam por ela, e Dora se apaixona por Pedro Bala. Quando Pedro e ela são capturados (ela em pouco tempo passa a roubar como um dos meninos), eles são muito castigados, respectivamente no Reformatório e no Orfanato. Quando escapam, muito enfraquecidos, se amam pela primeira vez na praia e ela morre, marcando o começo do fim para os principais membros do grupo. 

3ª Parte 

"Canção da Bahia, Canção da Liberdade", a terceira parte, vai nos mostrando a desintegração dos líderes. Sem-Pernas se mata antes de ser capturado pela polícia que odeia; Professor parte para o RJ para se tornar um pintor de sucesso, entristecido coma morte de Dora; Gato se torna uma malandro de verdade, abandonando eventualmente sua amante Dalva, e passando por ilhéus; Pirulito se torna frade; Padre José Pedro finalmente consegue uma paróquia no interior, e vai para lá ajudar os desgarrados do rebanho do Sertão; Volta Seca se torna um cangaceiro do grupo de Lampião e mata mais de 60 soldados antes de ser capturado e condenado; João Grande torna-se marinheiro; Querido-de-Deus continua sua vida de capoeirista e malandro; Pedro Bala, cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai se envolvendo com os doqueiros e finalmente os Capitães da Areia ajudam numa greve. Pedro Bala abandona a liderança do grupo, mas antes os transforma numa espécie de grupo de choque. Assim Pedro Bala deixa de ser o líder dos Capitães da Areia e se torna um líder revolucionário comunista. 

Conclusão: Este livro foi escrito na primeira fase da carreira de Jorge Amado, e nota-se grandes preocupações sociais. As autoridades e o clero são sempre retratados como opressores (Padre José Pedro é uma exceção mas nem tanto; antes de ser um bom padre foi um operário), cruéis e responsáveis pelos males. 

Os Capitães de Areia são heróicos, "Robin Hood's" que tiram dos ricos e guardam para si (os pobres). O Comunismo é mostrado como algo bom, e o Padre José Pedro tem dúvidas quanto a posição da Igreja quanto ao assunto. No geral, as preocupações sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os transformam em personagens únicos e corajosos, corajosos Capitães da Areia de Salvador.

Divergente, Insurgente, Convergente (Veronica Roth)


Divergente 

Tudo começa com Chicago no futuro, onde a cidade foi dividida em 5 facções: Abnegação, Audácia, Erudição, Amizade e Franqueza. 

A história se passa em um futuro pós apocalíptico, numa cidade, onde as pessoas estão divididas em cinco facções e o que define a facção que cada um pertencente é a virtude que prevalece na pessoa. A Abnegação é para aqueles que priorizam a vontade do próximo, para os altruístas; Amizade, para os que praticam a bondade, o perdão e procuram a paz; Audácia, para os corajosos e destemidos; Erudição, para sábios, inteligentes e curiosos; Franqueza, para pessoas sinceras e imparciais. Existe também os sem-facção, que são aqueles que não se encaixam em nenhuma das facções existentes. Cada facção acreditava em motivos diferentes que levaram ao "fim do mundo", a Abnegação, culpa o egoísmo, a Amizade culpa a guerra, a Erudição a ignorância, a Franqueza, a desonestidade e a Audácia, a covardia. 

Beatrice "Tris" Prior completa 16 anos e, como todos os outros jovens da sua idade, ela tem que passar por um teste de aptidão, que dirá a qual facção ela pertence. Mas o que acontece quando o resultado do teste é inconclusivo? 

No início do livro, vemos como é a vida de Tris antes do teste de aptidão e conhecemos um pouquinho da sua facção de origem. Após fazer o seu teste, Tris descobre que é Divergente, ou seja, tem aptidão para mais de uma facção, mas ela tem guardar esse segredo, pois ele pode custar a sua vida. Além de lidar com essa descoberta, ela ainda tem que escolher em qual facção passará o resto da sua vida - uma escolha nada fácil. Nós vemos sua vida, que antes era pacata, se transformar em uma aventura diária. 

Além de Tris, outro personagem com grande destaque é Quatro, um rapaz misterioso. Vale mencionar também Christina, Will e Tori. Há algumas cenas românticas, mas esse não é o foco da história. 

É uma trama incrível, onde é apresentado essa nova sociedade futurista, num mundo distópico. Cheia de segredos,e mistérios, Verônica conseguiu construir uma ótima história. 


Insurgente 

Um livro de distopia incrível. Mistura ficção científica com romance e drama. 

No primeiro livro temos a guerra entre as facções, muita gente morre, amigos e familiares de Tris. Depois dessas mortes ela não é mais a mesma. Ela acorda muita vezes tendo pesadelos com essas mortes que ao longo do livro atormentam a vida dela, a ponto dela não conseguir nem pegar em uma arma para se defender. 

Insurgente começa onde Divergente termina, sem mais! Após a guerra, Tris, Tobias e seus companheiros vão se refugiar no complexo da Amizade. Lá eles encontram abrigo, apoio e um sistema igualitário, que eles sabem muito bem que não vão poder ficar lá por muito tempo. 

O primeiro livro focou muito nas facções da Audácia, Abnegação e Erudição. Neste temos uma maior participação da Amizade, Franqueza e também dos Sem-Facção. Após os acontecimentos bombásticos do final de Divergente, Insurgente inicia com um ar de dúvidas e confusão. A cidade está dividida, as facções em conflito, e as lealdades são postas a prova. 

E no meio ao caos, surge uma nova questão. A existência de um segredo, uma verdade tão perturbadora a respeito da história da cidade e do mundo exterior, que teria sido o real motivo de tudo que aconteceu no final do primeiro livro. Porém, a fonte dessa informação não é a pessoa mais confiável do mundo, e Tris tem que decidir em quem confiar, se deve ou não seguir seus instintos na busca dessa verdade, e pesar as consequências possíveis, caso esteja sendo enganada, e não exista segredo algum. 

Então Tris se vê em um dilema quando descobre que uma das facções detêm um misterioso segredo que pode colocar em risco o futuro de todas as outras facções. Sem pausa para relaxar, Tris e amigos precisam decidir, e eles não possuem muito tempo para isto, se seguem seus corações e fidelidade à suas facções ou renegam suas crenças e buscam descobrir a verdade. 


Convergente 

Desde o primeiro livro nos acostumamos à narração de Tris, porém no último livro entra em cena um novo narrador e eles dividem os capítulos, mesclando as narrativas. 
Convergente dá continuidade à grande revelação feito no final de Insurgente: há um mundo lá fora, e os Divergentes precisam sair para encontrá-lo. Porém, a líder do sem-facção, Evelyn Johnson, não se importa. Ela quer apenas destruir o sistema de facções e manter todos naquela cidade, usando autoritarismo e julgando cada pessoa por traição. 

Em meio à esse novo sistema, há um grupo de pessoas, os Leais, que desejam voltar ao sistema de facções e mandar um grupo para investigar o que quer que haja lá fora. Assim, nossos protagonistas Tris e Tobias, além de Tori, Christina, Cara, Peter, Caleb e Uriah vão em direção ao desconhecido, e lá descobrem que, literalmente, a vida deles foi uma completa mentira. E pior do que isso, uma mentira baseada em uma crença equivocada. Eles devem lutar contra isso. 

A Chicago futurística conhecida por Tris, parece não ser mais a mesma. Depois de ter descobrido mentiras e revelações bombásticas sobre o que há por trás das facções, ela terá que se juntar ao seu namorado, Tobias, seus amigos e novas ajudas para, mais uma vez, lutar pela sua sobrevivência e a de quem ama. E isso será cada vez mais difícil...

O Cemitério dos Vivos (Lima Barreto)


Sob a estética do Pré-Modernismo, analiso a obra Cemitério dos Vivos, de Lima Barreto, estabelecendo relações dessa com História da Loucura, de Michel Foucault.
Em Cemitério dos Vivos é relatada a vida (desde os quase 20 anos de idade) de Vicente Mascarenhas que conhece, no hotel em que estava hospedado, no Rio de Janeiro, a propósito de seus estudos, a filha da dona do lugar, Efigênia. Entre muitos fatos e detalhes narrados, é evidenciado que, por uma questão de acomodação, casa-se com Efigênia. Assim, muitas foram as dificuldades e as dívidas nessa relação, se é que podemos chamar, amorosa. Mascarenhas somente dá a valorização devida e sente falta da esposa após essa ter falecido. O filho do casal, com 4 anos de idade, tinha problemas mentais e o pai, entrega-se ao alcoolismo. No natal de 1919, Mascarenhas foi internado em um hospital psiquiátrico. Este livro retrata, ora uma tragédia pessoal (a vivência no hospício), ora uma tragédia familiar (casamento sem valor diante de seus olhos). Bosi (1997) esclarece que a obra compilada postumamente, divide-se em duas partes: a primeira, o diário do escritor, respectivo ao casarão da Praia Vermelha; a segunda, o romance, esboçando a tragédia doméstica  com fragmentos alternados entre suas memórias no hospício. Duplamente interessante isto: primeiro, porque ratifica a tragédia do personagem Mascarenhas e, em segundo lugar, porque, atento para o termo do escritor, ou seja, a obra possui um caráter biográfico - autobiográfico - na medida em que está, o próprio Lima Barreto, falando de sua vida. Nessa proporção, tem-se ainda Diário Íntimo, também um livro de memórias, de observações pessoais e que, em hipótese alguma, almejava ser publicado, bem como as tiras de papel escritas no hospício, por vezes a lápis, outras à tinta de Cemitério dos Vivos - ambos guardados na Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional e publicados em 1956.  O livro trata das lembranças vivenciadas que Mascarenhas vai relatando. Inicia-se com a explicação de que ele está num hospício (um tempo presentificado por seu narrador-protagonista) e, após, o relato de lembranças, fatos e acontecimentos, tanto dentro, quanto fora do hospício (dados em um tempo passado até o final do texto). Sob o ponto de vista da biblioteca, faço menção a um ponto de suma importância no desenrolar da obra que unirá as duas pontas dessa obra de Lima Barreto e da obra de Foucault, História da Loucura. Ao longo de toda a narrativa, Cemitério dos Vivos, evidencio o quanto Mascarenhas adora o prazer da leitura. Dessa maneira, é em Foucault que posso ratificar a significação que o universo do personagem-protagonista possui, especificamente, quando enfatiza que a civilização desenvolve a loucura. O narrador possui fascínio por suas leituras. Com base em Foucault (1972), certamente, é muito fina e tênue a película que separa a in sanidade e a sabedoria. Acredito, fielmente, na possibilidade de qualquer processo em excesso causar danos. Assim é com a paixão - seja qual for seu objeto. Este personagem possui um grande interesse por viver um mundo fantasioso: o da leitura - assim como o próprio Barreto!

Na obra, Barreto faz referência à deusa Ísis - deusa mitológica egípcia - que conquistou não só o vale do Rio Nilo em uma país afortunado, mas também todas as nações através de sua eloqüência  persuadindo e comovendo por meio de palavras. Nesse sentido, constato como foi bem escolhida a deusa, pois o autor, um apaixonado pelas rodas literárias e pela academia, busca uma figura que, assim como ele, ratifica o amor pelas letras e pelas palavras. Barreto expõe como ninguém a sociedade que o circundava. Dessa forma, Cemitério dos Vivos foi uma obra cujas páginas expressavam sua pura rebeldia intelectual. Assim, concluo que Barreto, por meio das experiências vivenciadas no hospício tratou de relatá-las sob a voz de um personagem que, assim como ele apresenta-se marginalizado, estigmatizado e, por fim, tido como louco. Durante toda a diérese existem as marcas de uma sociedade que se mostra rotuladora da sanidade e insanidade dos outros: do que é certo e do que é errado. Junto a isso, evidencio, ainda, no convívio de Barreto no hospício, que as diferenças econômicas - das classes sociais - são gritantes e, também, permeiam toda a narrativa, bem como as hierarquias. Afinal, no que diz respeito a essas últimas, além dos diferentes níveis sociais - pobres e ricos no hospício -, existe também a hierarquia da categorização dessas pessoas - pensionistas, crianças, mulheres - e das que trabalham no local. Para finalizar, em relação a uma perspectiva de Brasil, percebo que o desfecho da obra é inacabado e, em sua cena final há o trecho em que ele revela ter ficado só, à janela. Estar só no vão da janela, aponta para uma situação de  passividade, de não ter o que se fazer, de falta de expectativa e, assim, de perspectiva em relação ao Brasil. Essa questão aponta diretamente para todas as mudanças que já estavam ocorrendo com a Semana de Arte Moderna. Dessa maneira, o que Lima Barreto faz em sua obra é abrir espaço para que seja conhecido o mundo tão estigmatizado dos loucos, não deixando, também, de estar fazendo uma crítica ao sistema carcerário dos hospícios pelo modo como tratam seus internos. Lima Barreto desvela o mundo dos loucos e, assim, antecipando o Modernismo, inclui indivíduos tão excluídos - não em relação racial, mas em relação à sociedade - cumprindo, assim, seu papel principal: agredí-la!

Correspondência de Abelardo e Heloísa (Martins Fontes)


O caso de Abelardo e Heloísa é uma história de Amor das antigas, anterior a Romeu e Julieta, do século XII para ser mais preciso. Pouco sabemos de verdade sobre este Amor entre professor e aluna se sequer se existiu. O livro em si, Correspondência de Abelardo e Heloísa * além de um breve estudo inicial, nos apresenta cinco epístolas - gênero muito difundido na antiguidade latina - trocadas entre os famosos "amantes", as quais juntas costuram um tecido de uma apaixonante colcha de casal medieval, sem rasgá-lo ou remendá-lo por completo. Ao contrário, deixam dúvidas descobertas tão atrozes que inúmeros estudos e hipóteses são bordados há quase 1000 anos. Enfim, um belíssimo texto no sentido pleno.
A primeira das cartas é, na verdade, uma confissão de Abelardo a um amigo. Toda a história dos infortúnios é contada longa e complacentemente: das aulas (e confusões) de filosofia que o professor ministrava nas incipientes escolas medievais, dos primeiros encontros furtivos com a bela e jovem Heloísa ao trágico episódio da castração do protagonista (sim, castração!) e o longo e conseqüente arrefecimento de uma "concupisciência literária" amaldiçoada na obra. O gênero epistolar e a tragédia da emasculação podem parecer desestimulantes ou desagradáveis (principalmente aos homens…) mas, ao contrário, a prosa é por demais envolvente e impetuosa. O tom íntimo e confessional da carta, bem como a retórica e erudição do autor - exageros de linguagem característicos destes tempos "barrocos" - cativam e inebriam, ainda que desconfiemos da soberba do protagonista em suas confissões, ora puramente arrogante, ora calorosa: "Sob o pretexto de estudar, entregávamos inteiramente ao amor. As lições nos propiciavam esses tête-à-tête secretos que o amor anseia. Os livros permaneciam abertos, mas o amor mais do que nossa leitura era o objeto dos nossos diálogos; trocávamos mais beijos do que proposições sábias. Minhas mãos voltavam com mais freqüência a seus seios do que a nossos livros. O amor mais freqüentemente se buscava nos olhos de um e outro do que a atenção os dirigia sobre o texto" [1].
Heloísa coloca sua colher na obra quando recebe e lê por acaso a carta endereçada ao amigo de Abelardo. Responde-lhe então com o fervor e a paixão do amor feminino, mas um amor já contido e amargurado pela desgraça dos infortúnios que lhes afligira (certamente, muito mais a ele!), um amor já em princípio de revolta, tamanha submissão religiosa por ela aceita - ambos dedicam-se à vida monástica após o fracasso amoroso. Abelardo recebe e responde a epístola de sua amada, porém ensaia uma resposta com ensinamentos de uma frieza tão grande que chega a parecer desdém aos pedidos de boa notícia que Heloísa tanto lhe rogava. Aí ela "roda a baiana" na quarta carta - um reconhecido ponto alto da obra.
Ela confessa-lhe um amor inimaginável, supremo e irrestrito, acima do Deus a quem ela serve por obrigação do pedido de Abelardo, unicamente como prova de amor incondicional a seu amado terreno. Assim, Heloísa profere vitupérios ao destino (a deusa Fortuna, para a cultura latina), à sabedoria, à prudentia, à temperança, à castidade e a todos os valores que lhe parecem falsos por terem lhes conduzido à infeliz ruína amorosa - resumo de sua vida conjugal. E o aparato filosófico e bíblico esquenta o conflito entre intelecto monástico e mente pecaminosa, caliente em diversas passagens: "Os prazeres amorosos que juntos experimentamos têm para mim tanta doçura que não consigo detestá-los, nem mesmo expulsá-los de minha memória. Para onde quer que eu me volte, eles se apresentam a meus olhos e despertam meus desejos. Sua ilusão não poupa meu sono. Até durante as solenidades da missa, em que a prece deveria ser mais pura ainda, imagens obscenas assaltam minha pobre alma e a ocupam bem mais do que o ofício. Longe de gemer as faltas que cometi, penso suspirando naquelas que não pude cometer" [2]. Nem os homens nem mesmo as mulheres escapam a suas vociferações ("As mulheres não poderão então jamais conduzir os grandes homens senão à ruína" [3]) - argumento a favor da manipulação e falsidade da própria obra.


Abelardo encerra neste livro o conjunto das correspondências com uma carta consoladora. Uma espécie de tratado que defende os valores sacrossantos do matrimônio (pois resignou-se a acreditar que seu casamento fora um atentado ao pudor - ah, se eles imaginassem a lascívia do mundo de hoje…), uma contra-argumentação sólida dos pontos fortes expostos por Heloísa que se assemelha a um primeiro tratado de pura retórica. E digo "neste livro" e "primeiro tratado" pois parece haver continuação desta seqüência de epístolas, de essência puramente filosófica, diferente destas apaixonantes cartas - tema de novos tratados para um outro livro. Para os mais eufóricos com o cinema, há uma adaptação de 1988 deste caso de amor para as telas, o filme Stealing Heaven (traduzido no Brasil como Em nome de Deus), que, além das cores reluzentes, não guarda a mágica das palavras, ainda que conte quase a mesma história…
Há um encaixe perfeito entre as epístolas (ou coesão do conjunto, um discurso compacto e persuasivo, segundo Duby [4]) que nos faz questionar não só a autenticidade da correspondência mas também o propósito monástico de tais escritos. Há um ambiente cristão misturado a valores pagãos, o que tempera a imaginação com muito misticismo medieval. Uns se questionam: houve mesmo tamanho desencontro e sofrimento nesta tragédia, no sentido medieval do termo (ação com final infeliz), como nos lembra Zumthor no prefácio do livro. Há a valorização da tradição latina em confronto com o ideal cavaleiresco que surge no período e inúmeros outros apontamentos. Enfim, muito já se falou e ainda é possível falar sobre esta facinante história de amor de tão longes tempos. E uma infinidade de leituras permite também uma inesgotável gama de análises - proposta que foge do objetivo deste curto ensaio. Como este amor fracassou ou por quê Abelardo foi castrado? - estas ciladas da curiosidade ficam ao leitor e leitora que desejam saber mais de uma história de Amor que vale a pena ser conhecida.

Confissões de Lúcio (Mário de Sá-Carneiro)


Em 1895, Lúcio vai estudar direito em Paris. Encontra outro português, que o apresenta a uma exótica mulher, a americana, e ao poeta Ricardo. Esta mulher dá uma festa indescritível de sensualidade a que comparecem os três rapazes portugueses. Um mês depois da festa a amizade de Ricardo e Lúcio está mais que consolidada. Após dez meses de longos papos, Ricardo retorna inexplicavelmente a Portugal. Durante um ano escrevem-se cartas: Ricardo duas e Lúcio três. Em 1897, no mês de Dezembro, Lúcio também volta a Portugal e encontra o amigo casado com Marta, ou pelo menos vivendo com ela.
Durante vários meses freqüenta a casa do amigo e acaba tornando amante de Marta. Um dia descobre que ela tem outro amante, sente ciúmes: "aquele corpo esplêndido, triunfal, dava-se a três homens – três machos se estiraçavam sobre ele, a poluí-lo, a sugá-lo!... Três? Quem sabia se uma multidão? ... “e ao mesmo tempo esta idéia me despedaçava, vinha-me um desejo perverso de que assim fosse... " Em 1899, enciumado, espiona a mulher e, com o marido (por acaso), vê quando ela entra na casa de um russo. Torturado pelas emoções conflituosas, deixa Portugal e volta para Paris.
Em 1900, o empresário Santa-Cruz de Vilalva o encontra em Paris e pede para encenar sua peça. Lúcio deixa e, mais tarde, reescreve o final, levando-o a Portugal para mostrar ao empresário. Este não aceita o novo final, e Lúcio impede a montagem do espetáculo.
Lúcio encontra Ricardo e o agride verbalmente. Ricardo confessa que mandava Marta possuir os amigos que ele amava. Para ele era uma forma de se materializar e retribuir as amizades, principalmente a amizade por Lúcio que era seu maior amigo. Ricardo, muito abalado tira um revólver e atira em si próprio deixando sua arma cair aos pés de Lúcio. Marta desaparece imediatamente. Lúcio é acusado pelo crime e vai preso. Aproximadamente 10 anos depois ( porque não se esclarece o tempo de duração do processo)  Lúcio termina de cumprir a pena e vai para um lugar retirado, no interior. Aí escreve a sua confissão que é datada de 1913, quando escreve sua história.


Clara dos Anjos (Lima Barreto)


O romance passa-se no subúrbio carioca e Lima Barreto descreve o ambiente suburbano com riqueza de detalhes, como os vários tipos de casas, casinhas, casebres, barracões, choças e a vida das pessoas que ali vivem.
Clara é uma mulata pobre, que vive no subúrbio carioca com seus pais, Joaquim e Engrácia, mulher sedentária e caseira. Joaquim era carteiro, gostava de violão e de modinhas. Ele mesmo tocava flauta, e também compunha valsas, tangos e acompanhamentos de modinhas. Além da música, a outra diversão do pai de Clara era passar as tardes de domingo jogando solo com seus dois amigos: o compadre Marramaque e o português Eduardo Lafões, um guarda de obras públicas. Poeta modesto, semiparalisado, Marramaque freqüentara uma pequena roda de boêmios e literatos e dizia ter conhecido Paula Nei e ser amigo pessoal de Luís Murat.
Lima Barreto denuncia, na figura de Marramaque, a influência das rodas literárias, grupos fechados que abundam no Brasil; a cultura da oralidade, dos que aprendem muita coisa de ouvido e, de ouvido, falava de muitas delas, tendo um cultura superficial, de verniz; e o azedume dos que não conseguem brilhar nas rodas de gente fina.
Clara era a segunda filha do casal. Tinha dezessete anos, era ingênua e fora criada com muito desvelo, recato e carinho e a não ser com a mãe ou pai, só saía com Dona Margarida, uma viúva muito séria, que morava nas vizinhanças e ensinava a Clara bordados e costuras.
O autor reitera sempre a personalidade frágil da moça: sua alma amolecida, capaz de render-se às lábias de um qualquer perverso, mais ou menos ousado, farsante e ignorante, que tivesse a animá-lo o conceito que os bordelengos fazem das raparigas de sua cor como resultado de sua educação reclusa e temperada pelas modinhas.
Essa natureza elementar de Clara se traduzia na ausência de ambição em melhorar seu modo de vida ou condição social por meio do trabalho ou do estudo.
A descrição de Clara reforça os malefícios da formação machista, superprotetora, repressiva e limitadora reservada às mulheres na nossa sociedade.
Por intermédio de Lafões, o carteiro Joaquim passa a receber em casa o pretendente de Clara, Cassi Jones de Azevedo, que pertencia a uma posição social melhor.
O padrinho Marramaque, que já lhe conhecia a fama, tenta afastá-lo de Clara quando percebe seu interesse. Na festa de aniversário da afilhada, provoca Cassi e deixa claro que ele não é bem-vindo ali e que seria melhor que se retirasse. Cassi vinga-se de modo violento: junta-se a um capanga e ambos assassinam Marramaque. Clara, que já suspeitava das ameaças do rapaz ao padrinho, passa a temê-lo, mas ele consegue seduzi-la, principalmente ao confessar seu crime, dizendo que matou por amor a ela.
Malandro e perigoso, Cassi já havia se envolvido em problemas com a justiça antes, mas sempre fora acobertado pela sua família, especialmente sua mãe, que não queria que fosse preso. Assim, conseguia subornar a polícia e continuar impune, mesmo depois de ter levado a mãe de uma de suas vítimas a perseguição da imprensa e ao suicídio..
O exagero narrativo de Lima Barreto torna-se patente ao descrever a figura do sedutor. Branco, sardento e de cabelos claros, é a antítese de Clara.
Clara engravida e Cassi Jones desaparece. Convencida pela vizinha, dona Margarida, que procurara na tentativa de conseguir um empréstimo e fazer um aborto, ela confessa o que está acontecendo à sua mãe. É levada a procurar a família de Cassi e pedir reparação do dano. A mãe do rapaz humilha Clara, mostrando-se profundamente ofendida porque uma negra quer se casar com seu filho. Clara agora é que tinha a noção exata da sua situação na sociedade. Fora preciso ser ofendida irremediavelmente nos seus melindres de solteira, ouvir os desaforos da mãe do seu algoz, para se convencer de que ela não era uma moça como as outras; era muito menos no conceito de todos. O autor representa, na figura de Clara e no seu drama, a condição social da mulher, pobre e negra, geração após geração. .
E, na cena final, ao relatar o que se passara na casa da família de Cassi Jones para a sua mãe, conclui, em desespero, como se falasse em nome dela, da mãe e de todas as mulheres em iguais condições: “Nós não somos nada nesta vida”!


Caminho de Pedras (Rachel de Queiroz)


Há uma idéia matriz neste romance e em torno dessa idéia é que vai gravitar toda a sua ação: a da desigualdade social da mulher.
João Jacques é o marido de Noemi e ambos tem um filho, o Guri. Jacques não é borracho, nem libertino e nem portanto espanca a mulher. É ótimo pai e um bom marido vivendo em paz com a mulher. Mas a paz matrimonial é mais fecunda em paz do que em amor. Porém o espírito era diferente, o espírito da mulher de João Jacques do espírito dele.
Com isso, Noemi conhece um homem, o Roberto, que reflete um espírito como o dela, de idéias e gostos que se completam. Simpatizam-se e atrás da simpatia veio o amor entre eles.
Noemi, no entanto, não detesta o marido e vacila na separação. Ela sente, a mulher de João Jacques que não tem o direito de sacrificar ao egoísmo do seu prazer a alegria e a paz do momento. Portanto Noemi cometia o adultério se envolvendo escondida com Roberto.
Mulher de vontade própria, firme, acostumada a lutar como um homem pela vida e não querendo fazer do adultério uma traição, ela não sabe como ir a João Jacques e propor a separação, que depois se tornaria inevitável.
João Jacques, então, foi embora e Noemi passa a viver com Roberto e o filho. A sociedade a reprovava e até seu chefe a demitiu.
Um dia, o Guri, o filho de Noemi adoeceu e acabou morrendo por uma febre que lhe dava convulsões. Noemi ficou desesperada. Chorou muito!
No final do romance todos foram embora, um a um: João Jacques, o Guri, os seus amigos como Felipe e Angelita, e o Roberto. Sim, o Roberto. Ele foi preso e levado para longe pois quis dar proteção à Noemi que se encarregara de entregar o maço de boletins nos quarteirões. (Relaciona-se a propagandas subservivas por fazerem parte de uma organização trabalhista).
Roberto que foi junto com ela para protegê-la, acabou sendo preso e levado embora, para o Sul ou para uma  ilha, não se tinha certeza. E Noemi foi solta porque estava grávida de Roberto. Então acabou ficando sozinha.
 Assim termina o livro, com Noemi pisando em falso em uma pedra solta e subindo a ladeira, conversando com o filho no ventre:
- Mais devagar, companheiro!

Ciranda de Pedra (Lygia Fagundes Telles)


Ciranda de Pedra, primeiro romance de Lygia Fagundes Telles, datado de 1954, reproduz o comportamento humano e seus relacionamentos. Isso é feito a partir de Virgínia, a protagonista, que vive uma complexa situação familiar e tenta ultrapassar as limitações sociais de um mundo masculino e busca uma identidade que defina um ser completo. Mais que apenas uma afirmação da condição feminina, da procura por independência e autosuficiência, o que a autora produz é uma reflexão sobre a própria condição humana, sobre a impossibilidade de se participar na ciranda de pedra.

Em Ciranda de Pedra vivencia-se a desestruturação de uma família burguesa e a dissolução dos costumes. Laura, mãe de Virgínia, a protagonista, comete adultério contra um marido que lhe dava pouca ou nenhuma atenção, abandona um casamento infeliz, mas, ao ter a coragem de romper com a ordem estabelecida, acaba tendo de sofrer as conseqüências. Fica sem duas de suas filhas e ainda tem de arcar com o castigo divino, a loucura. “Nossa mãe está pagando por um erro terrível, será que você não percebe? Abandonou o marido, as filhas, abandonou tudo e foi viver com outro homem. Esqueceu-se dos seus deveres, enxovalhou a honra da família, caiu em pecado mortal!”

Enredo

Virgínia é filha de um casal separado: Laura e Natércio. Sua infância é marcada pela tristeza e solidão. Quando da separação, Laura foi viver em casa de Daniel, seu antigo médico, levando consigo Virgínia. Em casa de Daniel, Laura conta com Luciana, empregada antiga e dedicada, para os cuidados tanto do dia-a-dia doméstico, quanto para com Virgínia, que é ainda muito jovem. Luciana exerce grande influência no espírito da menina. Laura, já muito doente, tem seu estado de saúde agravado, apesar de todos os cuidados e desvelo que Daniel concede a ela, inclusive recorrendo a todos os seus recursos financeiros para as despesas de saúde que exigem o estado de sua querida paciente. Sendo assim, a infância de Virgínia é marcada por grandes dificuldades: de um lado, as financeiras que não permitem à menina realizar pequenos desejos e sonhos (trocar a mobília, por exemplo), posto que todos os recursos de Daniel sejam voltados principalmente para os cuidados com sua mãe; de outro lado, a solidão em que vive e o profundo sentimento de rejeição, pois ela não se sente aceita sequer na casa de Natércio por ocasião das visitas semanais que lhe faz.

Estes sentimentos e conflitos nos são apresentados quando vamos conhecendo detalhes como o fato de Virgínia possuir duas irmãs, Bruna e Otávia que vivem em companhia do pai, Natércio, advogado conceituado que desfruta de bons recursos econômicos, conseqüentemente vivendo estas últimas em condições (econômicas) mais confortáveis que Virgínia (que, entre outras coisas, usa roupas reformadas da mãe, ou das irmãs, bem como os móveis de seu quarto, que são "sobras" do quarto reformado de Otávia). Seu sofrimento e amargura se afloram tanto mais quando em uma de suas visitas à casa de Natércio, muito grande e bonita, com vasto jardim onde existe uma ciranda de anões de pedra com uma fonte, local que ela costuma com freqüência visitar. Mas, apesar da ciranda de anões que ela ama, Virgínia sente-se muito desconfortável na presença das irmãs que a hostilizam e nas quais ela só vê qualidades, enquanto que ela, Virgínia, ao seu modo de ver, só tem defeitos. Sente-se desconfortável também por não conseguir de Natércio, gestos de carinho e afeto de que ela tanto necessita e que ele não oferece, posto que é um homem muito convencional e severo. Angústia e solidão. São estes os sentimentos que Virgínia conhece quer na casa de Natércio quer na casa de Daniel. Nesta última, a menina não pode sequer aproximar-se da mãe, pois esta tem raros momentos de lucidez e encontra-se em estado físico e mental bastante precários.

Distante também é seu relacionamento com Daniel, com quem até hesita em alguns momentos, entre o desejo de ter alguma atitude mais afetuosa, porém recuando sempre, na dúvida de como seria recebido seu gesto. O sonho de Virgínia, nessa época, se resume entre o desejo de ir morar com o pai e as irmãs, e, o que seria a realização máxima, a recuperação de sua mãe com o conseqüente retorno das duas para aquela casa e a família novamente reunida. Porém, o estado de saúde de Laura se agrava, fazendo com que Virgínia realize parte de seu sonho: ela volta a morar naquela casa, passando a conviver com as irmãs, Bruna e Otávia, com Frau Herta (a governanta), e os amigos Conrado (por que é apaixonada), Letícia (irmã de Conrado) e Afonso. No momento em que Virgínia volta a morar naquela casa, ela se dá conta de que aquele ambiente familiar com o qual ela sonhava, era uma ilusão. Sentindo-se rejeitada pelas irmãs que criticam a mãe por ter-se separado do pai, e sem receber de Natércio o afeto, apoio e carinho que esperava, a menina percebe que não há lugar para ela nesse fechado círculo. Compara a ciranda de anões de pedra do jardim, que era sua paixão, com o grupo tão fechado formado por Bruna, Otávia, Afonso, Letícia e Conrado.

É nesse conflito de sensações que, duas semanas após a sua chegada àquela casa, Virgínia recebe a notícia da morte da mãe, seguida do suicídio de Daniel. É também nessa circunstância que Luciana (que era apaixonada por Daniel), num momento de profunda dor, revela à menina, durante uma visita, que Daniel era seu verdadeiro pai. Sente-se, então, mais sozinha do que nunca e, dando-se conta que jamais seria aceita no grupo, da maneira que desejava, pede a Natércio que a interne no colégio, pedido este que é por ele aceito.

A segunda parte do romance tem início com uma Virgínia já adulta deixando o colégio e voltando para a casa de Natércio. Acreditando que já havia superado todas as suas angústias chega àquela casa, mas não demora a perceber que o grupo continua fechado: uma ciranda de pedra mais rígida que nunca. Bruna, ainda mais moralista, havia se casado com Afonso. Otávia, alienada, dedicava-se à pintura e a alguns amantes ocasionais. Natércio, envelhecido, já não trabalhava mais. Frau Herta estava doente, só e abandonada em um cômodo sujo e pobre de um bairro afastado. Letícia, agora, dedicava-se ao esporte: uma tenista premiada e que se interessava apenas por mulheres. Por fim, Conrado, seu grande amor de infância, amor que ardia ainda em seu coração, vivia isolado, recuado, com sérios problemas sexuais. O retorno de Virgínia ao convívio com o círculo familiar reabriram-lhe as antigas feridas. Mas é neste momento também que ela percebe a real face de cada componente da ciranda, suas fraquezas, suas amarguras. Cada máscara se rompe. Ela se dá conta do que, na verdade, se escondia por trás daquela hostilidade e rejeição: ela era desejada por todos ao mesmo tempo e, por isso, temida. Aos poucos, então, vai-se apresentando uma Virgínia mais amadurecida e forte, independente e segura. Ela abandona, por fim, as tentativas de sua entrada nesse círculo fechado, decidindo-se por uma longa viagem, sem perspectiva de volta. Não mais a ciranda de pedra, não mais o desejado jardim, não mais os sonhos. Nem mesmo Conrado. Tudo havia ficado no passado. Mas, como uma rocha, em suas lembranças estaria gravado. “... um dia, um besouro caiu de costas. E besouro que cai de costas não se levanta nunca mais".

Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez)

O livro conta a história de Macondo, uma cidade mítica, e a dos descendentes de seu fundador, José Arádio Buendía, durante um século. Usando recursos do realismo mágico, estilo que ajudaria a difundir a partir de seu lançamento, em 1967, o livro mescla revoluções e fantasmas, incesto, corrupção e loucura, tudo tratado com naturalidade. A história começa quando as coisas não tinham nome e vai até a chegada do telefone. Um comboio carregado de cadáveres. Uma população inteira que perde a memória. Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura. Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romance, no qual se narra a mítica história da cidade de Macondo e de seus inesquecíveis habitantes. Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é tido, por consenso, como uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna. O livro logo tornou o colombiano Gabriel García Márquez (1928) uma celebridade mundial; quinze anos depois, em 1982, ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura. Aqui o leitor acompanhará as vicissitudes da numerosa descendência da família Buendía ao longo de várias gerações. Todos em luta contra uma realidade truculenta, excessiva, sempre à beira da destruição total. Todos com as paixões à flor da pele. E o "realismo mágico" de García Márquez não dilui a matéria de que trata no caso, a história brutal e às vezes inacreditável dos países latino-americanos. Pelo contrário: só a torna mais viva. Trata-se de um livro que exige grande concentração para a leitura, é uma obra de referência que exige alguma sagacidade. Mas para que possa abrir-lhe o apetite para a leitura do livro digo-lhe isto: de início, é extremamente difícil entrar no mundo irreal de Macondo. Uma pequena vila no meio do nada, cuja existência passa despercebida através do tempo, Macondo encontra-se rodeada por uma bruma de mistério e superstição. Macondo nada tem a ver com o mundo real, não apenas por este ser muito distante, mas também pelo fato de a própria vila se encontrar longe de tudo. A vila e os seus habitantes pararam em um tempo longínquo, e que a existência destes se desenrola envolvida por uma aura mágica livre do peso do evoluir da ciência e da própria vida em geral. Contudo, todos nós conhecemos a força inabalável do progresso... O único contato que Macondo viria a ter com o mundo real seria através de um grupo de ciganos comerciantes, habituados a percorrer o mundo, que certo dia ao atentarem no seu regresso, acidentalmente descobriram Macondo. A partir desta data, todos os anos estes mesmos ciganos se deslocavam até Macondo, onde eram ansiosamente esperados. De todas as vezes que tal acontecia, estes comerciantes surpreendiam os habitantes da vila com as inacreditáveis invenções do mundo moderno causando pânico, especulação, dúvida e admiração entre estes. Será neste recôndito pedaço de terra no meio do vazio, que iremos encontrar uma família peculiar, cujo historial será um dos mais enigmáticos de sempre: a família Buendía, cujas gerações se apresentam irremediavelmente condenadas a cem anos de solidão. Cada membro desta família teria confinado na sua pessoa algum dom ou espécie de poder algo estranho, que os acompanharia ao longo das suas vidas, sendo estas um emaranhado de caminhos tortuosos, onde por diversas ocasiões a solidão se sobreporia à felicidade. Uma de entre muitas particularidades da família Buendía, parece residir no fato de os netos herdarem os nomes dos respectivos avôs ou avós, tornando extremamente difícil, com o decorrer dos anos, identificar as várias “personagens” que vão surgindo. Esta é a história de uma família onde o percurso de cada um dos seus membros é retratado, e onde estes se cruzam deixando marcas indeléveis no percurso de outros, uma família na qual cada geração possui uma forte ligação com aquela que a antecedeu e assim sucessivamente. Todos os Buendía nos soam imortais numa forma através da qual todo o conhecimento e sabedoria de um é passado a outro e a outro, de tal modo que conseguimos reunir num só Buendía, pedaços de “essência” da qual é feita cada um dos outros, os quais o destino tratou de conciliar para todo o sempre. Apenas numa família como esta poderiam sobrinho e tia apaixonar-se irremediavelmente um pelo outro, ou um só homem possuir mais de cem filhos, todos eles apresentando uma marca distinta, o sinal de uma cruz nas suas testas, que um dia viria a ser a morte de quase todos eles, e a felicidade de um só. A história dos Buendía desenrola-se ao longo de inúmeras páginas deliciosas, às quais ninguém ficará decerto indiferente. No final, somente um daquela estirpe existe, Aureliano Babilonia, aquele que lê a história da sua família, escrita cem anos antes, muito antes até da sua própria morte, a qual ele lê. Ao mesmo tempo que Aureliano toma conhecimento da história da sua família, vai morrendo, incapaz de resistir ao sufocante peso de tantas vidas passadas, na sua alma. Ele morre, sabendo que as gerações condenadas a cem anos de solidão, jamais terão outra oportunidade na terra, pois na altura em que Aureliano acaba as últimas páginas, tudo o que alguma vez proporcionou a existência a Macondo seria apagado da memória dos Homens. Neste finalizar da história, os episódios que se materializaram ao longo das várias gerações fundem-se num único, difícil de olvidar. Trata-se da altura em que o pai, José Arcádio Buendía, acompanhado dos seus dois filhos, visita a tenda do cigano Melquíades, para ver a última maravilha que o mundo moderno havia cuidadosamente providenciado. Esta foi a altura em que José Arcádio Buendía e os seus filhos Aureliano e José Buendía viram gelo pela primeira vez.

Esta foi a altura em que José Arcádio Buendía disse: “ Este é o grande invento do nosso tempo!”.

Retrata a saga da família Buendia,em cem anos, na cidade fantástica de Macondo.... O autor, o colombiano Gabriel GARCIA MARQUEZ nasceu em 1928 e é um dos iniciadores do Realismo Fantástico, baseado no pressuposto de que a fantasia é tão real quanto a suposição de um fato. "Cem Anos de Solidão" (romance de 1967) também mistura a normalidade e o fantástico, o real e o sobrenatural de uma maneira típica do Realismo Fantástico e em um estilo de narrativa fragmentada e dispersa, o que é característico do pós-modernismo. O autor satiriza o caudilhismo dos ditadores hispano-americanos. E possui muitos outros romances de peso como "Memórias de Mis Tristes Putas".

Carolina (Casemiro de Abreu)


Esta historia de uma jovem que após se perder com um homem, de quem se engravida, se envereda na prostituição é um retrato claro de uma época de conservadorismo e tabus sexuais; A história escrita por Casimiro de Abreu, se assemelha em muito com outras historias de amor que tem a traição e a tragédia por pano de fundo, tipo Romeu e Julieta de Shakespeare, e tantas outras; No entanto surpreende-nos pelas conseqüências finais dos caminhos escolhidos pelos três personagens principais Augusto o apaixonado pela donzela Carolina e Fernando o Don Juan da história que se identifica como um incorrigível conquistador de donzelas, e com quem Carolina se envolveu traindo a confiança de seu amado Augusto, e a personagem central, já citada, Carolina descrita como a meiguice em pessoa e que amava a Augusto.
A história começa com Augusto se despedindo de Carolina para ir a uma viajem de negócios, os dois trocam juras de amor e se prometem guardar todo amor deles para a ocasião do reencontro ali embaixo daquela árvore frondosa, no entanto apenas pouco tempo mais tarde Carolina se envolve amorosamente com Fernando que a desflora e a abandona a própria sorte. O autor dá um pulo no tempo levando-nos a ao retorno de Augusto e sua decepção ao ver que a família da sua amada se mudara devido à vergonha resultante do envolvimento e gravidez de Carolina, que abandonou o lar. Augusto parte para Lisboa e passa a descrever a um amigo provavelmente Fernando os dois lados de uma grande metrópole desde a opulência dos ricos as miseráveis vidas dos desafortunados. Ambos vão parar num meretrício onde Fernando pede a Augusto que esqueça sua antiga paixão, incentivando-o a entregar-se ao usufruto do sexo, sem cultivar o amor que segundo ele só causa dor e decepção.
O destino sempre é generoso nos desenrolar das historias românticas, e nessa não poderia ser diferente, Augusto e Fernando sobem ao 4º andar dum prédio à procura de uma prostituta. E o destino fez com que eles se deparassem com Carolina que vendo-os conta para Augusto ter sido Fernando que se aproveitou de um momento de fraqueza dela lhe engravidando e a deixando sozinha que sem outra saída acabara se entregando a vida fácil; Augusto fica cheio de ódio de Fernando, pois era seu amigo desde a infância, lhe atraca pelo pescoço e o mata fugindo em seguida.
A consciência de Augusto atormentava-lhe pelo crime cometido a ponto de adoecer, mas ao recobrar a saúde voltou ao meretrício no afã de reencontrar Carolina, mas ela já tinha ido embora deixando uma carta aos cuidados da dona da casa de prostituição, onde a jovem pedia perdão por ter traído Augusto e confessa ainda amá-lo muito.
Carolina acabou por não resistir tanto sofrimento e morreu, antes porém deixando mais uma carta onde lamentava sua forma de agir, e falando de sua morte.
Acredito que se você chegou até aqui é por que gostou desta história que envolve amor, paixão e ódio, e não pense que isso só acontece em ficção, mesmo na vida real esse sentimento entre homem e mulher que alguns chamam de amor outros de paixão tem rendido boas histórias em todas as sociedades.

Cinco minutos (José de Alencar)

A história começa no Rio de Janeiro, quando o narrador-personagem perde o ônibus e é obrigado a pegar o próximo, ele entra e procura um lugar no fundo do carro, mas os lugares já estavam ocupados, porém uma moça afastou-se um pouco e deu lugar a ele. Minutos depois, ele tenta ver o rosto da moça mas foi impossível por conta de um véu que cobria sua face. Então  ele temeu que a mesma fosse feia. Instantes depois, o braço macio dela encosta no braço dele, juntamente com sua mão delicada e ele se apaixonou de uma maneira irreverente. No entanto momentos depois a moça desce do carro sem que ele percebesse e a partir daí ele faz de tudo pra ver a amada novamente. Depois de um mês tentando descobrir a identidade da amada, ele a encontra numa ópera (La traviata) e declara-se para ela mas ela foge deixando um lenço cheio de lágrimas. Depois de outros desencontros, finalmente ele conhece a mulher. Por carta, ela revela que já o observava nos bailes, amava-o há tempos, mas não podiam ficar juntos porque ela tinha uma doença incurável. Ele se entristece com a notícia e ela pede para que ele a esqueça, mas isso se torna difícil pois ele já está apaixonado. Para prolongar seus dias de vida Carlota teria que viajar, nisso ela mandou uma carta para ele comunicando sobre sua viajem com a sua mãe. Assim que ele recebeu a carta fez de tudo para achá-la, indo até a Europa ao seu encontro.  Encontrando-a, eles começaram a viver um amor puro á espera da morte de Carlota.

Uma tarde em que ela estava ainda mais fraca, eles foram para a varanda da casa em que estavam, ela não tinha forças nem para sorrir, parecia que estava dando adeus à vida. Depois de instantes, Lúcio sentiu a respiração de Carlota parar e a mão gelar; ele a abraçou e encostou seus lábios no dela, dando-lhe um beijo e nesse momento ocorreu um milagre. Carlota ergueu a cabeça com um ar de felicidade, e dias após já tinha recuperado sua saúde e sua força, ambos estavam felizes desfrutando essa alegria. Eles se casaram e passaram a viajar bastante durante um ano consecutivo, vivendo de um amor e alimentando-se de contemplações; depois resolveram morar em uma casa fixa, levavam uma vida normal e apaixonante. No fim, a retrospectiva de sua vida amorosa é toda relatada em uma carta escrita por Lúcio para sua prima. E foi aí que ele constatou que por causa do atraso de cinco minutos, conheceu a mulher de sua vida!


Análise do livro:
Cinco Minutos conta a história do casamento do autor com Carlota. No entanto, para o leitor, parece que está escutando uma história que não é para ele, já que Alencar dirige seu texto a uma prima. O leitor aqui é uma terceira pessoa, um voyer que fica entre José de Alencar e sua prima. Ao mesmo tempo em que tenta levar o leitor a pensar que tudo é imaginário e faz parte das fantasias do autor, José de Alencar faz questão de narrar fatos verídicos da época, acontecimentos reais que marcaram o Rio de Janeiro no início do século. É tão minucioso nesse aspecto que até narra datas e horários etc. Atualmente as histórias do autor romântico passam como que quase infantis e ingênuas para o leitor moderno. São narrações em que o amor sempre vence, decisões passionais de amantes, amor e amor e amor. À época, os folhetins eram lidos pelas senhoras burgueses. Exagerando-se um pouco na dose, poderíamos dizer que Alencar lembra remotamente, os livrinhos que embalam os sonhos de moças solteiras, no entanto não se pode deixar de dizer que sua escrita, linguagem, e modo estilístico são de extrema qualidade. Foi Alencar quem dissociou-se do modelo português da escrita para definitivamente inaugurar o texto nosso, brasileiro. Os livros Cinco Minutos e A Viuvinha falam sobre a vida burguesa. Suas personagens são personagens que, no fundo, representam o ideal acabado da vida burguesa, tropicalmente reproduzida na Corte brasileira. Em Cinco Minutos, o narrador-personagem está disponível, da primeira à última página, para satisfazer a todos os caprichos de sua imaginação. Sem compromisso profissional algum, o aspecto financeiro de suas peregrinações atrás de Carlota não chegam jamais a preocupá-lo.

José de Alencar não era um adepto das convenções sociais marcadas pelo tempo cronológico, ou seja, hora para fazer isso, horário para fazer aquilo...achava que os seres não podiam ficar submetidos a um aparelho com pequenos ponteiros e que esse ordenasse suas vidas. Isso fica evidente também na obra - Cinco Minutos - devido ao fato do personagem conhecer o amor de sua vida através de um atraso de cinco minutos em relação a sua rotina diária, ou seja, o atraso pode ser benéfico, segundo o autor.

Cinco Minutos é um romance bem curto que conta uma estória de amor contada na cidade do Rio de Janeiro, em meados do século XIX. O autor usa de um artifício para contar essa estória ao leitor: ele finge que está contando o fato a prima dele através de uma carta. Em Cinco Minutos, o narrador-personagem está onipresente da primeira à última página. O titulo do livro chama bastante atenção pelo o nome: Cinco Minutos. A ilustração da capa também chamou a atenção, pois havia uma mulher com uma carta na mão. Na intenção de dar aparência real à sua estória, o autor faz citações precisas de locais e horários e ainda uma mistura de realidade e fantasia, imaginação e romantismo.
O autor (José de Alencar) que participa da obra é um dos maiores escritores de ficção do nosso romantismo e escreveu vários livros que focalizam os diversos aspectos de nossa realidade. Alencar nasceu em Messejana , em 1829, e foi advogado, jornalista e político. Morreu no Rio de Janeiro, em 1877.

Na obra existem dois principais protagonistas... o narrador: que se caracteriza por ser um homem rico e sem profissão que não liga para bens matérias e seu amor Carlota: que é uma moça de 16 anos. Os dois possuem uma coisa em comum... eles são românticos... um personagem antagonista que é a mãe de Carlota e vários outros personagens secundários. O texto é desenvolvido em três cidades : Andaraí (Minas), Rio de Janeiro e Petrópolis. A obra acontece aproximadamente ao tempo cronológico de três meses.

Enfim, o livro relata um pouco da realidade vivida pelo autor envolta em fantasia, imaginação e romantismo.