domingo, 29 de maio de 2011

Lucíola (José de Alencar)

Fica claro, que em Lucíola, o narrador é em 1ª pessoa. O livro é narrado por Paulo, que é o personagem principal. Assim, a narrativa tem um caráter autobiográfico, pois é feita em 1ª pessoa, buscando recuperar, a partir da perspectiva do amante, a paixão vivida por Lúcia e Paulo.
O prefácio chama-se "Ao Autor" e, ali, uma pessoa que assina G. M. afirma que encontrou as cartas de Paulo e as reuniu, publicando o livro Lucíola. Percebemos que, então, cada capítulo corresponde a uma carta que Paulo escreveu à senhora que o indagou. A narrativa é detalhista. Em Lucíola, o autor faz um aprofundamento psicológico e mostra os conflitos interiores de Paulo e de Lúcia. Além disso, Lúcia não é linear, porque seu perfil se altera durante a obra. ("Acredite ou não, Lúcia acabava de me revelar naquela imagem simples um fenômeno psicológico que eu nunca teria suspeitado." - cap 18). Os personagens de Lucíola são, em boa parte do tempo, falsos. Em Lucíola, um personagem apresenta grande complexidade psicológica, a par do idealismo romântico com que foi concebido.
A publicação do livro ocorre em 1862. Com relação à narrativa, trata-se de um conjunto de recordações de Paulo. Pode-se considerá-lo um livro com algumas memórias fictícias, pois a ação transcorre no passado. O relacionamento de Paulo e Lúcia aconteceu quando ele chegou ao Rio de Janeiro, em 1855. Entretanto, as cartas foram reunidas por G. M. em novembro de 1861.
O tempo no livro é quase sempre psicológico, com grandes usos de flash-backs. O Rio de Janeiro é o espaço físico onde se desenvolve o romance. O autor retrata a sociedade de sua época, quando o Rio de Janeiro era a capital do Império, apontando alguns aspectos urbanos negativos. José de Alencar era um forte crítico social. Paulo era um rapaz do interior, que foi para o Rio de Janeiro conhecer a corte. Poucos dias depois de sua chegada, um amigo de infância chamado Dr. Sá o leva à festa da Glória. Lá, Paulo percebeu a diferença existente entre sua vidinha provinciana e a vida luxuosa na corte. No meio da festa, porém, uma bela mulher chamou sua atenção. O que mais lhe impressionou nessa mulher foi o seu jeito de "ingênua castidade". Dr. Sá, entretanto, ao perceber o engano do amigo, explicou para ele que aquela mulher era uma prostituta de alto luxo. Mesma sabendo disso, ela não saiu de sua memória.
*Lúcia: Sua característica é a contradição, ela era uma cortesã e podemos mostrar isso através da orgia romana na casa de Sá. Mas a prostituição era um tormento, pois não se entregavam totalmente à ela; não conseguindo ficar um período intenso com a mesma pessoa.
Coexistem nela duas pessoas: Maria da Glória; a menina inocente, ingênua, digna, simples e um verdadeiro anjo; Lúcia; a cortesã depravada, excêntrica, rejeita o amor e é um verdadeiro demônio.
Essa ambigüidade realça a Maria da Glória, sua verdadeira existência que vai amando e sendo amada por Paulo.Assim, Lúcia tendo perdido a virgindade física, tende a virgindade do espírito.
Lúcia sofre uma transformação completa que lhe custou muitos sacrifícios e muita incompreensão por parte de Paulo.
Seus traços físicos: cabelos e olhos pretos, a pele partida.
Uma adualidade de caráter, ora anjo, um ideal de beleza, romântica; ora demônio, uma cortesã.
Se você não entende-la muito bem não se preocupe, afinal, ela mesma se definiu: "É difícil conhecer-me; mas difícil do que pensa. Eu mesma, não sei o que às vezes se passa em mim" (pág.51).Então aos dezenove anos Lúcia recupera a Maria da Glória que perdera aos quatorze anos.
*Paulo: Provinciano de Pernambuco, 25 anos, que veio estabelecer-se no Rio de Janeiro. É o narrador da história, não revelando informações de si, e desvia a atenção para Lúcia. Isto é muito raro em José de Alencar, tratando-se do personagem central.
Seu Perfil:
Espírito observador e sensível; é o único a compreender o comportamento estranho de Lúcia; é reservado e tímido.
Sua aproximação à Lúcia, foi lenta, no início apenas uma atração sexual, porque tinha muitas incertezas e desconfianças: "Se eu amasse essa mulher... Mas não, tinha apenas sede de prazer...".
Paulo chega a ser violento e muito sádico com Lúcia: "Esta noite a senhora não se pertence; é um objeto..." .
Paulo e Lúcia vivem um relacionamento romântico; apesar dele declarar-se pobre e até se vexar por isso. Este personagem vive de amor e sonhos.
Personagens Secundárias
*Dr.Sá e Cunha: amigos de Paulo de infância, não têm a personalidade bem definida, mas vêem Lúcia como prostituta.
*Couto: é um velho dado a galante, representa a sociedade que explora e corrompe. Foi quem aproveitou de Lúcia na sua necessidade e inocência e é um libertino precoce.
*Rochinha: é um velho prematuro, e aparece com libertino precoce.
*Laura e Nina: São prostitutas como Lúcia, mas não têm duas caras como ela. Não são capazes de descer tão baixo, mas não possuem a nobreza que Lúcia carrega.
Jesuína: mulher que recolhe Lúcia quando seu pai a expulsa de casa.
*Jacinto: homem de 45 anos que vive da prostituição de mulheres pobres e da devassidão de homens ricos.
*Ana: irmã de Lúcia que a educou em um colégio interno como se fosse sua filha. Lúcia tenta casar Ana com seu amor Paulo para a perpetuação e concretização de seu amor por ele. Mas Paulo prefere se tornar o “Pai” de Ana, que se casou com outra pessoa.