A Escrava Isaura (Bernardo Guimarães)


No Brasil, quando ainda existia a escravidão, vivia na fazenda do senhor comendador Almeida uma bela escrava por quem ele se apaixonou, no entanto, a escrava não lhe correspondia e como castigo ela foi entregue nas mãos do feitor, Miguel. Mas ele era um homem bom e tratava a escrava da melhor forma possível, juntos, eles tiveram uma filha. 

O nome da menina era Isaura. O comendador, pai de Leôncio, demitiu Miguel e facilitou a morte da mãe da escravinha. A menina foi levada para a casa grande onde recebeu educação e foi criada como a filha que a esposa do comendador não teve. Isaura cresceu e se tornou uma moça bela e educada. Era vontade da Senhora da casa dar-lhe a liberdade, mas só faria isso em seu leito de morte, pois, assim, só a perderia depois de morta.

Porém, ela morreu antes, e a vida de Isaura foi entregue a Leôncio. Este era um jovem de má índole que, quando mais novo, saltara de faculdade em faculdade até chegar à Europa onde viveu longe dos estudos. Retornou ao Brasil depois de ter gastado parte da fortuna, direcionou-se ao comércio acreditando possuir um grande talento para a área. Por fim, acabou casando-se com Malvina por interesse.

Como a mãe de Leôncio morreu subitamente sem exigir a libertação de Isaura e o comendador se mudou para a corte, Isaura vivia a serviço de Malvina. Leôncio, em constante contato com a escrava, acabou apaixonando-se. Declarava-se à Isaura, que se mantinha indiferente e se negava a qualquer envolvimento. Ele prometia fazê-la rainha, mas quando rejeitado, ameaçava-a. Leôncio acreditava que a teria de qualquer modo, afinal, ela era propriedade dele. Ele conversava com seu cunhado, Henrique, que o visitava para tratar sobre seus interesses, mas Henrique, moralista e educado, não se empolgava como ouvinte. 

Em uma manhã em que Malvina foi novamente pedir pela liberdade de Isaura, Henrique se declarou à escrava, mas também acabou rejeitado. Porém, Leôncio estava à porta e viu o que tinha acontecido. Assim, Henrique saiu declarando que contaria para irmã os desejos do marido. 

Nessas circunstâncias, Isaura foi para o jardim onde recebeu uma nova declaração por parte de Belchior, o jardineiro asqueroso. Depois de recusá-lo, Isaura teve que novamente receber de Leôncio palavras de amor, no entanto, dessa vez, Henrique e Malvina estavam na janela e ouviram tudo. 

Malvina declarou que Leôncio teria que escolher entre ela e a escrava, ou seja, para ela continuar ali, Leôncio teria que vender ou dar a liberdade à Isaura. Exatamente após essa declaração, Miguel, pai de Isaura, chegou. Vinha para comprar a filha pelos dez contos de réis que o comendador havia exigido no prazo de um ano. Leôncio arranjou como desculpa que a escrava não o pertencia, visto que seu pai ainda era vivo e, assim, ele teria que escrever ao pai antes. 

Nesse momento, uma carta anunciando a morte do comendador chegou e logo as esperanças de Isaura findaram-se. A casa ficou em luto. Passados alguns dias, Malvina partiu, pois Leôncio não tomara providência nenhuma em relação à Isaura, apenas a mandou para a senzala. Em virtude da rejeição de Isaura, Leôncio preparava-lhe castigos físicos. 

Frente a essa situação, Miguel, em visita secreta à filha e aproveitando a falta de vigilância sobre ela, levou-a embora. Foram para Pernambuco, ela era tratada como Eusira. Escondiam-se de todo da sociedade, até que Álvaro apareceu e apaixonou-se instantaneamente por Isaura. Ela, em primeira instância, fugia do jardim quando ele passava na porta, mas como o sentimento era recíproco, acabaram por se tornarem amigos. Depois de muita insistência dele e afirmando que já lançavam suspeitas é que Isaura e Miguel aceitaram ir a um baile que ele oferecia. 

Nessa apresentação pública, Isaura deixava todas as demais moças desalentadas e os rapazes encantados, no entanto, sofria por enganar Álvaro e se passar por quem não era. 

Leôncio havia acionado toda ajuda na procura de Isaura e espalhara cartazes com a descrição dela oferecendo recompensa. Foi por um desses cartazes que Martinho reconheceu Isaura na noite do baile, declarando em público que ela era uma escrava, a pobre, envergonhada, confessou suas origens. 

O baile acabou e todos foram embora. Álvaro inicialmente não acreditou, mas depois reconheceu ainda amar Isaura e se colocou como protetor dela. Martinho, no entanto, recebera uma carta de permissão mandada por Leôncio para prendê-la e levá-la de volta para as posses dele. Porém, quando foi cumprir com a ação, Álvaro lhe ofereceu o dobro da quantia que ganharia para prender Isaura. Assim, Martinho voltou à polícia e declarou que a moça não era a escrava fugida. 

No entanto, no mesmo dia, Leôncio chegou à casa de Isaura e mesmo com o esforço de Álvaro, ela foi levada presa. 

Na fazenda, Malvina retornara para casa, Leôncio inventara mentiras acerca de Isaura. Ela, ingênua, voltou para casa, satisfazendo ao marido, que só a buscara de volta porque estava com dívidas e ter de volta a esposa era ter de volta o dinheiro do sogro. Isaura estava presa em um quarto escuro e ainda se negava a qualquer envolvimento com o senhor. 

Leôncio então planejou uma nova vingança, daria a ela liberdade com a condicional de se casar com Belchior. Ele também forjou uma carta de Álvaro em que ele se gabava do seu casamento e de como queria Isaura para mucama de sua esposa. Foi assim que Isaura sem motivo algum para acreditar em um futuro aceitou o casamento. 

No dia do casamento, quando esperavam pelo padre e pelo escrivão, Álvaro chegou. Recebeu a notícia do casamento de Isaura, porém afirmou que tal coisa não era possível, já que ele havia se tornado o credor das dívidas de Leôncio, sendo assim dono de seus bens e que agora toda a riqueza do rival pertencia a ele, inclusive Isaura. 

Afirmou ainda que não deixaria Leôncio e Malvina na miséria, mas, frente a isso, Leôncio afirmou que não permitiria a Álvaro o prazer de o ver suplicar caridade e assim se matou com um tiro na cabeça.